A briga política que já se instalou no Congresso Nacional, entre os principais partidos da eleição deste ano, PT e PSDB, está mobilizando todos os parlamentares das siglas. Por mais que afirmem serem contra o bate-boca público, aos poucos, as lideranças de cada partido vão a público para alfinetar os adversários. Seguindo o exemplo da semana passada, em que os presidentes do PT e PSDB trocaram insultos por meio de notas à imprensa, esta semana, o senador Arthur Neto (PSDB-AM) afirmou aprovar o envio de mais tropas para garantir a ordem no Haiti, mas não deixou passar a oportunidade de criticar os gastos do governo e sugerir um aumento na verba destinada ao Haiti. Já na Câmara federal, o deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR), criticou a liberação de R$ 500 milhões para os municípios, afirmando que se trata de uma ação eleitoreira e acusou o Congresso Nacional de ‘amarrar’ as cidades e torná-las dependente das políticas do presidente Lula.
Em tom de crítica, o deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR) afirmou à imprensa que os municípios brasileiros vão continuar sem recursos para oferecer serviços básicos de qualidade nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, ao comentar a liberação pelo governo federal de R$ 500 milhões para compensar a queda nos valores do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). “Esse montante não é suficiente para recompor as perdas e a grande maioria dos municípios de pequeno e médio porte enfrentará sérias dificuldades para manter serviços essenciais”, afirma o parlamentar.
Na visão do deputado, a intenção do governo federal é manter os prefeitos submissos e dependentes da liberação de recursos de Brasília. “Trata-se, na verdade, de uma estratégia para manter milhares de prefeituras atreladas ao projeto político do governo em ano eleitoral”, avalia, quando o ideal, segundo Kaefer, seria “dar independência financeira aos municípios”.
O deputado federal Francisco Praciano (PT-AM), que retornou esta semana à Brasília, convocado para reuniões da cúpula petista, explicou que o repasse feito pelo governo federal é uma medida compensatória e temporária, por conta da crise do ano passado. “Agora tudo que o Lula faz é eleitoreiro. Se a lógica for essa, têm que parar as obras no Brasil todo durante as eleições”, respondeu Praciano, que é um dos mais ferrenhos defensores do PT.
Senador aprova militares e critica verbas
O clima de crítica também foi utilizado pelo senador Arthur Neto (PSDB-AM) esta semana, ao afirmar que concorda com o pedido do governo federal de aumentar de 1.300 para 2.600 o contingente militar no Haiti e disse ainda que a boa fase do governo federal é oriunda das políticas públicas adotadas pelos antecessores tucanos, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.
Em carta enviada ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), registrada em plenário durante a reunião da Comissão Representativa do Congresso Nacional, o senador Arthur Neto declarou que “o país (Haiti) está desesperado, aturdido, desesperançado, o que toca fundo em nossos corações e cobra ações mais efetivas no terreno da ajuda econômica”.
“O PSDB vota sim, sem pestanejar, pelo Haiti, pela paz e porque tem sido experiência construtiva, ainda que sofrida, para o Exército brasileiro”, disse Arthur Virgílio, acrescentando: “Mas o PSDB desejaria mais. O governo que, acertada e coerentemente com políticas econômicas que germinaram de Itamar Franco e Fernando Henrique para o presidente Lula da Silva, colabora com US$ 10 bilhões de suas reservas para a reestruturação do FMI, precisaria injetar recursos significativos no esforço pela reconstrução do Haiti”, considerou.
O líder do PSDB notou ainda que o governo, “no afã de conquistar votos para sua insistente candidatura a uma vaga permanente (sem direito a veto e, portanto, de segunda categoria) do Conselho de Segurança de uma ONU, perdoou dívidas de países africanos para conosco. “Pois esse mesmo governo deveria realizar esforço de monta pelo povo haitiano, ressalvadas as prioridades nacionais, que estão nos investimentos estratégicos e não no aumento descontrolado dos gastos correntes”, criticou Arthur Neto.
Praciano diz que ações do governo Lula ajudam o povo, por isso terá votos
Para Francisco Praciano, um dos mais antigos aliados do presidente Lula no Amazonas, o próprio PSDB adota um discurso eleitoreiro e acusa o governo federal de agir pensando nas eleições. “Acho que as ações e programas do governo são positivos e dão votos mesmo. Se o governo é bom ele terá voto. Se agrada ao povo, terá voto. Sempre foi e sempre vai ser assim”, respondeu, lembrando que apesar da oposição ter apresentado recursos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) alegando que as obras do governo brasileiro são ilegais por conta da eleição deste ano, o trabalho do governo Lula não vai parar.
“Esta lógica de atrelar as ações à campanha, é estratégia deles e não do Lula. O repasse dos recursos aos municípios foi feito para compensar a queda de arrecadação geral no País. Quanto à ajuda ao Haiti, o governo brasileiro já liberou, na semana passada, R$ 35 milhões para o País. Se o Haiti precisar de mais recursos para se reerguer, o Brasil não vai deixar de ajudar. E se o Brasil pode, hoje, colaborar com o FMI, ao invés de fazer dívidas com ele, é mérito do presidente Lula. Não consigo entender as críticas”, rebateu Praciano.







