Receita e salários nas empresas crescem em sete anos, diz IBGE

Em: 27 de junho de 2019
De 2008, receita do comércio amazonense subiu 90,09%, mas o Estado caiu para 19º no cenário nacional
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De 2008, receita do comércio amazonense subiu 90,09%, mas o Estado caiu para 19º no cenário nacional

A receita bruta (+90,1%) e salários e retiradas (+161,9%) das empresas comerciais do Amazonas subiram exponencialmente entre 2008 e 2017. Mas, o número de trabalhadores cresceu com menos intensidade (+24,04%), assim como o número de estabelecimentos do setor (+16,3%). A informação está na PAC (Pesquisa Anual do Comércio), divulgada nesta quinta (27), pelo IBGE.

Em 2008, a receita bruta das atividades comerciais no Brasil foi de cerca de R$ 1,5 trilhão. A receita bruta de revenda e de comissões sobre vendas do setor de comércio da região Norte totalizou R$ 54,3 bilhões – 3,46% do total. Em 2017, o valor nacional já havia subido para R$ 3,7 trilhões (+150%). A receita bruta de revenda e de comissões sobre vendas do setor na região Norte subiu no mesmo ritmo (+149,72%) e alcançou R$ 135,6 bilhões – 3,7% do nacional.
Em 2008, a receita bruta das atividades comerciais do Amazonas contabilizou R$ 18,27 bilhões, levando o Estado à 17ª posição no ranking nacional. O maior número veio de São Paulo (R$ 519,33 bilhões e 33,12% do total), e o menor ficou em Roraima (R$ 1,68 milhão e 0,11%).

Nove anos depois, a receita do comércio amazonense já havia subido 90,09% e chegado a R$ 34,73 milhões, mas o Estado perdeu posições e caiu para 19º no cenário nacional. São Paulo (+121,44%) segurou o primeiro lugar, com R$ 1,15 bilhão e Roraima se manteve em último, com R$ 5,05 milhões, apesar do crescimento superior a 200%.

Atacado e varejo
O comércio atacadista amazonense teve, em 2017, uma receita bruta de R$ 16,23 bilhões. Isso representou maior participação na receita de venda do comércio do Estado em relação a outros segmentos comerciais, como o varejo e a venda de veículos, peças e motocicletas. 

Apesar de contar com número de estabelecimentos significativamente superior (7.124) aos demais grupos de atividades do setor, o comércio varejista alcançou receita bruta ligeiramente menor (R$ 15,37 bilhões) do que o atacado – que contou 1.391 unidades. A divisão de veículos, peças e motocicletas totalizou 620 lojas e R$ 3,14 bilhões em receita.

Em relação ao pessoal ocupado, houve incremento de 24,4%, de 68.922 (208) para 85.491 (2017). O varejo foi a atividade que mais empregou no Amazonas em 2017: 57.937 pessoas. Os salários, retiradas e outras remunerações (perto de R$ 1,10 bilhão) desse grupo também foi maior. O atacado manteve 21.089 trabalhadores, com remuneração total de R$ 560,60 milhões. Já o comércio de veículos, peças e motocicletas manteve 6.465 pessoas na ativa, totalizando R$ 172,61 milhões.

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, salientou que, embora o crescimento da receita e dos salários tenha sido “bem significativo”, o mesmo não ocorreu com a quantidade de pessoal ocupado e de unidades locais. 

Mesmo que nesses dez anos esteja incluída a melhor fase econômica do Brasil, isso não se refletiu para esses dois recortes. O que se conclui é que o crescimento na receita ocorreu sem que o comércio fizesse investimento em novas instalações e em contratação de mão de obra”, analisou.

Mais com menos
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, destacou que o período analisado pelo IBGE inclui anos de boom econômicos, seguidos de uma crise profunda e uma recuperação fraca. Diante desse panorama, prossegue o dirigente, o setor se viu obrigado a fazer mais com menos.

“Na média, crescemos, apesar dos anos terríveis de 2014, 2015 e 2016. Depois da crise, todo mundo ficou segurando e teve de racionalizar os gastos para continuar trabalhando. E teve a questão do aumento das vendas pela internet, que também inibiu contratações e abertura de novos negócios. Mas, creio que a situação está melhorando, embora devagar”, ponderou.

Nichos específicos
O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, concorda e lembra que recente pesquisa do SPC Brasil mostrou que mais de 80% dos consumidores brasileiros fazem compras pela internet, em especial por smartphones. Na avaliação do dirigente, os números do IBGE refletem a crise na qual a economia entrou e tem dificuldade de sair, bem como uma mudança nos hábitos do consumidor.

“O crescimento das empresas físicas é inibido pelo surgimento de suas similares digitais. Isso nós vamos ver tanto no Amazonas, quanto no resto do Brasil e do mundo. Acreditamos que essa é uma tendência irreversível e que outros negócios aparecerão, focando em nichos específicos. Quem se especializar em algum produto ou serviço é que vai ficar no mercado”, encerrou. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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