Trabalhadores da construção civil decidem hoje se entram em greve

Em: 23 de junho de 2008
Sintracomec plei­teia aumento de 14,49%, levando em conta a inflação do período mais ganho real; Sinduscon/AM acena com 6,64%, a título de reposição.
Sintracomec plei­teia aumento de 14,49%, levando em conta a inflação do período mais ganho real; Sinduscon/AM acena com 6,64%, a título de reposição.

Em torno de 90% dos trabalhadores da construção civil do Amazonas estão dispostos a cruzar os braços, caso as negociações com os patrões em torno do dissídio da categoria não prosperem na reunião de hoje. Responsável pela maior parte das contratações com carteira assinada no Estado, o setor acumula alta ininterrupta há mais de 12 meses –sendo impulsionado por obras públicas e pelo segmento imobiliário– e reúne 30 mil empregados em Manaus.
Será a quarta tentativa de conciliar os interesses antagônicos de ambas as partes. O Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Civil e Montagem do Estado do Amazonas) pleiteia aumento de 14,49%, levando em conta a inflação do período, mais ganho real. Na última sexta-feira, o Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), acenou com 6,64%, a título de reposição. Como parâmetro, as duas entidades utilizam o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística).
A oferta foi prontamente rejeitada pelo sindicato trabalhista, que decretou alerta geral de greve no mesmo dia. Até ontem, o Sintracomec já havia visitado 15 canteiros de obras de Manaus para mobilizar a categoria, mas promete ir a mais 20 até o começo da tarde hoje, antes de se reunir com o sindicato patronal. Embora existam 200 frentes de trabalho na capital, a entidade visa os projetos e empresas mais significativos do setor e aposta no efeito multiplicador do pleito.
“Esperávamos uma ofer­ta melhor do Sinduscon/AM e não um índice que mal repõe a inflação. As empresas dizem que devem crescer 40%, mas os salários não acompanham a prosperidade do setor. Hoje, se quiser ter um rendimento justo, o trabalhador tem de se matar, buscando ganhos de produtividade e horas extras”, lamentou o presidente do Sintracomec, Roberto Bernardes de Andrade.
O sindicalista acrescentou que, apesar das negociações ainda não terem sido esgotadas, muitos trabalhadores já estavam dispostos a parar a partir do último final de semana.
“Dissemos que não é assim que se faz, que precisamos conversar primeiro, e só convocar uma assembléia de greve quando estiverem esgotadas as possibilidades de acordo. Ninguém quer a paralisação, pois o país está crescendo e gerando empregos”, amenizou Andrade.

Entidade estuda contraproposta

Embora afaste a possibilidade de greve, o Sinduscon/AM convocou uma reunião extraordinária ontem para estudar a contraproposta dos trabalhadores e discutir o que será oferecido à categoria hoje. “Não há como conceder aumento real. O setor cresce, mas o lucro não avança na mesma medida. Nenhuma empresa do Amazonas teve ‘aumento real’ de 5% nesses últimos 12 meses. Não acredito na possibilidade de paralisação, até porque isso nunca aconteceu no Brasil e devemos chegar a um acordo hoje”, sentenciou o presidente da entidade, Joaquim Auzier.
Segundo o dirigente, a margem de lucro das empresas no Amazonas varia de 5% a 10%, nas obras públicas, e é de 15% para empreendimentos privados. Essa faixa, destacou o dirigente, permaneceu inalterada nos últimos anos, apesar do crescimento do setor.

Reenquadrar categorias

Além do índice de reajuste, também está na mesa de negociações a proposta do Sintracomec de reenquadrar pelo menos quatro categorias do nível B para o C: pedreiro, bombeiro hidráulico, carpinteiro e ferreiro armador, que respondem hoje por 60% da mão-de-obra da construção civil no Amazonas. A idéia é equiparar os salários ao de outros Estados do Sul do país. Com a mudança, os vencimentos desses profissionais passariam de R$ 668 para R$ 815.
O Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas) alega que, somado ao reajuste, o reenquadramento causaria impactos significativos nos custos das empresas, prejudicando as operações. A entidade informa que, pelo menos na fase de acabamento, a mão-de-obra representa 40% do valor de uma construção no mercado imobiliário. Em obras pública

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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