O pólo de fitocosméticos pode gerar investimentos de até R$ 400 milhões no Amazonas após o resultado da rodada de crédito ocorrida na quinta-feira, no auditório da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), que reuniu representantes da iniciativa pública e privada, técnicos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), além de empresários locais interessados em investir ou ampliar negócios no setor.
De acordo com o gerente do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, José Marcelo Lima, a reunião proporcionou aos empresários e profissionais que atuam no segmento de fitocosméticos e fitoterápicos conhecerem as novidades e projetos de fomento oferecidos por entidades como Suframa e Sebrae, além das linhas de crédito e comercialização dos produtos no Amazonas. O executivo afirmou que o encontro faz parte da estratégia de atuação integrada do GTP/APL (Grupo de Trabalho Permanente para Arranjos Produtivos Locais) para identificação e ampliação de financiamentos em curto prazo do pólo de fitocosméticos. “O nosso objetivo é consolidar os APLs desse segmento para que o pólo de cosméticos deslanche já a partir deste ano. Por isso, foi importante a participação dos agentes financeiros para mostrar fundos de aval e linhas de crédito”, explicou Lima.
Processo
produtivo
A iniciativa da Fieam parece ir deliberadamente ao encontro da proposta ventilada pela Suframa no fim do ano passado, quando o PPB (Processo Produtivo Básico) dos biocosméticos foi aprovado em rodada de negociação que envolveu, além da Suframa, entidades empresariais locais e do setor fitoterápico interessadas em captação ou investimentos no Amazonas.
Lima disse que como forma de abranger os processos específicos para os biocosméticos, o atual PPB leva em conta a produção local, na qual serão acrescidos princípios ativos da biodiversidade amazônica, ratificando regras economicamente viáveis para a região. “O cumprimento dessas regras é uma das contrapartidas para que os empresários obtenham os benefícios fiscais na Zona Franca, como isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e redução do Imposto de Importação”, explicou o gerente, acrescentando que umas das principais diretrizes do PPB dos cosméticos é justamente a concentração de investimentos na região.
Novas
oportunidades
O coordenador-geral de estudos econômicos e empresariais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), José Alberto Machado, disse que a implantação de mais indústrias de cosméticos no PIM (Pólo Industrial de Manaus) oferecerá novas oportunidades para o mercado local atrair empresas interessadas em utilizar matéria-prima da Amazônia, através da oferta de incentivos diferenciados em relação a outras regiões.
“Algumas empresas de fora vinham comprar essências aqui, pagavam o preço mínimo para o extrativista e ainda colocavam na embalagem que o produto era fabricado na Amazônia, explorando isso mundialmente. Por isso, iniciativas como esse encontro, ajudam a mostrar as linhas de crédito disponíveis no setor, fomentando o adensamento da cadeia produtiva no Amazonas”, explicou Alberto Machado.
Bancos vão abrir crédito
De olho nesse público de investidores, algumas instituições financeiras, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia e Bradesco, anunciaram abertura de linhas de crédito que alcançam juntas R$ 600 milhões.
Para o gerente de mercado de pessoa jurídica do Banco do Brasil, Osmar Tonini, a disposição das linhas de crédito vão ajudar na participação mais ativa das pequenas microempresas, principal foco da entidade. Segundo o executivo, o banco quer ampliar em 35% os investimentos da carteira de crédito consolidada em 2007, quando atingiu R$ 88 milhões no Estado. “Até o momento, já contamos com uma carteira de 27 mil empresas em todo o Estado, mas nossa participação de mercado este ano pode se ampliar, atingindo as empresas de fitocosméticos a partir deste evento”, disse.
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