PEC enfrentará obstáculos no Senado

Em: 10 de julho de 2014
Texto aprovado na Câmara prevê isenção do IPI para regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste
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Texto aprovado na Câmara prevê isenção do IPI para regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste

No momento de espera pela votação no Senado da PEC (proposta de emenda à Constituição) 20/2014, que prorroga os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos, surgem indícios de que a proposta ainda vai gerar discussões acirradas no Senado Federal. Uma delas está relacionada ao fato de a proposta apresentar isenção de 100% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os produtos de informática produzidos pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O tema será questionado pelo deputado federal Pauderney Avelino (DEM).
Segundo o parlamentar, em nenhum momento das negociações para a votação da PEC alguém falou sobre a isenção do IPI para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O deputado afirma que a dispensa do pagamento da taxa será prejudicial à Zona Franca de Manaus. “Isso deixaria o setor industrial amazonense em desvantagem com relação aos fabricantes de outras regiões do país. Um dos maiores diferenciais da ZFM está nos incentivos fiscais”, argumentou.
O democrata ainda disse que só teve conhecimento sobre a questão porque leu a proposta antes de ela ser encaminhada ao Senado. Avelino adiantou que está em articulação com outros deputados federais e ainda com a Receita Federal, na tentativa de alterar o conteúdo da PEC que fala sobre isenção do imposto.
O senador e candidato ao governo do Estado, Eduardo Braga (PMDB), afirma que concentrará esforços na aprovação da PEC 20/2014 em seu formato original, sem que haja alterações. “Uma alteração faria a PEC retornar à Câmara dos Deputados. Vamos trabalhar para que isso não ocorra”, disse Braga. Segundo o senador, a PEC 20/2014 será votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) entre os dias 15 e 16 de julho, semana em que o Senado terá uma pauta deliberativa. “Estamos conversando com o presidente da CCJ e demais líderes da Casa para que façamos a votação na terça (15) ou na quarta-feira (16), que é quando tem reunião da comissão”, disse. “A intenção é que após a votação da CCJ a proposta siga para análise no plenário”, completou.
Braga ainda disse que o relatório já foi revisto e está pronto para ser apreciado pelos parlamentares. Quanto a avaliação da emenda no Senado, Braga afirma estar confiante na aprovação. “Estamos conversando com os líderes partidários, com os demais senadores para os sensibilizarmos sobre a importância da aprovação da PEC. Mesmo que haja resistências por parte de Estados como São Paulo, por exemplo, estamos confiantes na aprovação”.

União entre PECs
Na última sexta-feira (4) o site do Senado divulgou nota sobre um possível vínculo entre a proposta que trata do tempo de vigência da ZFM e ainda da duração dos benefícios fiscais concedidos às ALCs (Áreas de Livre Comércio e à Amazônia Ocidental), conteúdo da PEC 7/2013. Para o Senador Eduardo Braga, a proposta precisa ser debatida para, então, ter uma definição concreta. “Essa é uma proposta que já vem sendo discutida no Senado há algum tempo. Não sou contra a ideia, mas essa prorrogação deve ser amplamente discutida com o governo, assim como foi feita a discussão sobre a prorrogação da ZFM. Já existe o acordo para a prorrogação das ALCs até 2050, construído na Câmara dos Deputados. Agora, só precisa ajustar esse entendimento no Senado”, alertou.
A emenda que trata sobre a prorrogação dos benefícios fiscais das Alcs é o projeto de lei (PL) número 6.727/2013, aprovado no dia 4 de junho. O relator da proposta foi o deputado federal João Maia (PR/RN).
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) disse que desconhece qualquer negociação sobre essa suposta união entre as duas propostas. Ela afirma que a PEC que prorroga os incentivos à Zona Franca chegou ao Senado sem alterações e deve entrar em pauta da mesma forma. “Esse PL foi discutido e votado pela Câmara e não creio que volte a ser discutido no Senado. Pode até haver articulações neste sentido, mas não creio que avancem. De qualquer forma isso não seria prejudicial”, argumentou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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