Renúncia de líder do prefeito mostra cenário conturbado para eleição na CMM

Em: 21 de novembro de 2022

A pendenga em torno da proposta de reeleição da presidência da CMM (Câmara Municipal de Manaus) causa mais uma baixa na bancada de apoio ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

Insatisfeito com a proposta do colega David Reis (Avante) de promover mudanças na Loman (Lei Orgânica do Município de Manaus) para tentar disputar novamente o cargo, o vereador Marcelo Serafim (PSB) renunciou, ontem, à liderança do governo na CMM. Ele disse que não poderá continuar liderando uma bancada dividida, algo que vai contra os seus princípios.

E, da tribuna, manifestou a sua indignação. “Essa Câmara precisa se unir, precisa ser madura nas decisões que vai tomar, num momento em que eu vejo de forma clara uma divisão. As coisas não poderiam ter chegado onde chegaram”, disse, sem citar especificamente a escolha do novo presidente da Casa.

As próximas eleições para a Mesa Diretora devem acontecer até janeiro. A sugestão de David Reis é considerada uma manobra para ele continuar comandando a CMM por mais dois anos. O movimento pró e contra a iniciativa da atual presidência está praticamente dividido.

Recentemente, o prefeito David Almeida convocou uma reunião de emergência convocando seus aliados para tentar apagar o incêndio. No entanto, o encontro parece não ter sido suficiente para controlar o impasse.

Para voltar a se candidatar em um mesmo mandato, Reis terá que mudar a legislação, algo que encontra muita resistência entre os parlamentares da base aliada. Porém, o atual presidente continua manobrando nos bastidores para tentar levar adiante a sua proposta, causando um racha na base de apoio ao prefeito.

Serafim fez questão de demonstrar que é contra as mudanças nas regras da Lomam. “Isso está decidido, não terá alteração conforme havia avisado ao prefeito”, afirmou o ex-líder de David Almeida.

A eleição para o próximo presidente da Câmara e demais cargos está prevista para acontecer na última sessão deste ano, em 21 de dezembro. Porém, se houver antecipações de reuniões, essa data pode mudar.

Segundo fontes consultadas, Reis faz intensas manobras para mudar as normas da eleição e apresentar, com apoio de membros da bancada do prefeito, emenda à Lei Orgânica permitindo a reeleição dentro do mesmo mandato.

Decisão

Na quinta-feira (17), Marcelo Serafim disse que comunicou a renúncia ao prefeito. E justificou a sua decisão. “Na vida existe tempo para tudo. Há tempo de plantio, tempo de colheita, tempo de emergir, tempo de submergir”, disse ao anunciar na tribuna da Câmara que não será mais líder do Executivo.

Marcelo Serafim acrescentou. “Respeito o prefeito David, ajudarei no que for preciso, na votação do Orçamento, mas eu tenho a mais absoluta certeza que o prefeito David Almeida vai encontrar um nome que possa fazer um trabalho muito melhor que eu fiz. Que possa dar atenção à base. Que possa ser líder de fato. Hoje eu não tenho nenhuma condição de continuar na liderança”, disse. “Cumpri o meu dever ao longo desses dois anos sendo leal aos meus pares, à base e aos adversários. Absolutamente ninguém tem o direito ou tem autoridade para diminuir o poder legislativo. A gente chega em um momento da vida que tem que tomar posições, entender o jogo, aprender a jogar o jogo”.

O vereador Peixoto (Pros) é um dos parlamentares da Câmara contrários à reeleição de Reis. “Desde quando começou a se especular uma possível tentativa de mudança no regimento interno para a possível reeleição do atual presidente David Reis, me posicionei contra”, revelou. Ele ressalta que acredita na alternância do poder e na pluralidade para o exercício da democracia.

E acrescenta. “A tentativa de qualquer manobra que venha propor a permanência do presidente da CMM vai contra os ideais de democracia. Este posicionamento é impessoal, ou seja, qualquer pessoa que assuma a presidência e que porventura venha tentar ficar sucessivamente no cargo, eu seria totalmente contra”, argumentou Peixoto.

O vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) também se pronunciou. E admite até se candidatar à presidência como uma forma de protesto à tática de David Reis em alterar as regras da Loman. “A Câmara precisa mudar. Deve estar mais conectada com a população, e ainda ter práticas diferentes”, defende. “Precisamos de um poder legislativo mais transparente em que a população se sinta parte ou representada ali pelo poder legislativo. A população está fora das discussões”, ressaltou.

Ontem, o vereador Sassá da Construção Civil (PT) anunciou que concorrerá à presidência da CMM. O anúncio foi feito durante a sessão plenária dessa segunda-feira  (21).  Segundo o parlamentar, como há todo um suspense em torno da eleição para a Mesa Diretora, ele se lança candidato para mostrar sua independência.

“Qualquer um de nós pode ser candidato. Mas muitos só fazem aquilo que o partido determina. No meu caso, eu prefiro agir com independência. No meu mandato só quem manda é o povo que me elegeu. Portanto, como não tenho rabo preso com ninguém, vou disputar a presidência da Câmara”, concluiu o parlamentar.

A vereadora Yomara Lins (PRTB) é outra parlamentar que deve se candidatar à presidência da Câmara nas próximas eleições.

Por MARCELO PERES 

Marcelo Peres

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