Tombamento do Centro Histórico pode atrapalhar obras para a Copa

Em: 6 de dezembro de 2010
O provável tombamento do Centro, por parte do Iphan, está preocupando deputados estaduais, que querem discutir possíveis entraves à construção do Monotrilho e BRT
O provável tombamento do Centro, por parte do Iphan, está preocupando deputados estaduais, que querem discutir possíveis entraves à construção do Monotrilho e BRT

A ALE (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas) vai debater nesta segunda, 6, os possíveis efeitos do tombamento do Centro Histórico de Manaus nos projetos de melhoria do transporte público da cidade para os eventos esportivos que acontecerão nos próximos anos. A preocupação dos parlamentares consiste em um suposto impedimento por parte do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na execução das obras do Monotrilho e BRT.
O deputado Sinésio Campos (PT), autor da solicitação de audiência, diz-se preocupado com possíveis impasses que possam ocorrer, a exemplo do tombamento do Encontro das Águas como Patrimônio Nacional, onde foram criados entraves à construção do Porto das Lajes.
“Não sou contra a preservação do patrimônio histórico. Só espero que isso não signifique engessamento para o desenvolvimento socioeconômico de Manaus e do Amazonas”, amenizou o governista. De acordo com o superintendente do Iphan, Juliano Valente, o tombamento do Centro Histórico é o reconhecimento pelo governo federal da importância ímpar da cidade para o crescimento e o progresso do país, especificamente no período áureo da borracha. Para Valente, as restrições podem de fato acontecer, entretanto será preciso entendimento entre a União e os governos municipal e estadual.
“É preciso entender que, quando o Iphan realiza o tombamento de um ponto histórico de uma cidade, ele está protegendo o que há de mais original naquele lugar, ou seja, estamos preservando o DNA do município. Porém, qualquer intervenção precisa ser compartilhada com a União e nesse sentido talvez existam algumas limitações” salientou.
O superintendente, contudo, sinalizou a boa vontade do instituto em debater com os governistas as questões que podem vir de encontro aos interesses de modernização da cidade para os eventos de 2013 e 2014, onde serão realizados os jogos da Copa das Confederações e da Copa do Mundo. “Em contraponto aos possíveis entraves, entendemos que o interesse público é relevante. Se houver a necessidade de implantar o Monotrilho ou o BRT, isso precisa ser colocado no plano de discussão do projeto. Eu, como gestor público responsável pelo Iphan, não quero criar impedimentos para o desenvolvimento da cidade e me solidarizo com o Estado e o município. Em conjunto com a União analisaremos as necessidades da cidade para concluirmos as restrições que poderão acontecer”, ressaltou.
Segundo dados do Iphan, o Centro Histórico da Cidade compreende a área que vai da rua Leonardo Malcher até a orla do Rio Negro. Se tombado pelo Conselho Consultivo, esta região receberá o título de Cidade Histórica Nacional.
Apesar de já ter tido o edital publicado no Diário Oficial, a decisão sobre o tombamento deverá ser tomada após o recesso de fim de ano, provavelmente nos primeiros dias de 2011, quando o Conselho Executivo do Instituto se reunirá. O evento será realizado no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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