Pirataria chinesa pode desempregar mais no PIM

Em: 10 de fevereiro de 2012
A elevação da incidência do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a fabricação de motocicletas seria a solução para o momento
A elevação da incidência do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a fabricação de motocicletas seria a solução para o momento

Impotente diante da guerra fiscal com o Estado de São Paulo e com os Estados do Nordeste, e sem mecanismos para enfrentar a concorrência desleal dos produtos chineses, o PIM (Polo Industrial de Manaus) a cada dia dá mais sinais de enfraquecimento e pode ficar à beira do abismo se o governo do Estado não adotar medidas fiscais e tributárias urgentes para salvar o polo de duas rodas cujas principais empresas ameaçam demitir trabalhadores. São mais de 15 mil empregos em perigo no PIM.
Preocupado com a situação, o deputado Luiz Castro (PPS) apresentou requerimento na última quinta-feira (9), na Assembleia Legislativa, convocando o secretário de Estado de Planejamento, Airton Claudino, e o titular da Sefaz, Ispher Abrahim, para comparecerem ao Parlamento estadual, juntamente com autoridades da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), para debaterem a crise com os deputados e informarem as medidas que pretendem adotar para enfrentar, sobretudo, as atividades “piratas” das empresas chinesas contra o PIM.
“Em primeiro lugar, os chineses produzem em grande escala e por preços muitos mais baratos, sem nenhum escrúpulo, e além do mais há as mudanças tecnológicas que acabam afetando as interpretações da legislação tributária com relação a determinados tipos de produtos”, diz Castro, lamentando que a crise no PIM tenha se agudizado com a edição da PEC da Música e possa agora ficar pior se grandes empresas como Moto Honda e a Yamaha levarem em frente a ameaça de demitir trabalhadores. Os dois grupos empresariais representam pouco mais de dois terços do polo de duas rodas.
Em defesa do polo e do PIM, o deputado socialista alerta o governo para a adoção de medidas urgentes como a elevação da incidência do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a fabricação motocicletas, seguindo o exemplo de Estados como Pernambuco, e aumentando as vantagens para novas empresas se instalarem no PIM, mantendo as que já produzem em Manaus. “Serão medidas profissionais que funcionam especificamente para garantir o polo de duas rodas e que combateriam o contrabando disfarçado de motonetas de 50 cilindradas, colocadas no mercado como se fossem brasileiras e que, na verdade, são um contrabando com disfarce, pois são motos totalmente chinesas, não geram empregos no Brasil e prejudicam o PIM”, afirma o deputado.

“Maquiagem” e Seplan

Segundo ele, as medidas deverão atingir as peças utilizadas por empresas que hoje atuam apenas como “maquiadoras” no PIM, a serviço dos interesses chineses, e ressalta que, pelo fato de as motocicletas serem “produtos específicos”, as medidas governamentais, com o respaldo da ALE-AM e em parceria com a Suframa e a Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), poderão ajudar a preservar o polo de duas rodas e a proteger o PIM.
Ele destaca que um órgão como a Seplan poderia colaborar bastante para o enfrentamento da crise deixando de funcionar apenas “como se fosse uma secretaria de alguns estudos técnicos acoplada à Sefaz e com uma visão meramente fiscalista, a Seplan tem que ser formuladora, protagonista, ela tem que perceber as ameaças antes de acontecerem e efetivar ações que permitam enfrentar os problemas antes que eles cheguem ao nível em que chegaram”. A Seplan, conforme o parlamentar, há muito tempo deveria ter criado condições para atrair ao PIM as empresas que recentemente acabaram se instalando em Pernambuco para fabricar motocicletas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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