O custo do metro quadrado da construção civil do Amazonas sofreu repique em maio, após dois meses de desaceleração. O preço saltou de R$ 1.728,42 para R$ 1.739,91 ante abril, com alta de 0,66%. A taxa de incremento, correspondeu foi quatro vezes maior do que a anterior (+0,13%). Também correspondeu a quase o dobro da média nacional (+0,36%), em um mês em que a inflação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) voltou a perder o fôlego. É o que revelam os dados do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), mensurados pelo IBGE.
Diferente do ocorrido nos meses anteriores, o reajuste de preços não se limitou ao custo dos materiais, que mal se moveu (+0,07%), pontuando acréscimo ainda menor do que atingido em abril (+0,20%) e março (+0,42%). Os dispêndios para esse fim passaram de R$ 1.105,05 para R$ 1.105,88. Em contraste, o custo da mão de obra (R$ 634,03) saiu da estabilidade para avançar 1,71% – a despeito das oscilações na geração de empregos com carteira assinada do setor, conforme os dados apontados nos últimos meses, pelo ‘Novo Caged’.
Assim como ocorrido com a média nacional, a taxa regional do indicador superou a inflação oficial, conforme o mesmo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Impactado pelos preços de combustíveis, passagens aéreas e alimentos, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,23% em maio, em alta ainda mais comedida do que as de abril (+0,61%) e março (+0,71%) e fevereiro (+0,84%). A inflação oficial do acumulado do ano (+2,95%) e dos 12 meses (+3,94%) também perde para as respectivas variações estaduais (+3,64% e +12,57%) do Sinapi.
Acima da média
Com a taxa de alta mensal acima da média brasileira, o Amazonas escalou do 16º para o sexto lugar do ranking nacional. Maranhão (+1,92%), Distrito Federal (+1,63%) e São Paulo (+1,29%) dividiram o pódio. Na outra ponta estão Mato Grosso (-0,53%), Bahia (-0,50%) e Pernambuco (-0,39%), em meio a nove deflações. No acumulado do ano, o Estado se manteve no segundo lugar, sendo precedido apenas por Sergipe (+3,72%), em uma lista encerrada por Pernambuco (-0,44%). Em 12 meses, já subiu da segunda para a primeira colocação.
Os aumentos mensais consecutivos mantiveram o custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.739,91) acima da média brasileira (R$ 1.699,79). O Estado permanece na 11ª posição do ranking brasileiro, sendo o quinto maior da região Norte. Os maiores valores estão em Santa Catarina (R$ 1.927,39), Rio de Janeiro (R$ 1.843,15) e Acre (R$ 1.829,92). Na outra ponta, os dispêndios médios mais baixos se situaram em Alagoas (R$ 1.529,66), Sergipe (R$ 1.530,73) e Pernambuco (R$ 1.544,13).
O preço médio dos insumos para construção (R$ 1.105,88) fez o Estado passar para a quarta posição, além de se segurar acima da média nacional (R$ 1.004,40) –que recuou no mês. Acre (R$ 1.182,18), Rondônia (R$ 1.121,43) e Tocantins (R$ 1.118,91) ficaram no topo, enquanto Sergipe (R$ 931,50), Alagoas (R$ 936,73) e Espírito Santo (R$ 943,06) permaneceram na base. Apesar da alta no custo da mão de obra, o Amazonas (R$ 634,03) ainda perdeu para o dado brasileiro (R$ 695,39) e seguiu no 18º lugar. Santa Catarina (R$ 863,48) e Ceará (R$ 579,17) ficaram nos extremos.
Comportamentos opostos
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforçou à reportagem do Jornal do Commercio que, a despeito do repique, o aumento de preços apresentado no mês anterior ficou abaixo do ocorrido em maio do ano passado – período de maior pressão inflacionária das commodities, em razão do choque de oferta causado pelo começo da guerra na Ucrânia e os impactos da política de “covid zero” na China. Ainda assim, salienta que os acumulados seguem batendo a inflação oficial.
“A mão de obra foi o principal fator de reajuste dentro do mês. Às vezes as empresas antecipam algum reajuste. Mesmo sem ter tido reajuste em maio, o custo dos materiais de construção no Estado, alcançaram o quarto maior valor à nível nacional. Com o reajuste ocorrido, o preço do metro quadrado da construção elevou os valores em todos os tipos e padrões de acabamento das edificações. Lembrando que essa pesquisa baliza os preços das obras de edificação em todo país”, comentou.
Em texto postado na Agência de Notícias IBGE, o gerente da Sinapi, Augusto Oliveira, destacou os comportamentos opostos dos custos dos insumos e do trabalho, em âmbito nacional. “Temos acompanhado essa tendência no preço dos materiais [-0,24%], em alguns meses com deflações e em outros com reajustes, moldando-se novamente ao mercado, após a pandemia. A mão de obra [+1,24%] teve influência de três unidades federativas, por causa da homologação de dissídios observados no mês”, explicou.
“Dentro da média”
O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, considerou que o aumento do custo do setor em âmbito local “ficou dentro da média”. O dirigente avalia que o aumento mais encorpado do custo do metro quadrado do setor em maio se deve ao fato de que as unidades federativas da região Norte estiveram na liderança da atividade, nos meses iniciais do ano. E acrescenta que isso ocorreu tanto em termos de lançamentos imobiliários, quanto em vendas, conforme números fornecidos pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).
“O Norte foi o único a apresentar resultados positivos na pesquisa. Sem contar que temos essa logística complicada, que temos essa logística diferenciada, que sempre vai fazer ficar mais caro. Em relação à mão de obra, talvez tenha ocorrido em decorrência do tipo de serviço usado na fase das obras. Mas, estamos discutindo o dissídio da categoria e, até fim de junho, isso vai ter sido pactuado. Os índices inflacionários estão baixos e o preço do metro quadrado não deve crescer muito”, finalizou.







