Apesar de os dados mais recentes da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) apontarem para um crescimento de 29,4% na venda de motocicletas até maio deste ano no Amazonas, a expectativa para o final de junho não é nada otimista.
O desempenho das concessionárias locais está mais de acordo com o levantamento nacional da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) divulgado ontem, que projeta um emplacamento de 127.414 unidades até o final do mês em todo o país, número 15% inferior ao resultado de maio e 21% menor frente a junho de 2011.
Até a primeira quinzena de junho, de acordo com a entidade, foram emplacadas 63.707 motos, queda de 6,5% em relação a maio e de 25% na comparação com junho do ano passado.
Em Manaus, o gerente comercial da Aventura Moto e Náutica, Robson Coutinho que já havia anotando queda de 28% nas vendas de maio informou que na primeira quinzena de junho sentiu um leve acréscimo de 10% nas vendas frente à primeira quinzena do mês anterior.
“No entanto, as vendas de junho estão 20% abaixo dos emplacamentos realizados no mesmo período do ano passado. Estamos muito distante da meta e faltam apenas dez dias para o fim do mês. Não vamos nem chegar perto do resultado do ano passado”, lamentou.
Segundo a análise do gerente, já há um sinal de recuperação. “Se em junho do ano passado tivéssemos vendidos dez motos, no início deste ano só teríamos vendido duas. Com a melhora parcial do quadro, é como se em junho deste ano fossemos vender 4, ou seja, é melhor do que no inicio do ano, mas ainda está bem longe do que conseguíamos antes”, exemplifica.
Ele diz que em contrapartida à tímida expansão do crédito por parte dos bancos privados, as ações para manter as vendas têm partido das montadoras que repassam mais barato para as concessionárias, oferecendo taxas menores e ações na mídia para chamar o consumidor.
“Para se ter uma idéia, um dos modelos de moto da Yamaha vendida antes a R$ 6,2 mil agora sai por R$ 5,15 mil para o cliente”, continuou.
Segundo dados passados pelo gerente comercial, Luiz Santos, a TV Lar Motos registrou uma retração de 7,51% na primeira quinzena de junho frente a igual período do ano passado com 985 unidades comercializadas em todo o Amazonas.
O número representa menos da metade do total emplacado em junho de 2011, quando 2120 unidades foram vendidas.
“Apesar de a restrição ao crédito ter dificultado em muito e comprometido nossa rentabilidade, temos buscado alternativas, como: parcelamento do lance do consórcio em até 6 x sem juros, vendas no cartão de crédito”, alegou.
Perspectivas
Para Luiz Santos, a expectativa para o segundo semestre é de conseguir manter os mesmos números do ano passado. “Para o segundo semestre acreditamos que o cliente já sabendo da necessidade de uma entrada exigida pelos bancos, está se precavendo e fazendo esta poupança. As financeiras também terão que se ajustar e liberar um pouco mais de crédito”, explanou.
Já Robson Coutinho opina que sem a flexibilidade dos bancos, as concessionárias em geral esperam um segundo semestre tímido no Amazonas. “Não adianta baixar taxa de juros se os bancos não flexibilizarem o financiamento”, resumiu.
O presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Eletrônicos de Manaus), Athaydes Félix, acrescentou que a decisão de aumentar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para motocicletas importadas é um ajuda para a indústria porque coloca a ZFMm no mesmo patamar de concorrência de outros lugares que importavam as motos, mas não resolve o problema do financiamento. “O governo precisa tomar ações mais duras, obrigando os bancos a ceder. Caso contrário a situação não deve mudar”, constatou.







