Setor questiona números do IBGE

Em: 13 de setembro de 2013
Lideranças locais estranharam resultado altamente positivo divulgado pelo instituto
Lideranças locais estranharam resultado altamente positivo divulgado pelo instituto

Dois estudos divulgados nesta quinta-feira (12) apresentaram dados divergentes a respeito do desempenho do comércio varejista local. A Pesquisa Mensal do Comércio, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta crescimento no volume de vendas de 4,2% em julho em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, pesquisa da CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) indica que o volume de vendas foi apenas 1,5% superior.
Ainda segundo o IBGE, as vendas do comércio varejista ampliado (comércio normal acompanhado das vendas de Veículos e de Material de construção) apresentaram no Amazonas um crescimento de 5,4% em julho. Lideranças empresariais do comércio local estranharam os números, uma vez que julho é, tradicionalmente, um mês fraco para o setor.
No caso da Pesquisa Mensal do Comércio, a alta de 4,2% representa o melhor desempenho do setor neste ano. De acordo com Adjalma Nogueira, disseminador de informações do IBGE Amazonas, o resultado vem depois de desempenhos abaixo de 1% nos três meses anteriores; demonstrando que, a despeito de julho não ser um mês de alta sazonalidade para o comércio, o consumidor foi às compras, o que elevou sensivelmente o potencial de vendas do comércio local.
Com isso, segundo os dados do IBGE, o acumulado no ano chegou a 1,4% e nos últimos doze meses, a 1,2%, promovendo uma pequena folga nos acumulados que já beiravam percentuais abaixo de 1%. O mesmo levantamento aponta que a variação da receita nominal de vendas no Estado chegou a 12% em julho, contribuindo para que o indicador, que já vinha apresentando bons resultados nos meses anteriores, incrementasse ainda mais o bom desempenho, que já acumula 8,9% no ano, e 7,1% nos últimos doze meses.
Já no caso do comércio varejista ampliado, Adjalma Nogueira explica que os números refletem o crescimento do comércio normal e ratifica o fato de que as atividades de vendas de veículos e material de construção contribuíram para o bom desempenho do comércio no mês. Com isso, o resultado acumulado desse indicador ano foi a 2,7%. Já o acumulado dos últimos doze meses foi de 1,6%.

Setor questiona

Os números otimistas apresentados pelo instituto foram, no entanto, questionados pelo presidente da CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag. O empresário destaca que, devido à sazonalidade, o mês de julho é considerado pelos comerciantes como um dos piores meses em volume de vendas. Para o período, a previsão da entidade era de que as vendas fechassem em 2% em relação a julho de 2012 –metade do volume anunciado pelo IBGE. Porém, mesmo esta expectativa se mostrou superestimada. “Acabamos fechando em 1,5%”, disse Assayag.
“Todos sabem que julho é um mês difícil para o comércio. Temos uma queda, pois o volume de pessoas que sai em viagens de férias é muito grande, o volume de carros nas ruas diminui, (a venda de) combustível é menor, escolas estão paradas, a saída de alimentação é menor e o volume de voos saindo de Manaus lotados é enorme. Então é natural que as vendas caiam no mês de julho. Como pode o resultado de julho ser de 4% no momento em que este é o mês em que grande parte da população sai de Manaus e até a arrecadação é menor? A não ser que eles (IBGE) tenham pegado os números do ano passado errado”, opinou Ralph Assayag.
Além disso, ele acrescentou que o volume de 1,5% nas vendas apresentado pela CDLM também representa uma queda em relação ao mês anterior (junho), quando as vendas fecharam em 2%. Para Ralph, o resultado só não foi mais desastroso por conta do pagamento de parte do 13.º salário no fim de julho e começo de agosto, o que ajudou as vendas no início do mês passado.

Fecomércio

O presidente da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto
Tadros também levantou dúvidas sobre os altos índices de crescimentos apontados pelo IBGE. “Particularmente achei muito alto os índices. Tomara que estejam certos, porque isso é bom para todos nós. Vou torcer, mas achei bastante alto”, disse.
A respeito da diferença de abrangência dos dois levantamentos, Tadros enfatizou que a cidade de Manaus representa entre 75% e 80% do volume total de vendas no Estado. “Mais da metade da população está na capital”, comentou.

Em todo o país, alta foi de 1,9% em julho

O comércio varejista cresceu 1,9% no volume de vendas em julho, o maior resultado desde janeiro de 2012 (2,8%) informou ontem (12) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O crescimento da receita nominal foi 2%, a maior variação desde junho de 2012 (2,4%).
Entre as dez atividades pesquisadas, oito apresentaram variações positivas no volume de vendas, com destaque para tecidos, vestuário e calçados (5,4%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (3,9%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,5%), móveis e eletrodomésticos (2,6%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,8%). As atividades que tiveram variação negativa foram combustíveis e lubrificantes (-0,4%) e veículos e motos, partes e peças (-3,5%). Na comparação com julho de 2012, todas as atividades cresceram.
O segmento de móveis e eletrodomésticos, com aumento de 11% no volume de vendas em relação a julho do ano passado, foi responsável pela maior participação (22,4%) da taxa global do varejo no mês. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com variação de 2,6% em julho sobre o mesmo mês de 2012, foram responsáveis pela segunda maior participação no resultado do varejo (21,8%). Apesar do aumento, segundo o IBGE, a atividade apresenta desempenho abaixo da média, devido aos preços dos alimentos, que cresceram acima do índice geral no período de 12 meses: 11,9% no grupo alimentação no domicílio, contra 6,3% da inflação global, segundo o IPCA. A atividade de outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceu 12% em relação a julho de 2012 e teve o terceiro maior impacto (18,9%).
O comércio ampliado, que inclui o varejo e as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, variou 0,6% em julho na comparação com junho para o volume de vendas e 0,8% para a receita nominal. A taxa para veículos, motos, partes e peças caiu 3,5% em relação a junho. Comparando com julho do ano anterior, a variação foi -1,8%.
Segundo o IBGE, o Acre foi a única das 27 unidades da Federação a obter resultado negativo em julho, com queda de -1,7% no volume de vendas em relação a julho do ano passado. Os Estados que mais cresceram no comércio varejista em julho foram: Mato Grosso do Sul (15,7%), a Paraíba (13,8%), o Rio Grande do Norte (10,9%), Rondônia (10,9%) e Pernambuco (10,7%). Na comparação com junho passado, para o volume de vendas, 21 unidades da Federação cresceram, com destaque para: Mato Grosso do Sul (6%), São Paulo (3,2%), o Rio de Janeiro (2,6%), Rio Grande do Sul (2,6%) e Santa Catarina (2,5%). As maiores quedas foram registradas em Roraima (-1,4%), Mato Grosso (-1,4%) e no Tocantins (-0,9%).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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