Paixão pelo meio ambiente

Em: 2 de junho de 2025
O livro ‘O magistrado de alma verde’ mostra toda a trajetória de Adalberto Carim e como se desenvolveu nele o interesse pelo meio ambiente.

No próximo dia 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, data criada em 1972 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, mas em Manaus as comemorações começam no dia 2, segunda-feira, com o lançamento do livro biográfico ‘O magistrado de alma verde – Adalberto Carim Antonio’, escrito pela historiadora Etelvina Garcia e pela jornalista Jeane Glay. O evento acontecerá no Salão Nobre do Centro Cultural Palácio Rio Negro, às 19h. Adalberto Carim se notabilizou quando se tornou o primeiro juiz da Vara do Meio Ambiente e Questões Agrárias da Comarca de Manaus, a primeira unidade jurisdicional do Brasil especializada em questões ambientais. Ele faleceu em 2022, com apenas 56 anos. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Ataliba Antonio, falou mais sobre o irmão.  

 

Jornal do Commercio: Como foi a trajetória inicial de Carim, na educação?

Ataliba Antonio: O Adalberto nasceu em Manaus, na Beneficente Portuguesa. Nossos pais são o juiz Ataliba David Antonio e a empresária Olinda Carim Antonio. Aprendeu as primeiras letras no Colégio Adalberto Valle, com as irmãs capuchinhas, depois estudou no Colégio Dom Bosco onde estreitamos mais a nossa convivência. Só nos afastamos quando ele passou um ano nos Estados Unidos, fazendo intercâmbio. Ao retornar, com 16 anos, prestou vestibular e ingressou na Faculdade de Direito, da Ufam.

 

JC: Foi num retorno aos Estados Unidos, que ele se aprofundou na questão ambiental?

AA: Sim. Em 1989, ele foi se especializar em Metodologia de Avaliação em Impactos Ambientais, na Universidade do Tennessee. No retorno ao Brasil, em 1991, se especializou em Direito Ambiental, pela Ufam e, no ano seguinte, escreveu seu primeiro livro ‘Evolução e maturidade do direito ambiental brasileiro’ onde abordava a legislação ambiental nos outros países mostrando que estavam à frente da nossa. Ele tinha apenas 21 anos de idade.

 

JC: E quando surgiu o juiz?

AA: Em 1993, com apenas 26 anos, ele foi empossado, sendo um dos juízes mais novos do país. Se notabilizou pelo trabalho realizado em Manacapuru onde instalou a Vara Cível e Criminal e reformou o Tribunal Eleitoral. Ao ser transferido para Manaus, presenteou a cidade com o livro ‘Conhecendo Manacapuru através de suas fachadas’ , prefaciado por ninguém menos que o arquiteto Severiano Porto.

 

JC: Quando surge a Vara do Meio Ambiente?

AA: Em 1997, na gestão do desembargador Neuzimar Pinheiro. As sentenças do Carim chamavam a atenção por serem alternativas e visavam socializar os apenados com muitos deles passando a ajudar a causa ambiental. Criou o Juizado Volante, o Espaço da Cidadania Ambiental, e o Sementes da Vida, todos tendo como objetivo a socialização e a conscientização ao meio ambiente. Publicou seu terceiro livro ‘Ecoletania’, com artigos seus publicados em revistas especializadas.

 

Sobre o livro biográfico de Carim

“No início de 2023, o Ataliba Antonio expôs a ideia do livro para a historiadora Etelvina Garcia que, devido à proximidade com Carim, abraçou a iniciativa e me convidou para contribuir com o trabalho. Eu, prontamente, aceitei a parceria”, falou Jeane Glay.
Nas pesquisas, Etelvina e Jeane descobriram que Adalberto Carim nasceu em 7 de maio de 1965 e, ainda pequeno, mudou com a família para Itacoatiara, onde teve contato direto com a natureza. Ao retornar para Manaus, os fins de semana eram muito esperados por ele, pois era a oportunidade de contemplar e estar próximo à natureza nas idas ao sítio da família, em Iranduba. 
“Após Carim voltar dos Estados Unidos, com 16 anos, veio com a certeza do que queria para a sua vida: cursar Direito. Entrou para a Faculdade, onde conheceu o reitor e ambientalista Roberto dos Santos Vieira, pessoa determinante na sua formação”, disse.

Advogado, Carim começou a dar os primeiros passos para tornar a questão ambiental protagonista nas discussões em âmbito estadual. No final da década de 1980, liderou a criação, na Ordem dos Advogados do Brasil/Amazonas, da primeira comissão do país dedicada ao meio ambiente.
“Carim realizou várias ações e teve iniciativas ambientais antes de se tornar juiz. Então, o que se percebe é que ele traçou uma trajetória sólida voltada para essas questões até chegar ao cargo de juiz”, lembrou a jornalista.

“Embora a partida precoce dele tenha deixado um vácuo nos estudos e nas práticas voltadas para o meio ambiente no Amazonas, na Amazônia e no Brasil, o seu legado é imensurável. Esse legado será sentido pelos nossos filhos, netos e tataranetos, com toda certeza. Isso porque, Carim não só falava bonito, ou tinha domínio sobre o que falava, mas, principalmente, por fazer acontecer. Por tirar do papel projetos, tornando-os concretos e com resultados”, concluiu.     

 

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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