O saldo total de depósitos na caderneta de poupança da CEF (Caixa Econômica Federal) no Amazonas superou a faixa dos R$ 808 milhões em janeiro deste ano. O valor é 34,3% maior que o montante registrado no mesmo período do ano passado, quando a agência marcava R$ 602 milhões. O percentual de crescimento acima da média nacional, cuja alta foi de 21,1%, é explicado, segundo especialistas, pela desconfiança dos clientes quanto às oscilações do mercado internacional, com a crise econômica mundial.
Para o economista Marcelo Valente, a queda no processo de produção das fábricas do PIM (Polo Industrial de Manaus) e nas vendas nos últimos meses do ano passado, e a consequente redução do quadro funcional das unidades fabris fizeram com que os trabalhadores ficassem mais “cautelosos” quanto à instabilidade do mercado.
“As demissões em dezembro de 2008 ou mesmo as férias coletivas geraram incertezas nos trabalhadores quanto à continuidade das atividades laborais. Em função disso, muita gente resolveu aplicar recursos num fundo de investimento seguro, como a poupança”, argumentou o economista, acrescentando que os clientes se utilizaram dos valores do 13º salário e indenizações nesse primeiro trimestre de ano para poupar.
A segurança da poupança em relação outros tipos de investimento influenciou também na migração de investidores para a tradicional caderneta, acrescentou o economista e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Rodemarck Castello Branco. “As pessoas que tinham recursos em fundos de renda de maior risco, a exemplo do fundo de renda fixa e das ações, acabaram mudando para a poupança por conta do crescimento dela mesmo nos períodos de crise financeira, de instabilidade”, afirmou.
Migração para a poupança
A explicação é simples: “A poupança é a única garantida pelo governo”, disse o especialista, ao acrescentar que, num período de incertezas, esse tipo de investimento é sempre mais procurado por quem deseja acumular recursos. Prova disso é que só a captação líquida da caderneta da Caixa no Amazonas foi de R$ 32,3 milhões, conforme dados da instituição, repassados ao Jornal do Commercio. Até o fim do ano passado, o market share da agência no Estado era de 47,76%.
Mercado brasileiro
Números da CEF em nível nacional apontam que a captação líquida positiva foi de R$ 641 milhões. O desempenho da instituição é destaque frente ao resultado obtido pelo mercado, cuja captação líquida total foi negativa, no montante de R$ 489 milhões. Só no primeiro mês deste ano, o banco alcançou um saldo total de depósitos de R$ 93,4 bilhões –alta de 21,1% ante o mesmo período do ano passado. O bom resultado da instituição garantiu uma participação de mercado de 34,39%, o que significa um aumento de 1,9 pontos percentuais em relação a janeiro de 2008.
A Caixa tem hoje 37 milhões de contas poupanças ativas. Somente entre janeiro de 2008 e janeiro de 2009, 4,4 milhões de contas foram abertas, numa média de 300 mil novas cadernetas por mês. Segundo o vice-presidente de Pessoa Física da instituição, Fábio Lenza, o que torna a poupança atrativa, além da tradição e segurança, é a ausência de tributação sobre os rendimentos. “A forte tendência de queda da Taxa Básica de Juros favorece o produto, pois torna a rentabilidade mais competitiva quando comparada a outros investimentos”, disse o dirigente.
A poupança é muito procurada também pela facilidade de acesso. Ela é isenta de tarifa de abertura e manutenção, não possui valor mínimo para sua abertura, são aceitos depósitos em qualquer dia do mês e não há incidência de Imposto de Renda. “Frente à tradição e facilidade para aplicar, a expectativa é que a poupança da Caixa continue apresentando bom resultado, especialmente por ser um produto não vulnerável às oscilações de mercado”, destacou Lenza.
Fonte para habitação
A poupança, além de ser uma aplicação acessível a qualquer pessoa e porto seguro para quem diversifica seus investimentos, é uma importante fonte de recursos para habitação no país. Somente no primeiro mês de 2009, a Caixa emprestou R$ 1,07 bilhão, dentro da modalidade Carta de Crédito SBPE, que opera com recursos da carteira. O montante foi o suficiente para atender mais de 28 mil famílias.







