Todos contra a pedofilia

Em: 2 de julho de 2009
A CPI da Pedofilia está no Amazonas. Estranhamente o presidente dessa Comissão iniciou de forma solitária a audiência pública em Manaus
A CPI da Pedofilia está no Amazonas. Estranhamente o presidente dessa Comissão iniciou de forma solitária a audiência pública em Manaus

A CPI da Pedofilia está no Amazonas. Estranhamente o presidente dessa Comissão iniciou de forma solitária a audiência pública em Manaus. Segundo a imprensa, dos sete titulares e cinco suplentes, apenas estava presente o senador Magno Malta, nenhum senador pelo Amazonas compareceu, e dos políticos do nosso Estado, apenas dois deputados estaduais e uma deputada federal estiveram presentes. Porque o esvaziamento? Falta de interesse? Ausências justificadas? As crianças estariam sendo protegidas? Por quem? Na verdade muitos poderosos estão correndo da sala para a cozinha e o senador Malta prestaria um grande serviço à sociedade se revelasse os nomes de quem teria pressionado para a não realização dessa audiência.
A pedofilia é a perversão sexual na qual a atração sexual de um indivíduo adulto está dirigida primariamente para crianças. É classificada como uma desordem mental e de personalidade do adulto, e também como um desvio sexual, pela organização Mundial de Saúde, e os atos sexuais entre adultos e crianças abaixo da idade de consentimento (resultantes em coito ou não) é um crime na legislação de inúmeros países. Em alguns deles, o assédio sexual a crianças por meio da internet também constitui crime. Outras práticas correlatas, como divulgar pornografia infantil ou fazer sua apologia, também configuram atos ilícitos classificados por muitos países como crime.
Tendo como principal meio de divulgação a internet, a pedofilia movimenta milhões de dólares por ano e expõe milhares de crianças indefesas a abusos que nem mesmo adultos suportariam. Existem até clubes de pedofilia que servem para associar pedófilos pelo mundo, onde estes podem adquirir fotos e vídeos contendo pornografia infantil e até contratar serviços de exploradores sexuais, fazer turismo sexual ou mesmo efetivar tráfico de menores e aliciá-los para práticas de abusos sexuais, com alta possibilidade de desaparecimento de muitas crianças no mundo inteiro.
Para coibir esta prática, além da conscientização de internautas, autoridades do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, famílias e sociedade em geral, cabe ao cidadão a possibilidade de denunciar esse crime ao Ministério Público, à Polícia Federal e à Interpol.
Além disso, ainda convivemos com um problema social dos mais sérios, o que por si só justificaria medidas mais eficazes e, senão a resolução definitiva da questão, ao menos que sejam aplicadas políticas públicas mais arrojadas com o estrito interesse de amenizar a mendicância infantil pelas ruas das cidades. Dada a complexidade do assunto, muito se tem feito, mas pouco ou quase nada tem, substancialmente, sido convertido em favor de extirpar essa característica pejorativa que se torna cada vez mais frequente nas principais capitais brasileiras.
Na busca de soluções para os problemas socioeconômicos que margeiam todo o processo de crescimento do país, não se pode esconder, infelizmente, um futuro nada promissor que aguarda por nossas crianças. Enquanto elas driblam, entre uma esquina e outra, as ações pouco receptivas do Poder público, uma massa furiosa de delinqüentes cresce e ruma em direção contrária aos códigos de costume, leis e à própria sociedade, revelando notoriamente uma relação de franco embate onde não há vencedores, apenas vítimas.
A desestruturação familiar concorre para que as ruas sejam mais atraentes que um lar esfacelado. Juntando os pedaços, os fragmentos de uma sociedade fragilizada é que devemos nos orientar para que possamos garantir um futuro digno para nossas crianças. Nos semáforos, nos terrenos baldios, nos prédios abandonados reunidos como bando de irracionais, certamente eles não encontrarão o que precisam, mas contribuem significativamente para aumentar o índice de medo que grassa pelas ruas, principalmente nas grandes cidades brasileiras.
Reflexos negativos e muitos peculiares em países subdesenvolvidos, onde as ações públicas não conseguem enfrentar o problema com sucesso, a mendicância infantil expõe uma realidade suficientemente capaz de desfazer qualquer prognóstico positivo para curto, médio ou longos prazos, caso não tomemos uma iniciativa enérgica. Uma medida que cada um de nós funcione como um sustentáculo e que busquemos ressonância nos órgãos e instituições que possam discutir e viabilizar projetos capazes de fazer com que as ruas não sejam mais atraentes do que a escola, e que esta ganhe destaque, novos e pequenos frequentadores interessados. Nascido em Samos, na Grécia, pelos anos 571-70 a.C., Pitágoras previu tudo isso que estamos passando 21 séculos depois: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”.

Augusto Bernardo

é auditor fiscal de tributos estaduais da Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas e educador. Foi um dos fundadores do Programa Nacional de Educação Tributária (atualmente nomeado de Educação Fiscal).
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