Suframa faz balanço positivo de ações em favor da indústria em 2022

Em: 16 de dezembro de 2022

A pouco mais do que duas semanas do fim do ano, e com a expectativa de uma nova troca da guarda em sua gestão em 2023, a Suframa divulgou, na quarta (14), um balanço positivo de seus programas e ações desempenhados em 2022, bem como os resultados atingidos pelo Polo Industrial de Manaus. Na análise da autarquia federal, o presente exercício foi “desafiador”, mas também uma época de evolução em muitas frentes, que sinalizaram impactos favoráveis ao ambiente de negócios da região, nos próximos anos. 

O entendimento da autarquia é que foram efetivados “projetos pioneiros” para diversificar as matrizes econômicas da Amazônia, ampliando empregos e renda. A Suframa salienta ainda que atuou de “forma diligente” na defesa e no fomento do PIM, com números que demonstram que a indústria local se mantém “aquecida e atraente” aos investidores. Lideranças do PIM ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio concordam com a avaliação e assinalam que aguardam atuação semelhante do próximo superintendente – que ainda não foi definido pela equipe de transição do novo governo federal.

A Suframa lembra que o PIM faturou R$ 129,28 bilhões no acumulado até setembro, tendo crescido 8,69%. A expectativa é que as vendas fechem o ano em R$ 175 bilhões, marcando novo recorde. A média mensal de mão de obra de 108.646 trabalhadores é 3,75% maior do que a do mesmo período de 2021, deixando para trás os dados de 2019 (88 mil). O CAS (Conselho de Administração da Suframa), por outro lado, aprovou R$ 6 bilhões em investimentos, que contabilizam 9.776 novos empregos na ZFM, em 201 projetos industriais e de serviços –88 deles de implantação. O aprimoramento da análise e aprovação de Processos Produtivos Básicos também ajudou. O tempo médio para tanto foi reduzido de 400 para 96 dias, entre 2019 e 2022.

CBA e DAS

Outro avanço foi a definição sobre a gestão e a personalidade jurídica do CBA (Centro de Bionegócios da Amazônia) –que já está há quase 20 anos sem CNPJ. Em 6 de dezembro, o “Diário Oficial da União” trouxe a certificação de que a FUEA (Fundação Universitas de Estudos Amazônicos), instituição vencedora da primeira fase do certame para seleção de pessoa jurídica de direito privado, e sem fins lucrativos, cumpriu também os requisitos para qualificação como organização social para gerir o novo CBA.

“Tal ação deverá ser seguida pela publicação do resultado final, pelo ministro da Economia, e também pela publicação do decreto presidencial com a qualificação e formalização da FUEA como instituição gestora do novo CBA, ao lado da UEA e do IPT/SP (Instituto de Pesquisas Tecnológicas, de São Paulo). A expectativa é que isso ocorra até o fim deste ano”, reforçou a Suframa, em texto de sua assessoria de imprensa.

A autarquia também realizou duas concorrências públicas para disponibilizar lotes de terras em Rio Preto da Eva e Manaus, no âmbito do Distrito Agropecuário da Suframa. As concorrências resultaram em 45 propostas vencedoras e a expectativa é de arrecadação de R$ 4,6 milhões, além de investimentos de R$ 300 milhões em cinco anos, com potencial de gerar mil empregos diretos. 

“Compromisso maior”

O ano também foi marcado por diversos programas. Um deles é o “Amazônia 2040: cenários prospectivos e agenda estratégica para o Desenvolvimento”, que já viabilizou a realização de nove fóruns temáticos que fomentaram debates sobre bioeconomia, semicondutores, fertilizantes, mineração sustentável, startups, tecnologia 5G e indústria 4.0. Desenvolvido em parceria com empresas do PIM, o “Zona Franca de Portas Abertas” já conta com 12 empresas cadastradas e 12 visitas guiadas pelas fábricas do PIM, com 450 pessoas contempladas. Já o “Suframa nas Escolas”, contemplou 1.253 alunos finalistas do ensino médio de 11 escolas públicas da capital, com palestras de conscientização sobre a importância do modelo e seus benefícios.

Em texto divulgado por sua assessoria de imprensa, o superintendente da Suframa, Algacir Polsin, acrescenta que a elaboração e a divulgação, em novembro, do novo plano estratégico da Suframa, com horizonte até 2025, foi um “passo de grande relevância”. “O último plano estratégico institucional datava de 2010. Essas são evidências de que a Suframa tem buscado cumprir sua missão institucional, que é promover o desenvolvimento socioeconômico e sustentável na sua área de abrangência”, destacou, acrescentando que os números são “animadores” e que a ZFM se encontra em um momento de “forte integração” e em busca de um “compromisso maior”.

Gestão e abertura

O presidente da Fieam, Antonio Silva, considera que um dos destaques da atuação da Suframa em 2022 foi justamente a “excelente gestão” do general Polsin. “A interlocução com os agentes econômicos locais foi de suma importância para o sucesso das ações desempenhadas. Os números recordes de faturamento e mão de obra são um reflexo disso, assim como a recorrência das reuniões do CAS e a consolidação de uma metodologia clara sobre a renúncia fiscal por empregado do PIM, que nos possibilitou a construção de indicadores acurados”, justificou.

O dirigente ressalta também a reaproximação da Suframa com os Estados vizinhos, pois considera essa relação fundamental para se pensar o desenvolvimento socioeconômico da região. Em termos operacionais, acrescenta também o “nítido avanço” nas questões relacionadas aos PPBs, que passaram a ter “análise célere e conclusiva”. “Para 2023, esperamos a continuidade dos planos estruturais e de modernização da Suframa, em especial no respeitante às pautas de ciência, tecnologia e informação, e do vetor da bioeconomia”, asseverou.

Na mesma linha, o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, também considerou o balanço “muito positivo” e considerou como “inegável” a quantidade de atividades implementadas pela autarquia. O dirigente, no entanto, prefere destacar os programas “Zona Franca de Portas Abertas” e “Suframa nas Escolas”, que têm foco na abertura da autarquia ao público externo. 

“Os dois trazem temas importantíssimos para o Polo. O primeiro é a divulgação da realidade industrial das aplicações e desenvolvimento de tecnologias realizadas na região, com a publicidade que é dada do modelo aplicado corretamente. Quanto ao segundo, lembro que toda e qualquer ação educacional sempre é muito bem-vinda e positiva. É através dessas ações que formamos melhor nossos jovens, que são o futuro do país”, afiançou.

No que se refere aos resultados econômicos, Roberto Moreno reforça a avaliação de que, apesar das oscilações, 2022 deve fechar no azul. “Isso,aliado ao indicador dos empregos, é importante para as famílias do PIM. E encerramos com chave de ouro, a atração de novos investimentos, instalação de novas empresas nos próximos três anos, como resultado das aprovações de projetos apresentados nas reuniões do CAS”, concluiu.

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Insta: @jcommercio

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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