A realocação dos camelôs e ambulantes nos espaços provisórios, apesar de pacífica, abriu discussão sobre a insegurança no centro. Segundo os lojistas e vendedores as vendas devem melhorar, mas, com a retirada das barracas abarrotadas de mercadorias, as lojas passaram a ser alvo de furtos. Segundo os lojistas, os camelôs faziam uma espécie de blindagem aos furtos de mercadorias nas lojas. Por outro lado, os camelôs sentem-se mais seguros no novo local, mas temem pela queda nas vendas. Gestores da capital amazonense ressaltam as vantagens com a reorganização dos espaços públicos do centro histórico e com novas opções de compras com segurança.
De acordo com o lojista, Samuel Alecrim, as lojas ficaram mais suscetíveis aos assaltos relâmpagos. “Nesse momento de mudanças no centro comercial precisamos de mais segurança”, alertou. Contudo o empresário diz preferir a frente das lojas livres das barracas dos camelôs. “Agora a visão está livre para os clientes visitarem as lojas, já que investimos muito nas vitrines”, disse.
Na opinião da vendedora Rafaela Paes, a cidade ficou mais limpa, mas a preocupação com os assaltos relâmpagos aumentou. “A vista ficou melhor, mas o assalto já começou aqui”, denunciou. Ela relatou que no primeiro dia sem os camelôs a loja vizinha foi assaltada. “Os camelôs nos ajudavam. Agora a loja ficou meio que desprotegida. Mas, por um lado a cidade ficou mais limpa. Espero que fique melhor, só tem que ter mais segurança”, alertou.
Outra questão abordada pelos ambulantes vendedores de lanches reside no tratamento dado de forma igualitária, como se todos fossem classificados como camelôs, mas que para alguns, os donos de lanches estão mais organizados, pagavam pela energia consumida no local e possuíam autorização da prefeitura de Manaus.
Maria da Conceição Costa é dona de um lanche retirado da Praça da Matriz, ela acredita que as mudanças sejam pra melhor, mas ainda precisa melhorar a infraestrutura do local mesmo sendo provisório. “Como os lanches estão muito próximos um dos outros vai haver concorrência muito grande. Mas nós temos que trabalhar com qualidade, com bom atendimento. Aqui nós não temos água, nem luz, ainda, o prefeito prometeu que vai providenciar, mas nós estamos sem trabalhar desde sexta-feira (21), são quatro dias sem vender, e nem todo mundo tem renda para segurar tudo isso”, relatou.
Segundo o fotógrafo ambulante, Jorge Lima este é um período breve de adaptação para quem deseja trabalhar. “Nós vamos correr atrás para que essa adaptação seja o mais breve possível e com a divulgação da mídia vamos ter essa força para desenvolver nosso trabalho”, disse.
Para a vendedora ambulante Rose Batista, a expectativa é para que as vendas no local provisório sejam o suficiente para sustentar as famílias dos camelôs. “Nesse momento sem pegar chuva e sol é ótimo, a expectativa é a melhor possível, onde há vida, há esperança”, agradeceu.
A Prefeitura de Manaus e os 650 camelôs que ocupavam as avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro e a Praça da Matriz, uniram esforços e bom senso, durante a realocação realizada no final de semana. A retirada dos vendedores das principais ruas para as três galerias provisórias nas ruas Epaminondas, Floriano Peixoto e Miranda Leão é fruto de acordo e só foi possível graças à adesão total dos trabalhadores ambulantes do centro da cidade.
“Eu sempre disse que a solução tinha que ser boa pra cidade, fundamentalmente, mas também boa para os camelôs. Estamos oferecendo capacitação, financiamento com juros menores e pra começar a ser pago daqui a 7,5 anos e se isso tudo está acontecendo é porque os camelôs entenderam as mudanças pela qual a cidade tem que passar. Sem eles, nada teria dado certo. Eles estão de parabéns”, declarou o prefeito Arthur Neto, que acompanhou todo o processo de transferência, na noite de sexta-feira e neste domingo (23).
Realocação expõe falta de segurança
Em: 25 de fevereiro de 2014
Barracas funcionavam como barreira à ação de ladrões, lojas registram aumento de furtos
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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