Sem estrutura, PIM deve perder US$ 12 bi da Foxconn

Em: 14 de outubro de 2011
A deficiência estrutural deve novamente ser o ‘vilão’ do PIM que pode perder até US$ 12 bilhões em investimentos da Foxconn, afirmam representantes do setor industrial no Amazonas
A deficiência estrutural deve novamente ser o ‘vilão’ do PIM que pode perder até US$ 12 bilhões em investimentos da Foxconn, afirmam representantes do setor industrial no Amazonas

A deficiência estrutural deve novamente ser o ‘vilão’ do PIM que pode perder até US$ 12 bilhões em investimentos da Foxconn, afirmam representantes do setor industrial no Amazonas.
A empresa taiwanesa anunciou ontem, em reunião com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que pretende instalar duas fábricas no país para a produção de displays – telas sensíveis ao toque – para os tablets já fabricados por ela. Seis Estados, não revelados, estariam na disputa pela instalação da planta industrial e exigências como energia abundante, logística favorável, qualificação profissional, um aeroporto internacional que atenda a demanda e capacidade de engenharia para a tecnologia necessária, seriam alguns dos pré-requisitos impostos para a escolha.
Para as entidades, ouvidas pelo Jornal do Commercio, é pouco provável que o Amazonas, caso se confirme como um dos Estados concorrentes, tenha sucesso na disputa.
“Não é que seja pouco provável, acredito que é improvável que a fabricante escolha o Amazonas para se instalar. Não existem razões logísticas para isso”, opinou o economista José Alberto Machado.
Segundo ele, se os fabricantes pesarem a logística, escolherão a Região Nordeste e se priorizarem o aspecto tecnológico optarão por São Paulo, uma vez que já existe uma estrutura sendo montada na cidade de Jundiaí.
“Os investidores querem um aeroporto funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana, com espaço de sobra para armazenamento em um local com energia abundante. Não acho que nos enquadramos nesse perfil, infelizmente”, lamentou.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco também aponta a deficiência aeroportuária como um grave problema. “Uma das principais exigências da Foxconn é o lugar ter um aeroporto internacional. Isso nós temos, mas os gargalos que enfrentamos com ele dificultam esse tipo de operação. A estrutura aeroportuária tem que ser repensada de um modo geral, não só quando corremos o risco de perder investimentos”, criticou.
O consultor empresarial e ex-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Nipo-brasileira no Estado do Amazonas, Teruaki Yamagishi, lembra que apesar de os incentivos oferecidos pela ZFM ainda serem os mais vantajosos, o investidor já observa outros aspectos ao decidir onde vai produzir. “Antes quando uma empresa de qualquer segmento pensava em instalar fábrica no Brasil, nem se pensava duas vezes porque a Zona Franca era a escolha certa. Se a Foxconn, assim como outras fabricantes, começam a pensar em outros Estados logo de início, é porque não temos mais tanta preferência assim, o que mostra que nossos problemas estruturais estão pesando no bolso do PIM”, analisou.
Para ele, antes dos incentivos, a infraestrutura já se configura como condição primordial para captação de investimentos. “E esse é justamente o nosso ponto mais fraco, por isso não acredito que esses US$ 12 bilhões serão investidos aqui”, especulou
Sem revelar se o Amazonas já é um dos Estados concorrentes, o coordenador-geral de Acompanhamento de Projetos Industriais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Gustavo Igrejas, afirmou que o interesse do Amazonas em participar da disputa é real. “Qualquer investimento que traga novas tecnologias e gere empregos na região interessa ao Polo Industrial de Manaus. A produção das telas sensíveis ao toque também seria estratégica visando à geração de empregos e ao abastecimento de fabricantes instaladas em outras regiões do país”, explanou.
Conforme informou, a Suframa não descarta, de forma alguma, a possibilidade de instalação das fábricas no parque industrial. “As dificuldades com relação à logística, infraestrutura e mão de obra existem, mas se empresas como essas estão instaladas em Manaus, é porque o PIM oferece vantagens comparativas superiores a outras regiões e conta com um ambiente favorável para o estabelecimento de bons negócios”, defendeu.
Com relação à infraestrutura aeroportuária, Gustavo Igrejas disse que o Teca (Terminal de Cargas) do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é o terceiro maior do Brasil, com uma capacidade de armazenagem estimada em 12 mil toneladas por mês, e deve ser ampliado nos próximos anos, seguindo planejamento do governo federal.

“Lei do Bem”

A guerra fiscal é um complicador a mais, de acordo com o presidente da Aficam (Associação dos fabricantes de Componentes da Amazônia), Cristóvão Marques.
“A briga pela concessão de incentivos nos prejudica muito, afinal os outros Estados podem oferecer o que quiserem e aos poucos vamos perdendo nossas vantagens nessa área. O governo do Estado e a bancada amazonense têm que ir à luta para resolver essa questão, senão vamos ser ainda mais prejudicados, escpecilamente no caso dos tablets”, afirmou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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