Setor de serviços recua mais

Em: 15 de dezembro de 2021
O setor de serviços do Amazonas voltou a oscilar em outubro. Depois de avançar no mês anterior, a atividade retrocedeu em ritmo mais acelerado

O setor de serviços do Amazonas voltou a oscilar em outubro. Depois de avançar no mês anterior, a atividade retrocedeu em ritmo mais acelerado do que o da média nacional, eliminando o ganho anterior. Vale notar que o setor encolheu em 22 unidades federativas, no mesmo período. As empresas amazonenses, contudo, ainda acumulam expansão nas demais comparações, mas a escalada da inflação ajudou a promover novas distorções no indicador da receita nominal. É o que revelam os dados da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), divulgada pelo IBGE, nesta terça (14).

O volume de serviços no Estado recuou 2,2% ante setembro de 2021, em resultado oposto ao anterior (+1,3%). No confronto com outubro do ano passado, ainda houve elevação de 7%, índice que também ficou aquém ao do mês passado (+9,8%). Foi suficiente para segurar a atividade no campo positivo, nos aglutinados do ano (+13,4%) e de 12 meses (+12,1%). A performance do Amazonas só ficou à frente da média brasileira (-1,2%, +7,5%, +11% e +8,2%) nos acumulados.

Com o decréscimo mensal (-2,2%), o Estado despencou da quarta para a 15ª posição, entre os maiores valores do setor em todo o país, em um mês em que 22 das 27 unidades federativas amargaram recuos e uma pontuou estabilidade. Ceará (+1,4%), Alagoas (+1,1%) e Paraíba (+0,5%) dividiram o pódio. Na outra ponta, os piores desempenhos do país vieram de Mato Grosso (-6%), Piauí (-4,5%) e Sergipe (ambos com -4%).

O desempenho do acumulado do ano ainda consolidado no azul (+13,4%) garantiu ao Amazonas a manutenção da nona colocação no ranking nacional, pelo terceiro mês seguido. Roraima (+21,6%), Alagoas e Acre (+19,1%) tiveram os melhores números, enquanto Rondônia (+2,3%), Piauí (+5%) e Distrito Federal (+5,7%) figuraram no rodapé. Em relação ao mesmo mês de 2020 (), contudo, o Estado (+7%) recuou da 16ª para a 17ª posição, em uma lista protagonizada por Alagoas (+23,9%) e encerrada pelo Piauí (-2,8%). 

Receita nominal

Já a receita nominal dos serviços do Amazonas – que não leva em conta a inflação nos preços correntes – apresentou números melhores, justamente por essa razão. A exceção se deu na variação mensal. Entre setembro e outubro, houve recuo de 3%, em desempenho pior do que o anterior (+2,1%). No confronto com o mesmo mês de 2020, contudo, o incremento foi de dos dígitos (+13,9%), possibilitando a sustentação dos acumulados dos dez meses iniciais de 2021 (+17,4%) e da variação anualizada (+15,2%) no terreno positivo. Os respectivos números brasileiros foram -0,2%, +13,2%, +13,8%, +10,5%.

Com a retração mensal da receita nominal (-3%), o Estado desabou do quarto para o penúltimo lugar do ranking nacional do IBGE, ficando à frente apenas do Mato Grosso (-4,7%). As melhores performances vieram de Alagoas (+4,2%), Ceará (+3,7%) e Paraíba (+2,3%). No comparativo do aglutinado do ano (+17,4%), caiu da sétima para a oitava posição. Roraima (+23,9%) e Rondônia (+4,1%) ficaram nos extremos da lista. Levando em conta a variação anual (+13,7%), o Amazonas ficou em retrocedeu do 11º para o 14º lugar.

“Os serviços estão com o melhor crescimento do ano entre as atividades econômicas. Nos dez meses de 2021, divulgados pelo IBGE, caíram em apenas quatro, na variação com o mês anterior. Por outro lado, na comparação com 2020, o saldo foi positivo em todos os meses, possibilitando um bom acumulado de crescimento no ano. Mesmo faltando dois meses de divulgação dos resultados, é quase certo que o fechamento será um dos melhores dos últimos anos para a atividade”, pontuou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Alimentação e hospedagem

O IBGE-AM explica que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos. Em âmbito nacional, a queda foi puxada por quatro das cinco atividades, com destaque para “outros serviços” (-6,7%), seguido por informação e comunicação (-1,6%), serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,8%) e transportes (-0,3%). Pelo segundo mês consecutivo, o único avanço veio dos “serviços prestados às famílias” (+2,7%), que inclui alimentação e hospedagem.

Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, assinala que o dado negativo dos serviços de informação e comunicação pesou mais na formação do indicador e que o recuo veio principalmente do segmento de telecomunicações. “Essa queda é explicada pelo reajuste nas tarifas de telefonia fixa, que avançaram 7,33% nesse mês. Essa pressão vinda dos preços, acabou impactando o indicador de volume do subsetor”, explicou.

No caso dos serviços prestados às famílias, o pesquisador lembra que esta foi a atividade que mais sofreu nos meses agudos da pandemia, por contemplar serviços de caráter presencial. “Pouco a pouco, com o avanço da vacinação e aumento da mobilidade das pessoas, os serviços de alojamento e alimentação foram crescendo. Mas, ainda assim, é o subsetor que se encontra mais distante do patamar pré-pandemia, estando 13,6% abaixo do patamar de fevereiro de 2020”, ponderou.

Dólar e ômicron

Outro indicador do desempenho dos serviços do Amazonas vem do Novo Caged, que apontou criação de 1.014 empregos formais no setor, também em outubro. Os melhores números vieram do grupo que reúne os segmentos de informação, comunicação e atividades financeira, imobiliárias, profissionais e administrativas (+610 vagas) e dos segmentos de alojamento e alimentação (+240). A única atividade a apresentar resultado negativo foi a de serviços domésticos (-3). 

O presidente em exercício da Fecomecio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota, avalia que, dentre os segmentos de serviços o que deve estar sentindo mais dificuldades é o de transportes. O dirigente justifica, ao apontar que setembro e outubro apresentou um quadro “extremamente difícil” para a economia, materializado pela escalada do dólar, que deflagou aumento da energia e combustíveis. “Pegando o dado do decréscimo do segmento de transportes, você vê que as empresas ficaram desmotivadas, pelo aumento de combustíveis”, frisou.

Para Aderson Frota, independentemente dos impactos da variante ômicron, os serviços ainda passam por fase de recuperação, dada a maior circulação de pessoas. “Os restaurantes estão voltando a ter movimento em nível próximo ao anterior à pandemia. Principalmente neste fim de ano, período em que é difícil conseguir uma reserva. O volume de obras residenciais está em recuperação e o segmento de hospedagem só não está bem no Centro, já que o turismo de pesca vem alavancando os hotéis em outras partes do Estado”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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