As locadoras de veículos no Amazonas encaram um grande desafio, a dificuldade para repor ou renovar todos os estoques das suas frotas, além de atender todos os contratos, situação que segundo a Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis no Amazonas) deve normalizar somente no segundo semestre de 2022.
Um outro desafio é que o carro zero continua subindo de preço e as previsões de estabilizar é setembro do ano que vem ou início de 2023 “A estabilização equalizada demanda e oferta de veículos para ter realmente aquele momento de quando fazia-se um pedido em 30 dias era entregue somente dentro dessa projeção. Aliás, vale lembrar que está bem pior que o início da pandemia, os prazos médios de entrega estão em torno de 150 dias”, frisou o diretor da Associação no Amazonas, Sidney Reche Galdeano Filho.
Segundo ele, o terceiro componente que reflete no mercado durante a pandemia é a parte de juros, como o governo precisou subir as taxas para conter a inflação , automaticamente isso gera um aumento de custo de aquisição de veículos. “Aproximadamente 70% dos veículos comprados no Brasil são através de financiamentos bancários, então isso freia muito o consumo desses veículos e isso impacta para as locadoras também porque grande parte trabalha muito com capital financiado isso aumenta o nosso custo também”.
Pesquisa Abla/MDA, sobre o setor de aluguel de carro, apontam que durante a Covid-19, mesmo com toda dificuldade para a compra de veículos, 46,3% das locadoras aumentaram suas frotas, enquanto 30,1% às mantiveram no patamar anterior ao da pandemia. A redução de frota se deu em somente 22,6% das empresas e, nos próximos 12 meses, 60,8% das locadoras têm intenção de comprar mais carros.
Conforme a pesquisa, há equilíbrio entre as principais modalidades de aluguel de carros presentes no Brasil: 68,9% das locadoras oferecem o aluguel diário para pessoas físicas ou jurídicas; e 65,1% trabalham com a locação de longa duração de frotas inteiras para empresas públicas e privadas, além de órgãos de governo. A soma dos índices superam 100% na medida em que a maior parte das locadoras atua ao mesmo tempo nas duas modalidades.
Diversificando o mercado
Locadoras que oferecem o “carro por assinatura” (contratos de longa duração para pessoas físicas), são 21,3%. A pesquisa apontou ainda que 19,9% das empresas de locação de veículos alugam carros para motoristas de aplicativos; e 19,3% atendem clientes de seguradoras, durante períodos em que ficam sem seus carros próprios por motivos de sinistros. Outras modalidades, como o carsharing, caracterizado principalmente pelo aluguel de curtíssima duração, são oferecidas por aproximadamente 5% das locadoras no Brasil.
A tendência de aluguel de carros por assinatura e por empresas tem crescido no mercado de locação no Amazonas. Sidney Reche Galdeano Filho, explica que o empresário tem visto como alternativa de captar recursos como se fosse um capital de giro e ao invés de ir ao banco fazer empréstimos com taxas elevadas ele tem preferido vender os carros usados que tem na sua frota por um valor relevante e em conjunto faz uma contratação de assinatura ou locação a longo prazo para empresa dele. “Tem crescido esse formato e a gente enxerga que as locadoras não só estão fazendo essa economia, e performance , produtividade para as empresas, mas realmente estão sendo um canal uma alternativa para empresas que possuem carro próprio na frota levantar algum capital interno para otimizar os seus processos”.
“Com relação às maiores dificuldades, a burocracia para compra de veículos é o principal problema do momento, englobando a escassez de modelos zero quilômetro no mercado e a consequente elevação dos preços”, avalia o presidente do Conselho Nacional da ABLA, Paulo Miguel Junior.
Por dentro
Foram entrevistados, por telefone, 602 empresários de norte a sul do Brasil, durante o mês de novembro. A maior parte (47%) do Sudeste, onde se concentra a maioria das locadoras, seguida do Nordeste (20%), Sul (17%), Centro-Oeste (9%) e Norte (8%). Com margem de erro de 3%, a pesquisa levou em conta o perfil das locadoras a partir de segmentações de tempo de operação no mercado, quantidade de funcionários, faturamento, lojas e pontos de atendimento, entre outros aspectos administrativos e de gestão.
Gargalo
No início do segundo semestre de 2021, o diretor da Associação no Amazonas, Sidney Reche Galdeano Filho, comentou ao Jornal do Commercio que apesar da valorização dos veículos seminovos no mercado amazonense, atualmente o grande desafio das 277 locadoras que atuam no estado é a reposição de suas frotas com veículos novos.
“As empresas do nosso setor enfrentam, neste momento, uma enorme dificuldade para a compra de veículos zero quilômetro”, diz Galdeano. “Primeiro, por causa das paralisações nas montadoras diante das medidas de isolamento social e, mais recentemente, devido à crise mundial da falta de semicondutores essenciais para produção”.
Ele acrescenta que a situação do mercado para a compra de veículos é “absolutamente crítica” para as locadoras, principalmente para aquelas que não anteciparam os seus pedidos junto às montadoras.







