Quantas vezes você já não sentiu sono durante um treinamento dentro ou fora de sua empresa? Quantas vezes você já não se sentiu um mero espectador de uma aula repetitiva e monótona sem nenhum tipo de interação e/ou emoção? E se num piscar de olhos o instrutor deste treinamento lhe convidasse a participar ativamente do mesmo por meio de uma disputa competitiva e sadia?
É exatamente isso que têm experimentado diversas empresas de diferentes segmentos no Brasil. De até então um modismo, o uso de jogos estruturados e preparados para treinamento tem se tornado uma tendência em muitos programas presenciais de treinamento nos mais diferentes temas. Seria esta uma mudança positiva?
Provavelmente sim. No mundo competitivo em que vivemos não é novidade dizer que desde criança somos estimulados a jogar, seja individualmente ou em grupo. Jogamos desde uma partida de futebol na rua até um complexo RPG com os amigos. O sentimento de competição/jogo/disputa faz parte de vários aspectos de nossas vidas – a conquista de uma nova namorada, e entrada na universidade, a busca por um novo emprego.
Talvez seja a educação corporativa a que mais tarde despertou para os benefícios de transformar uma simples sessão de treinamento em um grande desafio de conhecimento. Nossos primeiros professores (primeiro grau) já diziam isso e chegaram a utilizar jogos em nossa formação. Mas o que aconteceu depois disso? Chegamos à “imponente” universidade e sob o famoso mito da formação superior que afirma que a partir daquele momento o aluno deveria trilhar seu próprio caminho e não ser mais “ajudado” e “estimulado” a isto, passamos a encarar aulas extremamente teóricas e lineares. Aí chegamos na empresa e estas, ao promover nosso auto-desenvolvimento, seguem este mesmo padrão, nos brindando com conteúdos pouco interessantes e abordados de uma maneira extremamente maçante. É nesse cenário que o jogo deve entrar. No momento em que um assunto (mesmo maçante) passa a ser tratado com a conotação de um jogo, tudo pode mudar. Ao criarmos, no início de um treinamento, cenários fictícios, regras, disputas, equipes, personagens e desafios, trazemos momentaneamente adultos para um universo onde criar e pensar em estratégia passa a ser feito de forma livre e sem censura. O controle, que única e exclusivamente ficava na mão de uma única pessoa (o instrutor), passa a ser de domínio dos treinandos o que faz com o envolvimento seja muito maior.
A existência de regras e objetivos dentro do jogo faz com que as próprias pessoas passem a enxergar diferentes possibilidades dentro de um mesmo conceito passado sem que ao mesmo tempo haja fuga do tema central. O tão sonhado e aclamado “construtivismo” das teorias da educação e da andragogia passa a ter um espaço próprio e fecundo para na prática se desenvolver.
Dentro deste mundo lúdico, muitas possibilidades passam a ser oferecidas a todos que compartilham desta idéia. Um simples treinamento de um novo produto ou de uma nova campanha de marketing para a equipe de vendas, pode se transformar em uma corrida de fórmula Um, enquanto que um treinamento de atendimento a clientes vira um passeio por um filme holliwoodiano com respectivos personagens, adornos e cenários, e ainda um treinamento de liderança para novos supervisores de vendas torna-se um interessante RPG com destinos diferentes a cada jogada.
E tudo isso não pára por aí. Com a tecnologia, simples treinamentos de vendas podem se tornar interessantes business game com o uso de personagens, cenários reais ou fictícios onde os participantes sozinhos ou em grupo, presencialmente ou a distância, literalmente “vestem” o negócio que lhe foi passado, vivenciando previamente e de forma extremamente próximas a realidade, algo que dificilmente conseguiriam obter em uma aula totalmente expositiva. Mesmo para aqueles que não dispõem de tanta tecnologia ou ainda são céticos com relação ao “jogar treinamento”, boas experiências podem ser obtidas, simplesmente através da







