Silves e Manaquiri buscam atender à produção de insumos ao pólo

Em: 9 de janeiro de 2009
As exportações locais de óleos essenciais e produtos derivados podem receber uma injeção de aproximadamente US$ 45 milhões a partir do cumprimento da meta mensal de produção das usinas de Manaquiri e Silves
As exportações locais de óleos essenciais e produtos derivados podem receber uma injeção de aproximadamente US$ 45 milhões a partir do cumprimento da meta mensal de produção das usinas de Manaquiri e Silves

As exportações locais de óleos essenciais e produtos derivados podem receber uma injeção de aproximadamente US$ 45 milhões a partir do cumprimento da meta mensal de produção das usinas de Manaquiri e Silves. A expectativa é que a produção total das usinas alcance as 216 toneladas de óleos entre janeiro e junho, cujo destino será a composição de insumos para o crescente pólo de biocosméticos.
A disputa promete, já que de um lado a gerente industrial da Coopfitos (Cooperativa Mista de Produtores e Beneficiadores de Fitoterápicos e Fitocosméticos de Manaquiri), Edna Ribeiro, tem uma estimativa de inicial de 36 toneladas mensais de óleos essenciais, o que poderá concentrar de 35% a 40% a base de insumos destinada ao pólo de cosméticos e acirrar ainda mais a concorrência com Silves, a 203 quilômetros de Manaus na calha do Médio Amazonas.
Na outra ponta, o presidente da Coopverde (Cooperativa Mista de Produtores de Produtos da Floresta e Óleos Essenciais), Abrahim Souza Samej, considerou que a construção da Casa de Extração, em meados de abril, facilitará um acréscimo de 10% a 15% na produção esperada para o primeiro semestre, perto de 14 toneladas. O dirigente disse que a aquisição de óleos essenciais pela fábrica francesa Ganz Chemical gerou à cooperativa perto de US$ 12 milhões, sendo 70% provenientes da castanha-da-amazônia e piprioca. “Queremos aumentar a produção. Temos condições para isso. O que emperra nossos projetos é a possibilidade já acenada pelo nosso principal comprador de não poder absorver a demanda por falta de rotatividade no crédito”, revelou o p residente.
A rotatividade de crédito, segundo a economista Paloma Ferreira, dava às indústrias internacionais a possibilidade de parcelar dívidas em 12, 24 e até 60 meses. A crise no sistema financeiro internacional, apontou a especialista, fez retrair o giro de capital, impossibilitando o fechamento de novos contratos ou investimentos. “Por isso, sem outro meio de parcelarem dívidas futuras, as empresas compradoras de matérias-primas tendem a comprar menos, até porque a recessão econômica envolve um processo demissionário. Sem dinheiro, ninguém compra perfume, considerado bem supérfluo. É inevitável”, explicou o dirigente.
A gerente da Uaca 1 (Unidade de Atendimento Coletivo de Agronegócios) do Sebrae-AM, Wanderléia Oliveira, disse que, além da usina de beneficiamento dos óleos de babaçu, andiroba, tucumã, açaí, bacaba, patauá e castanha-da-amazônia, o diferencial da produção no Manaquiri engloba um centro de mudas destinadas ao manejo florestal e o projeto de um núcleo de cosméticos avançado ainda no primeiro semestre deste ano, que também vão proporcionar renda aos filhos e mulheres dos extrativistas. “Esse volume de extração terá como carros-chefes o óleo de babaçu e andiroba, que exigem manejo em áreas muito extensas, por isso passamos quase dois anos fortalecendo a idéia do cooperativismo junto à mão-de-obra local”, afirmou a gerente.
O aquecimento do mercado, de acordo com a pesquisadora Márcia Ortiz, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos Genéticos Vegetais do Instituto Agronômico de Campinas, está diretamente relacionado ao crescimento mundial do setor de aromas e fragrâncias, em média, na faixa de 5% a 6% ao ano. “O Brasil tem condições de expandir sua participação nesse mercado, como fornecedor de óleos essenciais”, assegurou.
Outros destaques na pauta de exportação brasileira de óleos essenciais em Silves, de acordo com Márcia Ortiz, são os óleos de eucalipto, pau-rosa, palma-rosa, citronela, limão, bergamota e vetiver.
“No pau-rosa, já avançamos bastante com o manejo sustentado, na Região Amazônica, para evitar a extinção da planta”, disse a pesquisadora, acrescentando que o fator determinante do setor de biocosméticos é que todas as grandes indústrias multinacionais do setor de aromas e fragrâncias estão no país trabalhando em parceria com instituições de pesquisas, em busca de novos óleos a partir da biodiversidade brasileira.
Dados do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) apontam que, no ano passado, os embarques de óleos essenciais renderam ao país mais de US$ 102 milhões, referentes a 95 toneladas produzidas destinadas à França, Espanha, Japão e EUA. O aquecimento do mercado, segundo o MDA, está diretamente relacionado ao crescimento mundial do setor de aromas e fragrâncias, cuja média oscila entre 5% a 6% anuais.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar