A deficiência estrutural deve novamente ser o ‘vilão’ do PIM que pode perder até US$ 12 bilhões em investimentos da Foxconn, afirmam representantes do setor industrial no Amazonas.
A empresa taiwanesa anunciou ontem, em reunião com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que pretende instalar duas fábricas no país para a produção de displays – telas sensíveis ao toque – para os tablets já fabricados por ela. Seis Estados, não revelados, estariam na disputa pela instalação da planta industrial e exigências como energia abundante, logística favorável, qualificação profissional, um aeroporto internacional que atenda a demanda e capacidade de engenharia para a tecnologia necessária, seriam alguns dos pré-requisitos impostos para a escolha.
Para as entidades, ouvidas pelo Jornal do Commercio, é pouco provável que o Amazonas, caso se confirme como um dos Estados concorrentes, tenha sucesso na disputa.
“Não é que seja pouco provável, acredito que é improvável que a fabricante escolha o Amazonas para se instalar. Não existem razões logísticas para isso”, opinou o economista José Alberto Machado.
Segundo ele, se os fabricantes pesarem a logística, escolherão a Região Nordeste e se priorizarem o aspecto tecnológico optarão por São Paulo, uma vez que já existe uma estrutura sendo montada na cidade de Jundiaí.
“Os investidores querem um aeroporto funcionando 24 horas por dia, 7 dias por semana, com espaço de sobra para armazenamento em um local com energia abundante. Não acho que nos enquadramos nesse perfil, infelizmente”, lamentou.
O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco também aponta a deficiência aeroportuária como um grave problema. “Uma das principais exigências da Foxconn é o lugar ter um aeroporto internacional. Isso nós temos, mas os gargalos que enfrentamos com ele dificultam esse tipo de operação. A estrutura aeroportuária tem que ser repensada de um modo geral, não só quando corremos o risco de perder investimentos”, criticou.
O consultor empresarial e ex-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Nipo-brasileira no Estado do Amazonas, Teruaki Yamagishi, lembra que apesar de os incentivos oferecidos pela ZFM ainda serem os mais vantajosos, o investidor já observa outros aspectos ao decidir onde vai produzir. “Antes quando uma empresa de qualquer segmento pensava em instalar fábrica no Brasil, nem se pensava duas vezes porque a Zona Franca era a escolha certa. Se a Foxconn, assim como outras fabricantes, começam a pensar em outros Estados logo de início, é porque não temos mais tanta preferência assim, o que mostra que nossos problemas estruturais estão pesando no bolso do PIM”, analisou.
Para ele, antes dos incentivos, a infraestrutura já se configura como condição primordial para captação de investimentos. “E esse é justamente o nosso ponto mais fraco, por isso não acredito que esses US$ 12 bilhões serão investidos aqui”, especulou
Sem revelar se o Amazonas já é um dos Estados concorrentes, o coordenador-geral de Acompanhamento de Projetos Industriais da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Gustavo Igrejas, afirmou que o interesse do Amazonas em participar da disputa é real. “Qualquer investimento que traga novas tecnologias e gere empregos na região interessa ao Polo Industrial de Manaus. A produção das telas sensíveis ao toque também seria estratégica visando à geração de empregos e ao abastecimento de fabricantes instaladas em outras regiões do país”, explanou.
Conforme informou, a Suframa não descarta, de forma alguma, a possibilidade de instalação das fábricas no parque industrial. “As dificuldades com relação à logística, infraestrutura e mão de obra existem, mas se empresas como essas estão instaladas em Manaus, é porque o PIM oferece vantagens comparativas superiores a outras regiões e conta com um ambiente favorável para o estabelecimento de bons negócios”, defendeu.
Com relação à infraestrutura aeroportuária, Gustavo Igrejas disse que o Teca (Terminal de Cargas) do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes é o terceiro maior do Brasil, com uma capacidade de armazenagem estimada em 12 mil toneladas por mês, e deve ser ampliado nos próximos anos, seguindo planejamento do governo federal.
“Lei do Bem”
A guerra fiscal é um complicador a mais, de acordo com o presidente da Aficam (Associação dos fabricantes de Componentes da Amazônia), Cristóvão Marques.
“A briga pela concessão de incentivos nos prejudica muito, afinal os outros Estados podem oferecer o que quiserem e aos poucos vamos perdendo nossas vantagens nessa área. O governo do Estado e a bancada amazonense têm que ir à luta para resolver essa questão, senão vamos ser ainda mais prejudicados, escpecilamente no caso dos tablets”, afirmou.







