O advento da Copa do Mundo em 2010 vai representar o início de parcerias comerciais entre o Amazonas e países africanos. Os primeiros passos rumo à conquista desse mercado já foram dados, uma vez que para lá seguiram 264 motocicletas ‘made in Amazonas’, o que transformou o Estado no único exportador brasileiro no setor de duas rodas para o continente africano entre janeiro e outubro deste ano.
Em igual período do ano passado, o PIM (Polo Industrial de Manaus) havia exportado pouco mais de 40 veículos, o que resultou em consideráveis 560% de crescimento. Os dados foram divulgados pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), segundo o qual o mercado africano respondeu por um faturamento de US$ 625.3 mil contra US$ 86.7 mil nos dez primeiros meses de 2008.
Para o diretor executivo da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Moacyr Paes, as montadoras da Zona Franca de Manaus estão próximas a retomar os níveis de faturamento anteriores ao estouro da crise financeira internacional. O executivo fez questão de frisar que a abertura de novos mercados será importante para a retomada desse nível de faturamento e que a chegada da produção ao continente africano é importante para o desenvolvimento fabril do Amazonas. “A compra do Marrocos foi pequena se comparada ao total exportado pelo país em motocicletas entre janeiro e outubro deste ano: 42,54 mil unidades. Apesar de ser um mercado promissor, os maiores parceiros comerciais de motocicletas ainda são EUA, México e Argentina”, explicou.
Paes frisou que a ampliação da participação ocidental do setor de duas rodas no continente africano ainda é incipiente em virtude da forte concorrência com fornecedores chineses e indianos, que dificultam maior volume de exportações. O representante da Abraciclo afirmou que, no Brasil, as motocicletas são fabricadas segundo o rígido controle de poluição ambiental, o que eleva os preços comparativamente às concorrentes orientais no mercado africano. “Não é possível uma produção para exportação e outra para o mercado nacional, mesmo porque seria injusto aos consumidores do mercado africano receberem um produto de baixa qualidade e fora dos padrões de proteção ambiental”, asseverou.
‘Afinidades sociais’
Na análise do mestre em geopolítica da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), professor Vicente Lopes, o Brasil fica em desvantagem comercial e política quando se trata dos itens ‘distância’ e ‘afinidades sociais’, fatores que influenciam diretamente na disputa do mercado árabe com a China e a Índia, já que África e Oriente Médio, onde estão os árabes, estão mais próximos desses países. “É surpreendente o fato de que o Amazonas ao poucos se insere com produtos tecnológicos no mercado africano, o que mostra a congruência dos modelos oferecidos com o estilo de vida que os consumidores daquele continente almejam para seus países”, considerou.
O Brasil é o quarto maior produtor mundial de motocicletas, de acordo com a Abraciclo. No ano passado, o país produziu 2,126 milhões de unidades e neste ano, até outubro, foram fabricadas 1,12 milhão de motocicletas, cujo destino principal é o próprio mercado interno. A exportação, nos primeiros dez meses deste ano, representaram apenas 4,1% do total produzido. No mercado nacional, 90% das motos vendidas são de até 150 cilindradas.







