As taxas médias de juros para o consumidor subiram em outubro, pela sexta vez no ano, e atingiram o maior patamar em 2013, de acordo com pesquisa da Anefac (associação de executivos de finanças) divulgada hoje. A taxa de juros média mensal passou de 5,53% em setembro (ou 90,77% ao ano) para 5,56% em outubro (ou 91,42% ao ano), a maior taxa desde novembro do ano passado.
De acordo com Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac, a alta é reflexo da elevação da Selic (taxa básica de juros) decidida na reunião de outubro do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC. Na opinião de Oliveira, a preocupação com as pressões inflacionárias deve fazer com que o Banco Central, no encontro dos dias 26 e 27 de novembro, promova nova alta da Selic. “Por conta disso é provável que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses”, afirma.
Das seis linhas de crédito para pessoa física, apenas a do rotativo do cartão de crédito se manteve estável, segundo a Anefac. O maior avanço percentual se deu no crédito pessoal concedido por bancos, que passou de 3,12% ao mês para 3,16%. Juros no comércio, cheque especial, crédito pessoal obtido em financeiras e financiamento de veículos também registraram aumento.
Houve aumento também das taxas médias de juros para empresas, que passaram de 3,18% em setembro até 3,21% em outubro. A maior alta percentual se deu no capital de giro, cujas taxas subiram de 1,56% ao mês para 1,61% ao mês. Os juros de desconto de duplicatas tiveram alta de 2,26% a 2,30%, e os de conta garantida passaram de 5,71% para 5,73%.
Demanda
A parcela de pessoas que procura por crédito aumentou 6,5% em outubro, segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito, divulgado na quinta-feira. O crescimento aponta para uma recuperação parcial. Em setembro houve queda de 9,8% na demanda. Em outubro de 2012, também foi constatada retração de 5,2%.
Segundo especialistas da Serasa a alta em outubro poderia ter sido maior caso a greve dos bancários não tivesse durado até o dia 14, o que pode ter acarretado dificuldades para que certas linhas de crédito fossem acessadas.
Os consumidores de baixa renda foram os que mais buscaram por crédito no mês passado. A demanda dos trabalhadores que recebem até R$ 500 aumentou 12,1%, e que ganha entre R$ 500 e R$ 1 mil, mensalmente, cresceu 9,8%.
Já os consumidores de renda mais alta diminuiram a procura por empréstimos bancários. Houve retração de 3,1% na parcela que recebe entre R$ 5 mil e R$ 10 mil mensais. Segundo os especialistas, das pessoas que tem salários acima de R$ 10 mil a queda na procura por crédito foi 2,3%.
De acordo com a Serasa, nos dez primeiros meses de 2013, a demanda por crédito cresceu 3,6% quando comparada ao mesmo período do ano passado. Os consumidores das regiões Norte e Nordeste foram os que mais buscaram empréstimos bancários que está demonstrado nas altas constatadas pela Serasa: 13,9% e 10,4% de alta, respectivamente. A região Sul teve crescimento de 4,7% e a Sudeste, de apenas 0,8%. A única região onde houve queda no acumulado do ano foi a Centro-Oeste, com 2,1% a menos de procura.







