Organizadores do Fórum Social Mundial criticam neoliberalismo

Em: 26 de janeiro de 2010
A defesa da unidade de propostas da sociedade e da mobilização permanente das organizações sociais marcaram as discussões de abertura do FSM (Fórum Social Mundial), ontem, dia 25, na capital gaúcha
A defesa da unidade de propostas da sociedade e da mobilização permanente das organizações sociais marcaram as discussões de abertura do FSM (Fórum Social Mundial), ontem, dia 25, na capital gaúcha

A defesa da unidade de propostas da sociedade e da mobilização permanente das organizações sociais marcaram as discussões de abertura do FSM (Fórum Social Mundial), ontem, dia 25, na capital gaúcha. Os organizadores do evento falaram sobre os desafios e avanços do encontro, que completa dez anos, e acirraram as críticas contra o neoliberalismo.
Um dos principais líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Pedro Stédile, destacou o papel do fórum diante do enfraquecimento do neoliberalismo, após a crise financeira internacional que desarticulou mercados e exigiu a intervenção dos Estados. Para o ativista, o fórum precisa ser fortalecido como espaço de mobilização.
“Continuamos com uma hegemonia total do capital, precisamos derrotá-lo. Vivemos em uma situação em que a maioria dos governos continua de direita, inclusive em Porto Alegre, onde nasceu o Fórum Social Mundial”, ressaltou.
“Temos que aprofundar a discussão com os movimentos sociais, com a sociedade civil para romper com a essa sociedade hegemônica”, completou a representante do Fórum Social Europeu, Raffaella Bollini. “Como uma rede que tem ideias para salvar o mundo, temos que colocá-las em prática”.Ao defender uma mudança de consciência individual e a articulação em torno de temas comuns, o empresário Oded Grajew destacou a necessidade da mobilização constante, para que as propostas do fórum se transformem cada vez mais em políticas públicas.
O coordenador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Econômicas e Sociais), Cândido Grybowski, falou sobre a formação de uma consciência global forjada também nos dez anos de fórum. “O mais importante é desimperializar nossas cabeças para uma solução global”, reforçou ao destacar a importãncia da rotatividade do evento, que passou também pela Índia, Venezuela, Quênia, nos últimos dez anos, e voltou ao Brasil em 2009, na edição de Belém (PA).
O ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (frente do governo nas primeiras edições do FSM), também avaliou que diante do novo cenário sócioeconômico o desafio de repensar seu papel é ainda maior para o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos, na Suíça, contra o qual o fórum social também se articula.
“Depois da crise, que levou por água abaixo o discurso do Estado mínimo, eles têm que repensar o que irão fazer. Nós, o FSM, não precisamos fechar para balanço, mas precisamos construir uma unidade”, afirmou Dutra.
O secretário de Relações Internacionais da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Felício, também aproveitou para cobrar o aprofundamento das análises sobre o fórum econômico. “Não vejo na imprensa um artigo, uma reportagem falando sobre o fórum de Davos”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar