Seca dita política de preços nas feiras ligando alerta sobre custo dos produtos regionais

Em: 20 de outubro de 2022

Andreia Leite

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O processo de estiagem no Amazonas, tem causado flutuação de preços de produtos como frutas,  legumes, verduras, e hortaliças nas feiras da capital. Segundo o  Sindicato dos Feirantes de Manaus, os valores sofrem variação constante influenciados pelas ocorrências dos fenômenos naturais, além do desabastecimento ocasionados pela limitação da navegabilidade de grandes navios nas calhas dos rios tornando o frete mais caro. 

As ocorrências de chuvas, seguidas de enchentes, em algumas regiões do país, já impactam nos valores de itens da cesta básica como a cebola, batata, alho e tomate.“A saca com o quilo de todos esses produtos aumentou. A cebola e a batata hoje custam  R$ 150. O alho R$ 200 e o tomate R$ 140”, informou o proprietário do Atacadão Reis Ltda, Sérgio Reis, que também faz parte da comunidade de feirantes de Manaus.  O quilo do tomate, antes repassado para o consumidor por R$ 5 e R$ 6. 

O acesso logístico  se torna mais difícil, isso impacta o custo dos produtos e a margem de rentabilidade. Os aumentos no tempo do percurso e nos custos operacionais das embarcações tendem a elevar os preços das mercadorias. “Enquanto outros estados a logística é rápida, para o Amazonas o prazo para a chegada das mercadorias também afetam a chegada dos produtos que precisam vir de outros estados”, citou. Segundo Reis, os preços variam muito, praticamente a cada carga recebida temos representa novos valores.

O presidente do Sindicato dos Feirantes de Manaus e da Feira Manaus Moderna, Davi Lima, reiterou que o transporte por meio aéreo também encarece o produto. Com a seca dos rios, por balsa, as cargas demoram para chegar a Manaus”, comentou.

O segmento não soube informar o percentual de aumento em determinados produtos que já está sendo repassado ao consumidor final, mas informou que vai depender da oferta. “A oferta e a procura influenciam o mercado, principalmente de mercadorias que precisam ser comercializadas em razão do prazo para o consumo. É o caso da cebola e da batata que são perecíveis e não tem como precificar um percentual. Tanto pode aumentar mais quanto ter queda nos custos. Depende da ocasião e da disponibilidade do produto no mercado”.

Todos os anos, o processo de vazante no Estado impactam a produção agrícola e a navegabilidade. Dificuldades de irrigação, logística e até a pesca, têm sido os principais desafios. 

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, detalhou que se trata de um período que dificulta muito a atividade rural. “Nós temos históricos onde as distâncias nessa época do ano, já encontraram-se num patamar significativo. 

Com o comportamento da descida das águas em processo acelerado, a seca dos rios no Amazonas este ano, afetam todas as 62 cidades do Estado. A informação faz parte do segundo relatório de estiagem de 2022 divulgado pela Defesa Civil do estado, divulgado nesta terça-feira (18). Ao menos dois dos municípios estão em situação de emergência.

De acordo com o relatório, 19 municípios estão em situação de atenção. Outras 41 cidades estão em estado de alerta, além dos municípios de Tefé e Benjamin Constant, que entraram em situação de emergência.

Além do isolamento das comunidades rurais dificulta o escoamento  do produtor dificultando a logística. Há aumento ainda do percurso no transporte de produtos até a sede de alguns municípios.  Os dois braços de rios estão secos, com isso leva-se muito mais tempo, o que gera maior custo no gasto.

Fomento

A ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável) oferecerá proposta de microcrédito para feirantes e produtores rurais e doação de aves e sementes de hortaliças. A ADS anunciou que comprará a produção de agricultores com dificuldades de comercialização e com risco de perda dos alimentos. O produtor receberá R$ 850 em caso de perda comprovada de pelo menos 50% da produção.

A Afeam (Agência de Fomento) vai oferecer novas linhas de créditos. A Afeam vai suspender a cobrança por 90 dias e renegociar débitos de microempreendedores, produtores e feirantes de 16 cidades.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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