O setor editorial e gráfico do Amazonas está carente de mão-de-obra qualificada para acompanhar o crescimento do setor, informou o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas de Manaus, Roberto de Lima Caminha Filho.
De acordo com dados divulgados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), nos oito primeiros meses deste ano as empresas editoriais e gráficas instaladas no PIM (Pólo Industrial de Manaus), empregaram 680 trabalhadores com salários que vão de R$ 550 à R$ 4 mil, enquanto o ano de 2007 terminou com 857 trabalhadores empregados.
Segundo o presidente do sindicato das indústrias do segmento, a falta qualificação é um dos principais entraves enfrentados pelas indústrias do setor, pois não há trabalhadores capacitados o suficiente para atender o mercado local.
“Para contornar a escassez de trabalhadores, treinamento e cursos profissionalizantes são fundamentais, e em parceria com entidades como Sebrae-AM (Serviço de Apoio às Pequenas e Médias empresas do Amazonas) e Fieam (Federação da Indústrias do Estado do Amazonas), já pudemos realizar alguns cursos e até o fim do ano um novo curso profissionalizante deverá ser realizado”, disse Roberto Lima filho.
O mercado editorial e gráfico está dividido nos setores industrial, comercial, editorial, promocional, embalagens, etiquetas, formulários contínuos e prestação de serviços, este último gerado por casos especializados sendo classificados como profissional autônomo.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias gráficas de Manaus, Almir Pereira, concorda com Lima Filho, e também destacou a importância dos cursos para os trabalhadores do setor acompanharem os constantes desenvolvimentos das indústrias gráficas. “Com a evolução tecnológica, grande parte das máquinas utilizadas para os serviços gráficos precisam de profissionais qualificados para monitorarem os equipamentos atuais, e treinamentos de funcionários são fundamentais para o manuseio das máquinas”, acrescentou Almir Pereira, que destacou que a entidade de classe também planeja realizar novos cursos para reverter o quadro da falta de mão-de-obra qualificando novos profissionais e requalificando os trabalhadores que necessitam de aperfeiçoamentos profissionais.
Mesmo com a mão-de-obra em baixa, dados da Suframa apontaram ainda que as indústrias do setor obtiveram faturamento de US$ 27.8 milhões, receita 27,52% maior se comparada ao mesmo período do ano passado, quando as indústrias do setor faturaram US$ 21.8 milhões.
Para Roberto de Lima Caminha Filho incremento de faturamento poderia ser bem maior se grande parte das indústrias do PIM (Pólo Industrial de Manaus) e empresas dos demais segmentos econômicos utilizassem os serviços das gráficas locais. “Muitas indústrias utilizam os serviços das gráficas de outros Estados e até mesmo outros países, fato que contribui para o enfraquecimento do setor”, pontuou o executivo, que também atribuiu também a elevação do faturamento às eleições municipais impulsionaram a demanda por serviços gráficos.
Segmento possui processo produtivo básico
O diretor da gráfica Fama, Marcos Albuquerque, disse que o período eleitoral realmente foi um dos fatores que mais contribuíram para alavancar as atividades gráficas, mas disse que com as eleições encerradas, muitas empresas do ramo poderão sentir dificuldades de atuação e obterem retração no número de serviços executados.
Albuquerque informou ainda que já foi criado um PPB (Processo Produtivo Básico), para incentivar as atividades gráficas em Manaus, além de reforçar que a importação de materiais gráficos como embalagens e etiquetas, poderiam ser produzidas aqui mesmo. O executivo disse ainda que muitas gráficas, que atuavam na produção de NFs (Notas Fiscais) foram obrigadas a encerrar suas atividades após a implantação da NF eletrônica, o que também contribuiu para o enfraquecimento do setor.
De acordo com o presidente das indústrias gráficas, atualmente existem cerca de 200 gráficas filiadas ao sindicato.







