Na contramão da crise global, o polo relojoeiro de Manaus fechou 2008 com um faturamento 9% maior em relação ao ano anterior. No acumulado do ano as oito fabricantes do setor obtiveram a cifra de R$ 557,37 milhões ante aos R$ 511,01 milhões em 2007. A performance positiva foi decorrente das vendas de relógios de pulso que superaram o montante de 5,5 milhões de unidades, em sua maioria para o mercado nacional.
Levantamento do Sirom (Sindicato das Indústrias de Relojoaria e Ourivesaria de Manaus) apontam que, no ano passado, o setor produziu 6,29 milhões de unidades antes as 5,66 milhões do ano anterior, o que representa alta de 10%. A mão-de-obra também cresceu, somou um total de 1,41mil contra 1,32 mil em 2007, um acréscimo de 6,8%.
Até os investimentos das fabricantes do setor, como Technos, Séculos, Magno, Dumond, Metal Alloy (que atua com a marca Primex), Citzen e Oriente foram maiores em 2008 ao somarem R$ 73,29 milhões ante aos R$ 67,46 milhões desembolsados no ano anterior. Um acréscimo de 8,6% entre um período e o outro.
Ao comentar o resultado positivo do setor em 2008, o presidente do Sirom, Nelson Azevedo, disse que foi motivado pelo bom andamento da economia brasileira em vários aspectos. Do ponto de vista econômico, ele disse que houve diversos avanços, resultando no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), que é soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil em 5,24%. “Quando a economia do país cresce todos crescem nas devidas proporções”, avaliou, lembrando que o setor relojoeiro vinha se equilibrando desde 2007.
Entretanto, com o agravamento da crise nos países centrais, Azevedo apontou que diversos indicadores econômicos retrocederam entre o fim do ano passado e o início deste ano, o que está sendo um desafio para o empresariado. “Ninguém está imune a essa crise, uma oportunidade que se cria para as empresas usarem a criatividade para funcionar”, disse.
Conforme o dirigente, a expectativa é que a partir de abril surja novo horizonte e o mercado possa reagir nos níveis de 2008 como um todo, levando as empresas recuperarem os negócios perdidos. “São sete meses de muitas dificuldades”,assinalou.
Marcas falsas prejudicam polo
Vale destacar que o polo relojoeiro de Manaus já teve 14 empresas que ao longo dos anos foram fechando ou mudando de foco por conta da concorrência desleal com os importados, principalmente de Taiwan. A Taimex foi a última fabricante do setor a fechar as portas. Azevedo disse que o mercado brasileiro de relógio de pulso é superior a produção feita pelas fabricantes do PIM, que poderiam atender todo esse mercado se não fosse a ação dos falsificadores que burlam o fisco e findam vendendo produtos mais baratos ao consumidor final. “Para as empresas de relógios, CDs e DVDs -os produtos mais prejudicados com a pirataria- que trabalham na legalidade, importando matéria-prima, fabricando produtos de qualidade, é difícil concorrer em pé de igualdade com os desiguais”, disse.
Datas importantes
O mercado de relógios de pulso tem se segurado nas datas para movimentar as vendas. Azevedo disse que as empresas têm ciclos de produção e vendas nas datas festivas como Dia das Mães, dos Namorados, dos Pais, Natal e o Ano Novo. “São criadas estratégias de marketing com preços especiais de fábrica, além do lançamentos de novos modelos etc”, contou.
A Metal Alloy é uma das fabricantes do setor no polo de Manaus, que atualmente está num compasso reduzido de produção por conta da crise financeira. Segundo Nelson Azevedo, que é sócio da fabricante de relógios de pulso da marca Primex, a empresa está esperando o aquecimento do mercado que deve acontecer com a proximidade do Dia das Mães.
Na opinião do dirigente, não adianta o governo federal baixar os juros bancários e não chegar na ponta, ou seja, no consumidor final. Ele explicou é grande a diferença entre o que o banco paga para o investidor e o que cobra de quem toma o recurso emprestado é grande. “O spreed bancário, que é a diferença entre a taxa de captação e de aplicação, que fica em poder das instituições financeiras e gera lucro aos bancos, é elevadíssima no país, encarecendo os empréstimos”, contou.






