Pecuária do Amazonas aquece no primeiro trimestre, mas não recupera período pré-pandemia

Em: 11 de junho de 2023

A pecuária amazonense registrou aquecimento no primeiro trimestre. Os abates bovinos, assim como a produção leiteira e de ovos mantiveram ritmo de recuperação e avançaram na contramão da média brasileira do setor. Mas, assim como ocorrido em âmbito nacional, a pecuária de corte e a avicultura de postura não conseguiram ir além do resultado obtido no mesmo período de 2022, e seguem muito abaixo do patamar pré-pandemia. É o que mostram, em síntese, os dados das pesquisas trimestrais que compõem as Estatísticas da Produção Pecuária do IBGE.

A pecuária de corte do Amazonas inclui frangos, suínos e bovinos, e estes últimos respondem pela maior parte da produção. Os bovinos somaram 37.117 cabeças e 8.400 toneladas, sendo que os bois (28.493) representaram 76,76% do total. As vacas (8.163) seguiram entre os abates que, ao contrário do ocorrido no levantamento anterior, não tiveram a participação de novilhos e novilhas. Houve alta de 3,51% em relação ao quarto trimestre do ano passado (35.857), sendo que os dados mensais mostram que a produção foi crescente entre janeiro (11.808), fevereiro (12.215) e março (13.094).

A comparação com os três meses iniciais de 2022 (40.263), contudo, apontou para um recuo de 7,81% na pecuária de corte bovino. O número foi o menor para o período desde 2009 (24.998). A análise da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informa que os abates trimestrais seguiram em tendência de alta no Amazonas, daquele ano até 2017, até começarem a oscilar nos anos subsequentes –especialmente após a pandemia. 

No Brasil, o abate de bovinos chegou a 7,34 milhões de cabeças no primeiro trimestre de 2023, obtendo alta de 4,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora tenha ficado 2,7% inferior em comparação com os três meses finais de 2022. No Norte do país os Estados que somaram maior quantidade de cabeças bovinas abatidas foram Tocantins (279.950); Rondônia (638.101), Pará (611.162), Acre (96.185) e Roraima (18.479). Os dados divulgados são de estabelecimentos que estão sob inspeção sanitária federal, estadual ou municipal. O IBGE informa que a insuficiência de informantes não permitiu a divulgação de dados sobre os abates de suínos e de frangos no Estado. 

Leite e ovos

A produção leiteira do Amazonas teve bons números. A aquisição de leite cru adquirido e industrializado chegou a 2,50 milhões de litros, configurando uma escalada de 29,53%, no confronto com o mesmo período do exercício anterior, e uma discreta alta de 0,40% ante o acumulado de outubro a dezembro de 2022. Mas, o desempenho mensal foi oscilante e o número ficou abaixo do obtido nos três meses iniciais de 2021 (2,60 milhões de litros) – período da segunda onda da pandemia no Estado. 

O Amazonas é o quinto maior produtor de leite da região Norte, perdendo para Rondônia (138,79 milhões), Pará (50,93 milhões), Tocantins (30,36 milhões) e Acre (2,64 milhões). Na média nacional, após produções recordes em 2020 e 2021, o leite vem sofrendo quedas desde 2022. No primeiro trimestre de 2023, a aquisição somou 5,88 bilhões de litros e encolheu 1,2% em relação ao mesmo trimestre de 2022, além de cair 6,9% em comparação com os três meses imediatamente anteriores. O IBGE atribuiu os números ao aumento dos custos e às intempéries climáticas causadas pelo fenômeno La Niña.

Já a produção de ovos de galinha amargou a pior performance da lista. As 24 unidades informantes ouvidas na sondagem informam que, de janeiro a março de 2023, a oferta não passou de 10.595 mil dúzias, praticamente empatando com o trimestre final de 2022 (10.539) – que já havia sido a pior marca desde o segundo trimestre de 2018 (9.927). A quantidade de galinhas poedeiras (1,39 milhão) até aumentou 13% na virada trimestral, indicando retração no índice de produtividade. Mas despencou 19,65% diante do mesmo período do exercício anterior (1,73 milhão). 

O Estado teve a segunda maior produção de ovos da região Norte, ficando atrás apenas de Tocantins (11.473 mil dúzias). O pior dado veio do Acre (1.501). A produção brasileira de ovos de galinha atingiu 1,020 bilhão de dúzias, o que equivale a um incremento de 2,6% em relação à quantidade apurada no mesmo trimestre em 2022 e queda de 2,8% em comparação à registrada no acumulado dos três últimos meses do ano passado. Ainda assim, essa foi a maior produção já registrada para o período e a sétima vez em que a produção ultrapassou a marca do bilhão, considerando a série histórica da pesquisa, iniciada em 1987.

Demanda e custos

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, assinalou que, embora a pecuária de corte tenha voltado a crescer no Amazonas, em relação ao trimestre anterior, ainda permanece bem abaixo da média dos últimos dois anos. “O abate de animais sofre diversas influências durante o ano. O preço final, o consumo e até mesmo o custo de abate, influenciam a dinâmica da produção de carnes”, listou.

Na análise do pesquisador, o leite adquirido manteve-se “praticamente estável” em relação ao trimestre anterior, embora tenha registrado “patamar histórico de alta”. “Quanto aos ovos, o número de informantes vem caindo a cada trimestre, assim como a produção total. No quarto trimestre alcançamos a menor produção dos últimos quatro anos. Como tradicionalmente o Amazonas é um grande produtor e consumidor de ovos, a queda pode estar ligada à menor demanda ou ao custo de produção. Além disso, a elevação dos preços nos últimos trimestres pode também ter influenciado”, analisou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o supervisor da pesquisa, Bernardo Viscardi, explica que a queda trimestral no abate de bovinos já era esperada devido a fatores sazonais e também ao embargo da China, que afetou as exportações do produto. “Ainda assim, foi o segundo maior número da série histórica iniciada em 1997 para um primeiro trimestre”, ponderou.

De acordo com o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, o crescimento da produção de leite vem ocorrendo gradualmente em virtude da ampliação de investimentos pelos produtores rurais, o que contribuiu para incremento de produtividade e melhoramento genético do rebanho. “Soma-se a isso, que a cheia deste ano está no patamar de normalidade, na maioria dos municípios”, acrescentou. 

O dirigente assinalou que a pecuária bovina enfrenta dificuldades diante da procura do consumidor por fontes de proteínas mais baratas. Já a avicultura amazonense vem sendo impactada pela subida nos preços de milho e soja – base da ração – e a “forte concorrência” com os ovos produzidos em granjas do Centro-Oeste. “O crescimento dos abates é um dado importante, mas vale destacar a significativa redução nos preços do boi gordo. Acreditamos, por outro lado, que a redução na produção de ovos seja uma situação circunstancial, devendo retomar a normalidade nos próximos períodos”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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