Privatização da Cigás pode entrar na pauta da Aleam

Em: 7 de outubro de 2011
A ineficiência da Cigás quanto ao tão sonhado gasoduto e uma possível privatização preocupam
A ineficiência da Cigás quanto ao tão sonhado gasoduto e uma possível privatização preocupam

A possível privatização da Cigás (Companhia de Gás do Amazonas) por parte do governo do Estado, por enquanto não passa de uma “possibilidade que o governador Omar Aziz deve encarar com bastante cuidado e de forma muito criteriosa”, disse ontem, 06, ao Jornal do Commercio o deputado Belarmino Lins (PMDB), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da ALE (Assembleia Legislativa). A reportagem do JC descobriu que o assunto foi o tema principal de uma importante reunião no gabinete da presidência da ALE, há duas semanas, envolvendo o presidente da Cigás, Lino Chíxaro, e vários deputados, dentre os quais Sidney Leite e Adjuto Afonso.
“Por ora, não conheço razões motivadoras para o governo privatizar a Companhia”, disse Belão, garantindo que até o momento não chegou nada de oficial à CCJR sobre a questão e muito menos ao seu conhecimento pessoal. “Como se trata de uma empresa de economia mista e o capital adicionado do governo é maior do que do particular, presume-se que, com o advento do gasoduto Coari-Manaus, a Cigás pudesse deslanchar do ponto de vista econômico, mas tal não ocorreu”, comentou.
Belão disse precisar de mais elementos para analisar com mais profundidade a questão e informou que tudo o que sabe sobre o assunto consiste em uma explanação realizada pelo diretor-presidente da Cigás, ex-deputado estadual Lino Chíxaro, na Assembleia Legislativa em maio passado. “Mas, eu vou me inteirar sobre isso, pois essa é uma matéria que deve ser bem pensada, e , quando ela for materializada, eu me manifestarei com certeza”, comentou, informando desconhecer rumores que correm nos bastidores governamentais sobre o suposto processo de privatização.
Falando aos deputados sobre a difícil situação financeira da Cigás, em cessão de tempo solicitada pelo deputado Marcos Rotta (PMDB) na ALE em meados de maio, Lino Chíxaro, após confessar sua frustração pela empresa não conseguir responder às expectativas criadas a partir do gasoduto Coari-Manaus com relação à “sonhada redenção energética da capital a partir do gás natural”, chamou a atenção dos parlamentares sobre a legalidade ou não da captação de gás feita pela Reman (Refinaria de Manaus). O procedimento da Refinaria foi qualificado por Lino como “um desvio” que estaria lesando os cofres do Estado em R$ 11 milhões. “Por isso, é importante a realização de um estudo técnico-jurídico sobre esse problema, pois do contrário o governo do Estado e a Assembleia Legislativa terão que intervir, porque existe uma sangria muito grande de recursos acontecendo”, expressou Lino à época.
Belarmino Lins considerou “polêmico” o assunto e lembrou que a Reman é vinculada à Petrobras. “Se essa dívida existe, o Estado tem que cobrar da Petrobras na justiça, entendo que, se a Reman não cumpre suas obrigações financeiras para com a Cigás, esta tem que acioná-la judicialmente”, afirmou, lamentando que por conta do imbróglio a Cigás não tenha conseguido ainda montar a infraestrutura devida para que a frota de veículos da cidade de Manaus seja alimentada a gás, a exemplo de metrópolis como Fortaleza.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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