Em 10 de janeiro o Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) completou 80 anos e agora em maio deu um belo presente para Manaus: a restauração de um palacete, de 1917, na av. Eduardo Ribeiro, bem em frente ao Ideal Clube. O palacete estava abandonado há alguns anos e ressurgiu, agora, como Bistrô Escola Senac Teatro.

Não se sabe muito a respeito da história da edificação, apenas que na escritura consta o nome da portuguesa Zuma Rocha Cardoso, sua primeira proprietária, um fato inusitado em se tratando de uma mulher, naquela época, ser a dona de tão rica residência.
Depois de meses passando por um minucioso restauro, em 25 de setembro do ano passado aconteceu a primeira fase da inauguração do palacete de Zuma Rocha com a presença de José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC/Sesc/Senac, além de Aderson Frota, presidente em exercício da Fecomércio/AM, e diversas autoridades e representantes do setor de comércio.
Desde o começo o Bistrô Senac Teatro foi pensado para funcionar como um bistrô-escola, onde os alunos poderão aplicar na prática o conhecimento teórico adquirido em sala de aula, além de os demais espaços funcionarem como cafeteria e restaurante onde os manauaras poderão degustar a gastronomia amazônica num ambiente requintado.
No dia 30 de abril houve a inauguração teste, com o Bistrô abrindo apenas para os colaboradores do Senac. Como tudo foi aprovado, no dia 4 passado, segunda-feira, finalmente as portas do palacete foram abertas para o público, que a partir de agora terá uma opção a mais, no Centro de Manaus, para degustar um café regional preparado pelas mãos de profissionais do Senac. Ganham a gastronomia, a cultura e o turismo do Amazonas.
Túnel do tempo
No térreo, logo na entrada, nas duas primeiras salas, estão disponibilizadas as mesas da cafeteria para os clientes.
De acordo com a técnica em nutrição Andreia Faustino, estes espaços têm capacidade para 40 pessoas sentadas. Em seguida tem a área de produção dos cafés, com vitrines onde estão dispostos doces e salgados. Na última sala funciona a confeitaria, na qual os alunos terão aulas práticas.
Para quem gosta de, na imaginação, voltar ao passado, prestar atenção nos detalhes destes espaços é reviver a Manaus de 1917, uma cidade que deixara para trás o fausto do comércio da borracha, mas que ainda assim ostentava, como demonstra o próprio palacete do Ideal Clube, de 1921; e o da família Loureiro, de 1918; e outros, naquele mesmo quarteirão, construídos pós-ciclo econômico da borracha encerrado por volta de 1911.
O palacete de Zuma Rocha ainda mantém os pisos originais de cerâmica portuguesa, e salas com chãos de madeiras montadas de duas cores, além de imensas vigas de madeira de lei no teto, e paredes de pedra, sem falar das magníficas escadarias que levam ao segundo e ao terceiro piso. Agora, modernos elevadores facilitam a ida aos demais andares. Móveis antigos, quem sabe de Zuma, e um relógio carrilhão, ajudam a decorar alguns ambientes.
Na década de 1960, o imóvel abrigou o Hotel Ideal, conhecido por receber personalidades brasileiras como o cantor/compositor Waldick Soriano e o palhaço Carequinha.
Café robusta amazônico
No segundo andar, que ainda está sendo montado, funcionará, em três salas, o restaurante à la carte.
“Calculo que este espaço terá capacidade para 80 pessoas sentadas”, adiantou Andreia.
Este andar ainda abrigará a cozinha fria e a cozinha quente, mais a sala de enologia, onde os alunos aprenderão tudo sobre vinhos.
O terceiro e último andar será ocupado pela parte administrativa do palacete com as salas da presidência, de reuniões, dos professores, uma sala de aula e uma adega.
Nesta primeira fase, a cafeteria apresenta o conceito que valoriza os sabores amazônicos e os ingredientes regionais. No menu, assinado pelo chef Eraldo Pereira, constam itens que não poderiam faltar, como a tapioca acompanhada dos mais diversos recheios (queijo coalho, geleia de cupuaçu, castanha da Amazônia, entre outros), e o só nosso X-Caboquinho (Patrimônio Cultural e Material da Gastronomia de Manaus), e mais uma variedade de sucos. Detalhe: o café servido no Bistrô é amazonense, orgânico, sustentável e agroflorestal: o robusta amazônico, desenvolvido pela Embrapa exclusivamente para a região amazônica.
“Mais do que uma cafeteria, o Bistrô Escola Senac Teatro nasce como um ambiente de experiências gastronômicas, qualificação profissional e valorização do patrimônio histórico da cidade”, finalizou Andreia.

Em breve o espaço receberá uma aula-show inaugural com participação dos alunos da Faculdade Senac Amazonas. A proposta pedagógica prevê ainda futuros cursos e experiências voltadas para áreas como: cafés especiais, introdução ao universo dos vinhos, enogastronomia, confeitaria fina, maître e hospitalidade, engenharia de cardápio para empresários do segmento de alimentos e bebidas.
O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h.







