Por 35 votos a favor e 27 votos contrários, o Senado aprovou ontem o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul). A questão provocou uma disputa entre a oposição e a base governista. Os oposicionistas não admitiam a entrada de um país sob “regime autoritário” comandado pelo presidente Hugo Chávez. Já os governistas destacaram a necessidade do intercâmbio comercial com o país vizinho e procuraram desvincular a Venezuela do seu presidente.
Com a aprovação do Senado, a adesão será promulgada pelo Presidente da República. No entanto, mesmo com a aprovação do protocolo, a entrada da Venezuela no Mercosul ainda não está garantida. Ainda falta a aprovação do Paraguai, que adiou para 2010 a discussão sobre o assunto, em virtude de falta de apoio do presidente paraguaio Fernando Lugo no Congresso de seu país.
A proposta foi aprovada no final de outubro pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, e desde então estava pronta para ir ao Plenário. Na comissão, o voto em separado do senador Romero Jucá (PMDB-RR), favorável à adesão, venceu o do relator, Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Na semana passada, depois de mais de seis horas de discussão acirrada em plenário, a votação acabou adiada devido a um acordo entre lideranças governistas que não conseguiram segurança para aprovar a proposta. Ontem, na sessão que seria destinada apenas a votação da matéria, as discussões consumiram quase três horas.
Ao encaminhar a votação, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP) destacou que não se queria a aprovação do governo Chávez e sim do país. “Não estou fazendo acordo com Hugo Chávez, estou fazendo com o povo da Venezuela. Chávez vai morrer em algum momento”, salientou.
Petista de Roraima, que faz fronteira com o país vizinho, o senador Augusto Botelho destacou a necessidade de integrar mais Brasil e Venezuela, como forma de desenvolver a economia do Estado. “Nossa energia vem da Venezuela e também existe uma proposta de integração do nosso sistema elétrico com o deles. Sou contra a ditadura de Chávez, mas o povo não pode ser prejudicado”, frisou.
Já o tucano Papaléo Paes (AP) destacou que a adesão da Venezuela poderia prejudicar negócios já fechados pelo Mercosul. “Chavez propõe escambo, como faz com Cuba. O Mercosul negociou um acordo com Israel, país com que Chávez não admite ligações”, concluiu.
Senado aprova adesão da Venezuela ao Mercosul
Em: 16 de dezembro de 2009
Por 35 votos a favor e 27 votos contrários, o Senado aprovou ontem o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul). A questão provocou uma disputa entre a oposição e a base governista
Redação
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