Em maio deste ano, de acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial no Amazonas registrou queda de 14,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. Desde abril de 2009, quando a retração foi de 21,4% no período, a atividade da indústria no Estado não se mostra tão desaquecida. Já na comparação com mês imediatamente anterior, o recuo anotado foi de 2,8%.
Com esses índices, o Amazonas apresentou o pior desempenho no período, entre os 14 locais pesquisados pela instituição. Para o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, maio representou o auge da crise para a indústria amazonense.
“O resultado do mês foi negativo porque 2012 não tem sido um ano bom para a indústria de um modo geral. A atividade tem passado por dificuldades intensas desde janeiro que culminaram em maio”, constatou.
Entre os fatores que influenciaram o desempenho, o economista cita os efeitos da crise econômica internacional, a guerra com os produtos importados da Ásia, o próprio desaquecimento natural da produção aguardado para os primeiros meses do ano e a inserção de novos tributos na economia do país, como o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para cigarros e bebidas geladas. “Além disso, enfrentamos graves problemas de consumo que passam pelo endividamento familiar, inadimplência e dificuldade de acesso ao crédito”, acrescentou.
Ele lembra que o mês também foi marcado pelo anúncio por parte do governo federal de medidas de apoio a indústria. “Mas, como sabemos, o efeito não é imediato, demorando no mínimo três meses para que os primeiros efeitos sejam sentidos”, reforçou.
Nove das onze atividades industriais pesquisadas apresentaram redução na produção. As principais foram anotadas nas categorias de material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-20,8%) – fabricação de telefones celulares -, outros equipamentos de transporte (-20,2%), – produção de motocicletas e máquinas e equipamentos (-46,7%) – produção de fornos microondas.
A redução na fabricação de gasolina automotiva e óleo diesel, discos de vídeo (DVD) e relógios também contribuíram para a queda na atividade. A queda só não foi maior por que alguns setores conquistaram avanços, como o de alimentos e bebidas (9,8%) e de produtos químicos (19,8%) impulsionados pela produção de preparações para elaboração de bebidas e de oxigênio, respectivamente.
Acumulado
Já no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o recuo foi de 6,5% frente ao mesmo intervalo do ano anterior. A principal retração foi verificada na indústria de máquinas e equipamentos (-25,7%), puxada pela fraca produção de condicionadores de ar e fornos de microondas. Em seguida apareceu o setor de duas rodas (-11,5%) com queda na fabricação de motocicletas e suas peças e acessórios. Por último a produção de materiais eletrônicos, aparelhos e equipamentos de comunicações (-3,7%), especialmente de telefones celulares, discos de vídeo (DVD), relógios e lâminas de barbear.
Os únicos ramos que anotaram resultados positivos significativos nos cinco primeiros meses do ano foram os produtos químicos (33,9%) e a atividade de refino de petróleo e produção de álcool (5,1%)
Segundo Ailson Rezende, a tendência, a partir de agora, é de recuperação devido a medidas pontuais dos governos federal e estadual para segmentos como o de duas rodas. A expectativa também é de aquecimento para a produção e eletroeletrônicos, uma vez que se trata de um setor sazonal, com maior apelo no segundo semestre.














