Um café, com gosto de belle époque

Em: 18 de maio de 2026
Mais um prédio secular, do Centro de Manaus, retorna à vida, restaurado pelo Senac, e agora transformado no Bistrô Escola Senac Teatro.
Nas duas primeiras salas, estão disponibilizadas as mesas da cafeteria.
Nas duas primeiras salas, estão disponibilizadas as mesas da cafeteria

Em 10 de janeiro o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) completou 80 anos e agora em maio deu um belo presente para Manaus: a restauração de um palacete, de 1917, na av. Eduardo Ribeiro, bem em frente ao Ideal Clube. O palacete estava abandonado há alguns anos e ressurgiu, agora, como Bistrô Escola Senac Teatro.

O palacete, de 1917, teve como primeira dona a portuguesa Zuma Rocha Cardoso
O palacete, de 1917, teve como primeira dona a portuguesa Zuma Rocha Cardoso

 

Não se sabe muito a respeito da história da edificação, apenas que na escritura consta o nome da portuguesa Zuma Rocha Cardoso, sua primeira proprietária, um fato inusitado em se tratando de uma mulher, naquela época, ser a dona de tão rica residência.

Depois de meses passando por um minucioso restauro, em 25 de setembro do ano passado aconteceu a primeira fase da inauguração do palacete de Zuma Rocha com a presença de José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC/Sesc/Senac, além de Aderson Frota, presidente em exercício da Fecomércio/AM, e diversas autoridades e representantes do setor de comércio.   

Desde o começo o Bistrô Senac Teatro foi pensado para funcionar como um bistrô-escola, onde os alunos poderão aplicar na prática o conhecimento teórico adquirido em sala de aula, além de os demais espaços funcionarem como cafeteria e restaurante onde os manauaras poderão degustar a gastronomia amazônica num ambiente requintado.

No dia 30 de abril houve a inauguração teste, com o Bistrô abrindo apenas para os colaboradores do Senac. Como tudo foi aprovado, no dia 4 passado, segunda-feira, finalmente as portas do palacete foram abertas para o público, que a partir de agora terá uma opção a mais, no Centro de Manaus, para degustar um café regional preparado pelas mãos de profissionais do Senac. Ganham a gastronomia, a cultura e o turismo do Amazonas.

 

Túnel do tempo 

No térreo, logo na entrada, nas duas primeiras salas, estão disponibilizadas as mesas da cafeteria para os clientes.

De acordo com a técnica em nutrição Andreia Faustino, estes espaços têm capacidade para 40 pessoas sentadas. Em seguida tem a área de produção dos cafés, com vitrines onde estão dispostos doces e salgados. Na última sala funciona a confeitaria, na qual os alunos terão aulas práticas.

Para quem gosta de, na imaginação, voltar ao passado, prestar atenção nos detalhes destes espaços é reviver a Manaus de 1917, uma cidade que deixara para trás o fausto do comércio da borracha, mas que ainda assim ostentava, como demonstra o próprio palacete do Ideal Clube, de 1921; e o da família Loureiro, de 1918; e outros, naquele mesmo quarteirão, construídos pós-ciclo econômico da borracha encerrado por volta de 1911.    

O palacete de Zuma Rocha ainda mantém os pisos originais de cerâmica portuguesa, e salas com chãos de madeiras montadas de duas cores, além de imensas vigas de madeira de lei no teto, e paredes de pedra, sem falar das magníficas escadarias que levam ao segundo e ao terceiro piso. Agora, modernos elevadores facilitam a ida aos demais andares. Móveis antigos, quem sabe de Zuma, e um relógio carrilhão, ajudam a decorar alguns ambientes.

Na década de 1960, o imóvel abrigou o Hotel Ideal, conhecido por receber personalidades brasileiras como o cantor/compositor Waldick Soriano e o palhaço Carequinha.

 

Café robusta amazônico

No segundo andar, que ainda está sendo montado, funcionará, em três salas, o restaurante à la carte.

“Calculo que este espaço terá capacidade para 80 pessoas sentadas”, adiantou Andreia.

Este andar ainda abrigará a cozinha fria e a cozinha quente, mais a sala de enologia, onde os alunos aprenderão tudo sobre vinhos.

O terceiro e último andar será ocupado pela parte administrativa do palacete com as salas da presidência, de reuniões, dos professores, uma sala de aula e uma adega.   

Nesta primeira fase, a cafeteria apresenta o conceito que valoriza os sabores amazônicos e os ingredientes regionais. No menu, assinado pelo chef Eraldo Pereira, constam itens que não poderiam faltar, como a tapioca acompanhada dos mais diversos recheios (queijo coalho, geleia de cupuaçu, castanha da Amazônia, entre outros), e o só nosso X-Caboquinho (Patrimônio Cultural e Material da Gastronomia de Manaus), e mais uma variedade de sucos. Detalhe: o café servido no Bistrô é amazonense, orgânico, sustentável e agroflorestal: o robusta amazônico, desenvolvido pela Embrapa exclusivamente para a região amazônica.  

“Mais do que uma cafeteria, o Bistrô Escola Senac Teatro nasce como um ambiente de experiências gastronômicas, qualificação profissional e valorização do patrimônio histórico da cidade”, finalizou Andreia.

 Nas duas primeiras salas, estão disponibilizadas as mesas da cafeteria
Nas duas primeiras salas, estão disponibilizadas as mesas da cafeteria

 

Em breve o espaço receberá uma aula-show inaugural com participação dos alunos da Faculdade Senac Amazonas. A proposta pedagógica prevê ainda futuros cursos e experiências voltadas para áreas como: cafés especiais, introdução ao universo dos vinhos, enogastronomia, confeitaria fina, maître e hospitalidade, engenharia de cardápio para empresários do segmento de alimentos e bebidas. 

O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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