SELIC

Em: 16 de janeiro de 2014
Novo aumento prejudicará comércio – Tendência de alta dos juros ao longo do ano freia expectativas do setor
https://www.jcam.com.br/2014_FotoA_1601.jpg
Novo aumento prejudicará comércio - Tendência de alta dos juros ao longo do ano freia expectativas do setor

Pressionado pelo nível acima do esperado da inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central elevou a taxa básica de juros, a Selic para 10,5%. Em 2013 o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) encerrou o ano com alta de 5,91%, acima do esperado e a medida é vista como forma de conter a inflação. No entanto economistas e representantes do comércio do Estado avaliam que medida deve afetar as vendas, sobretudo de artigos de bens duráveis.
Os aumentos na taxa Selic vêm sendo uma medida adotada pelo governo desde abril do ano passado, como forma de conter a inflação que começou a crescer no país. Na época a taxa subiu de 7% para 7,5%. De lá para cá os juros vêm aumentando a cada reunião do Copom. Para o assessor de economia da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, as medidas fazem parte da política econômica do governo para ajustar o caixa mas acabará retraindo as vendas e prejudicando a atividade econômica. “Aumentará o endividamento da população o que tem repercussão direta no comércio. Principalmente nos artigos de bens duráveis que demandam crédito. E isso é extremamente negativo”
No entanto, o economista que reconhece que apesar da expectativa preocupante que a medida cria ela tem servido para manter a inflação dentro de um patamar aceitável. “O Banco Central Americano introduzindo muito dólar na economia. Isso quer dizer que o dólar vai sofrer um reajuste natural e vai ficar mais caro, o que será mais um agravante. É uma expectativa preocupante. No entanto, o governo tem que adotar as medidas para fechar as contas e combater a inflação, aumentando as taxas de juros e freando o consumo. Graças a essas medidas tem segurado a inflação sobre controle”.
A medida torna mais barata a compra à vista, mas aumenta o valor das compras feitas a partir do crédito. Para o presidente da FCDL (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas), Ezra Benzion Manoa, a medida mais prejudica do que ajuda. “Não tem muito mistério, quanto mais aumenta mais diminui o consumo. Aumenta às compras a vista, mas nem todo mundo consegue comprar a vista. De um modo geral ele impacta negativamente nessas vendas. Não temos muito a fazer, só tentar algumas promoções mas as pessoas que compram a prazo serão penalizadas”, lamenta.
Para Ezra o governo deveria adotar outros mecanismos para tentar frear a inflação. “Uma delas poderia ser a diminuição dos gastos públicos. Ele prejudica quem quer produzir que precisa de financiamento em detrimento do caixa de conseguir diminuir o custo operacional da máquina que está inchada”. No entanto, afirma que apesar da tendência de mais elevações na taxa ao longo do ano a expectativa para o comércio em 2014 ainda se mantém positiva em virtude dos eventos que ocorrem no ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar