Última reunião do ano do Codam apresenta desafios para 2023

Em: 17 de dezembro de 2022

Em clima de confraternização, a última reunião do Codam do calendário de 2022, ocorrida nesta sexta (16), foi marcada por um balanço das realizações do governo estadual, com destaque para a frente industrial e as iniciativas de diversificação e interiorização de matrizes econômicas. Diferente do que se esperava, não foram registrados comentários a respeito do aumento de impostos pedido pelo Executivo amazonense e aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, na semana que se encerrou. Mas, alguns dos conselheiros aproveitaram o tempo de microfone para reforçar reivindicações pontuais. 

Em paralelo, todos os 53 projetos –20 de implantação, 28 de diversificação e cinco de atualização –previstos na pauta da 299ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas ganharam sinal verde. Juntos, eles preveem R$ 1,20 bilhão em investimentos e 1.086 novos postos de trabalho, além do remanejamento de outras 286 vagas nas empresas em questão. Com isso, a instância já deu aval a R$ 8,74 bilhões em aportes de capital produtivo para o Amazonas neste ano, com a projeção de criação de 8.159 novos postos de trabalho, distribuídos em 258 projetos.

Durante o evento, também foram apresentados aos conselheiros e demais participantes dados sobre a atuação da Sedecti no âmbito do Codam. Nas seis reuniões de 2022, participaram 207 empresas e foram apreciados 254 projetos, sendo 107 de implantação, 126 de diversificação, e 21 de atualização, que somaram 8.159 novos postos de trabalho e mais 1.967 vagas remanejadas internamente nas indústrias envolvidas. As cinco empresas do PIM que mais investiram foram a Tec Toy S/A (R$ 2,11 bilhões), Oben Brasil Ltda (R$ 761,60 milhões), Grupo Conipa Indústria e Comércio Ltda (R$ 569,60 milhões), Flextronics Indústria e Tecnologia Ltda (R$ 552,40 milhões) e Denso Indústria da Amazônia Ltda (R$ 476,20 milhões).

“Fechamos o ano, e também este primeiro governo, de forma exitosa. Os números estão aí. O Amazonas já tem conhecimento, mas é de extrema relevância dizer que o governo não ficou só neste modelo. Trabalha em outros vetores que vão fortalecer a nossa matriz econômica, gerando emprego e renda, na capital e no interior. Uma verdadeira revolução Ao longo deste ano, em reuniões como esta, projetamos mais de R$ 8 bilhões em investimentos e milhares de novos empregos”, exclamou o titular da Sedecti (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia), Angelus Figueira.

O secretário estadual reforçou junto aos conselheiros do Codam que, por orientação do governador, a Sedecti, ao longo dos últimos oito meses vem discutindo com diversos atores da economia, a elaboração de um Plano de Desenvolvimento Econômico do Estado, a curto, médio e longo prazo. “Estamos nesta construção. Iniciamos com o Fórum de Desenvolvimento Sustentável. Fizemos inúmeras reuniões ouvindo, coletando opiniões, informações, de todos os setores da sociedade, universidades, especialistas, além dos profissionais da Sedecti”, listou.

Foco no interior

Durante sua apresentação, o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico da Sedecti, Jhones Lima, observou que, a despeito das dificuldades impostas pela pandemia, o saldo de investimentos no Codam foi 50% maior nos últimos quatro anos, quando comparados ao governo anterior. A mão de obra, por outro lado, cresceu 6%. Ele destacou o trabalho conjunto dos governos estadual e municipal, juntamente com a Suframa, em ações e iniciativas em prol da Zona Franca de Manaus e da economia amazonense em geral. “Este tem sido um trabalho de construção”, frisou.

Lima observou também que a quantidade de projetos aprovados para o interior, embora minoritária no total (864), teve crescimento proporcional significativo. “Tínhamos só 15 empresas incentivadas, no começo de 2019, principalmente na Região Metropolitana de Manaus. Conseguimos chegar ao final deste ano com mais 25, totalizando 40 projetos aprovados, incluindo municípios mais distantes, como Anori, Anamã, Parintins e Humaitá. O objetivo é intensificar esse trabalho e fazer ações itinerantes de capacitação e enquadramento, para termos mais empresas fornecendo direto às redes varejistas e exportar seus produtos. É um trabalho desafiador, mas muito importante”, asseverou. 

O titular da Semtepi (Secretaria Municipal do Trabalho, Empreendedorismo e Inovação), Radyr Júnior, que participou do evento representando o prefeito de Manaus, também considerou que o saldo do Codam é positivo. “A Prefeitura, desde o início da gestão do prefeito David Almeida (Avante), vem participando de forma propositiva das reuniões do Codam. Esses encontros se tornaram mais assertivos, e abordam projetos que vão atender aos anseios da população, preenchendo lacunas no nosso Estado, e principalmente na cidade Manaus”, afiançou. 

“Tratamento hostil”

Em sua fala, o presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, também elogiou os trabalhos da Sedecti dos últimos anos. Mas, voltou a reivindicar maior foco para o comércio entre os projetos e ações do Codam. Segundo o dirigente, varejo e atacado ainda sofrem “omissões e falta de percepção” sobre sua “participação tão importante na economia”. Ele reforçou seus argumentos, ao apontar que o setor emprega atualmente 400 mil com carteira assinada no Estado, além de responder por mais de 50% de sua arrecadação tributária e metade do PIB amazonense.

“Surpreende esse ambiente voltado exclusivamente para projetos de cunho industrial. Não menosprezo ou me contraponho ao valor e a importância do PIM. Mas, precisamos criar outros ambientes que possam acrescentar alguma coisa à economia. Nosso tratamento tributário é completamente hostil e indevido. Todas as nossas compras e importações também passam pelo crivo da Suframa. Nós, do comércio, tivemos um ano muito avassalador e atípico. Estamos pagando ágio para fazer chegar nossas mercadorias a Manaus. Hoje, um contêiner de 40 pés está sofrendo um acréscimo de quase R$ 10 mil no seu custo. Isso é uma aberração”, desabafou.

Mais comedido, o presidente da FTIEAM (Federação dos Trabalhadores na Indústria do Estado do Amazonas), Ricardo Alvarez Miranda, não fez reivindicações durante seu tempo de microfone. Já decano nas reuniões do Codam e do CAS (Conselho de Administração da Suframa), o sindicalista preferiu se mostrar agradecido em relação a iniciativas do Executivo estadual –e também às municipais –e ressaltou que algumas conseguiram “segurar empregos”. 

“Acho que a equipe está bem afinada e que a pauta é robusta. Todos estão de parabéns. Tenho certeza de que essa segunda gestão do governador será muito melhor do que a primeira. E que ele fará um grande governo, voltado para tornar o Amazonas mais pujante com todos os entendimentos. O prefeito também tem feito um grande trabalho e, nos próximos dois anos, continuar fazendo Manaus voltar a sorrir”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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