O levantamento mais recente da ANP apontou para uma alta semanal de 1,47% no preço da gasolina comum, nos postos de gasolina de Norte a Sul do país. Foi a primeira vez em que o valor do combustível ficou mais caro, depois de 15 semanas seguidas de baixa, em sintonia com as políticas federais de incentivo ao consumo. Conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o consumidor brasileiro pagou, em média, R$ 4,86 por litro, entre 9 e 15 de outubro – contra R$ 4,79, na semana anterior.
Pela segunda vez consecutiva, os postos brasileiros também subiram os preços do etanol hidratado, que passou de R$ 3,39 para R$ 3,46, na mesma comparação de períodos, uma diferença de 2,08%. A sondagem semanal da ANP apontou ainda uma alta de 0,33% no preço do gás de cozinha. O botijão de 13 quilos tem sido vendido, em média a R$ 110,99. Já o diesel se manteve estável, sendo comercializado a R$ 6,51 na semana passada, R$ 0,01 abaixo do último levantamento.
No Amazonas, os números da agência reguladora confirmaram elevação de preços apenas para a gasolina aditivada. O acréscimo foi de 1,74%, elevando o valor médio cobrado nas bombas do Estado de R$ 5,18 para R$ 5,27, entre uma semana e outra. Em contraste, os preços médios da gasolina comum (R$ 5,14), etanol (R$ 3,98) diesel comum (R$ 6,59), diesel S10 (R$ 6,65), GLP (R$ 113,33) e GNV (R$ 3,99) permaneceram estatisticamente estáveis, no período analisado. Lideranças do comércio ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio que os postos já estão pagando mais caro às distribuidoras pelos demais combustíveis e devem efetuar os repasses nos próximos dias.
Estoques e repasses
Segundo o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, os proprietários de postos de combustíveis do Amazonas já perceberam alta nos preços médios, na sexta (14). “A gasolina teve reajuste de R$ 0,03, mas essa diferença não foi repassada. O diesel aumentou R$ 0,15, e esse valor deve ser reajustado gradativamente, conforme os estoques forem acabando e novos pedidos forem sendo feitos. O etanol deve ter um ajuste médio de R$ 0,11 [nas distribuidoras]. Alguns empresários devem fazer esse repasse gradativamente também o processo dos preços, de acordo com seus estoques”, informou.
A redução do preço dos combustíveis, mediante desonerações de tributos federais, imposição de um teto para as alíquotas de ICMS nos Estados, e sucessivas trocas na gestão da Petrobras, vinha sendo anunciada pelo governo federal, e confirmada pelos empresários de diversos setores, como medida importante para sustentar o consumo, em tempos de inflação, juros, endividamento e desemprego em alta. O dirigente prefere não entrar em detalhes sobre os eventuais impactos do retorno do ciclo de altas de preços nos combustíveis sobre o consumo. Mas, reforça que o mercado é livre.
“Isso vai acontecer. Como estamos falando de commodities, esses valores podem subir ou descer, constantemente. Todo mundo quer, lógico, que os preços baixem. Mas, acho que o preço caiu até demais. O governo poderia ter reduzido um pouco menos, ficando com uma certa gordura para, quando tivesse um aumento das cotações no mercado internacional, pudesse ficar aguentando sem aumentos, até o final do ano. O bom é que tivemos um corte na carga de impostos. Isso, sim, valeu a pena”, ponderou.
Margens e consumo
O presidente da ACA (Associação Comercial do Estado do Amazonas), Jorge de Souza Lima, concorda que as desonerações tributárias haviam dado alento aos postos de combustíveis, diante de margens cada vez mais comprimidas pelos invitáveis repasses dos reajustes dos preços, e a consequente queda nas vendas. O dirigente reforça que o segmento ainda enfrenta dificuldades, mas descarta a hipótese de um novo tombo nos volumes comercializados nas bombas. Também avalia que a sazonalidade deve falar mais alto para evitar efeitos mais graves para o desempenho do varejo amazonense em geral, até dezembro.
“Você tem dificuldades para ganhar dinheiro com postos de gasolina, atualmente. É bom quando os preços baixam, porque você vende mais, e era isso que estava acontecendo, tanto que a arrecadação sobre os combustíveis subiu. Vejo que o governo não tinha como impor regras para segurar os preços. Acredito que esse aumento pode ter impactos políticos, nessa reta final do segundo turno. Mas, acho que os impactos econômicos devem ser limitados. Até porque esse reajuste não foi tão alto e não devemos ter aumentos tão seguidos, como acontecia antes”, arrematou.
Procurado pelo Jornal do Commercio, o Sindcombustíveis-AM (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Alcoois, e Gás Natural do Estado do Amazonas) não retornou as perguntas da reportagem até o fechamento desta edição.
Boxe ou coordenada: Reajuste não teria vindo da Petrobras
Matéria postada no site da Agência Brasil informa que o aumento detectado pela ANP ocorreu após nova alta da gasolina na Refinaria de Maritape, a maior do país e já sob controle do setor privado. A Acelen, empresa responsável pela operação, anunciou neste sábado (15), um reajuste de 2%. A empresa já havia corrigido os valores em 9,7%, sete dias antes e seus anúncios seguem a tendência das variações no mercado internacional. Houve queda significativa na cotação do barril de petróleo tipo brent, em setembro (US$ 82),mas a decisão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) de cortar a produção reposicionou o valor da commodity para US$ 90, neste mês.
Desde 2016, a Petrobras adota a PPI (Política de Preços de Paridade de Importação), que vincula os preços praticados no país aos que são praticados no mercado internacional. A Petrobras, no entanto, não anuncia mudanças nos preços de suas refinarias há mais de um mês. A última alteração foi uma redução de 7%, anunciada no início de setembro. Segundo cálculo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), o valor médio da gasolina nas refinarias do país está defasado em R$ 0,30 por litro, ou 8%.
Reportagem: Marco Dassori
Twitter: @marco.dassori







