Taxa de ocupação nas indústrias cai pelo segundo mês consecutivo

Em: 8 de setembro de 2015
Sob impacto da crise, o emprego na indústria confirmou a tendência de queda esperada para o início deste ano, recuando 4,51% em janeiro na comparação livre de influências sazonais com dezembro
Sob impacto da crise, o emprego na indústria confirmou a tendência de queda esperada para o início deste ano, recuando 4,51% em janeiro na comparação livre de influências sazonais com dezembro

Sob impacto da crise, o emprego na indústria confirmou a tendência de queda esperada para o início deste ano, recuando 4,51% em janeiro na comparação livre de influências sazonais com dezembro. Trata-se do segundo mês consecutivo de redução do nível de emprego do setor no Amazonas.
Embora, em dezembro, o saldo negativo entre admissões e desligamentos na indústria amazonense tenha alcançado 6.238 trabalhadores, o primeiro mês do ano trouxe um saldo negativo bem menor, de 2.850 na evolução da mão-de-obra. Com relação a janeiro de 2008, a taxa de ocupação nas fábricas caiu 178,32% fazendo soar o alarme das lideranças do setor.

Tendência esperada

Os números oficiais do Caged-MTE (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério de Trabalho e Emprego do Ministério do Trabalho) divulgados ontem confirmou o que alguns economistas já esperavam. Segundo o levantamento, dos 2.302 admitidos, as indústrias locais demitiram 5.152 pessoas. Mas o Caged, que usa metodologia diferente e só registra o emprego formal, contabilizou um saldo negativo de 6.088 empregos no primeiro mês do ano no Amazonas.
Para o presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, o setor eletroeletrônico acusou rapidamente o golpe da crise e reduziu a produção com força em janeiro, porque foi o mais afetado pelas oscilações na política monetária e pela desenfreada importação de insumos chineses, o que afetou os níveis de emprego. “Não dá para tapar o sol com a peneira. De fato, os eletroeletrônicos foram os que mais demitiram por conta dessa instabilidade financeira. Esses resultados do mercado de trabalho, sem dúvida, acompanharam o menor dinamismo da indústria desde o ano passado”, admitiu.
Apesar do mau momento, Périco asseverou que a evolução da mão-de-obra ganhará fôlego a partir de julho, quando as empresas do setor eletroeletrônico esperam algo entre o crescimento de 2007 ou de 1,5% em relação ao ano passado. “É preciso encarar o atual momento com boa vontade, para que evitar o desespero. O saldo de empregos em janeiro ainda foi negativo, e isso não é bom, mas o mercado de trabalho dá sinais inequívocos de que a recuperação vai acontecer na segunda metade do ano”, considerou.
O panorama do quadro de emprego em janeiro, entretanto, não foi bem visto pelas lideranças trabalhistas do setor metalúrgico, que considerou vergonhosa a alta taxa de desemprego numa região coberta dos maiores benefícios fiscais do país. Segundo o diretor de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Sidney Malaquias, os trabalhadores do PIM (Polo Industrial de Manaus) não podem se dar ao luxo de esperar a reversão do quadro econômico para recomeçar a vida ativa. “Todo mundo precisa de dinheiro para sobreviver. É uma vergonha essas altas taxas de demissões numa região onde as indústrias faturam alto e a média salarial está bem abaixo da média do ABC Paulista”, reclamou.
Para o consultor econômico da Galindo Consultoria, Fábio Romão, a indústria fez um ajuste muito intenso e rápido de estoques em janeiro, reduzindo a produção e o nível de emprego. Esse movimento, explicou o especialista, “foi mais sentido justamente nos setores que lideravam até setembro do ano passado a geração de postos de trabalho, como os da indústria de transformação e do setor de serviços. Com a crise, os ramos líderes perderam fôlego rapidamente e os que já vinham mal no emprego intensificaram os cortes”.
Em janeiro, além da indústria de transformação, as maiores quedas de contratação foram na extração mineral (-3,70%), construção civil (-2,15%) e serviços (-1,77%), segundo o levantamento do Caged.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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