A criação de empregos no interior arrefeceu em maio. Apenas seis dos 22 municípios amazonenses listados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – em um universo de 61 – seguiram o Estado e apresentaram alta no saldo de postos de trabalho com carteira assinada em todas as comparações de períodos.
A lista inclui Benjamin Constant, Boca do Acre, Fonte Boa, Manacapuru, Nova Olinda do Norte, Parintins, além da capital. O número foi inferior ao registrado em março (11) e abril (oito). Autazes, Lábrea, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga, que haviam pontuado positivamente no mês anterior, caíram para o campo negativo. Coari e Eirunepé se saíram mal em todas as comparações, enquanto Iranduba registrou seu primeiro incremento mensal.
Entre abril e maio, oito municípios ficaram acima da média estadual (+0,22%). No interior, o maior crescimento (+2,92%) e de número de vagas (+56) veio justamente de Iranduba. Primeiro lugar em ambos os casos, Manaus gerou 864 postos de trabalho, com ganho de 0,21%. Os piores resultados em alta percentual e saldo vieram de São Paulo de Olivença (-3,90%) e Itacoatiara (-21), respectivamente. Benjamin Constant, Borba e Manicoré seguiram estáveis.
No acumulado do ano, 11 municípios pontuaram acima da média amazonense (+0,80%), com destaques positivos para São Paulo de Olivença (+15,62%) e Manacapuru (+9,98%). Em números de vagas, os campeões foram Manaus (+2.895) e Parintins (+180). As maiores quedas vieram de Coari (-21 vagas) e Careiro (-7,08%).
Em 12 meses, 12 municípios ficaram à frente do Amazonas (+2,35%), em um total de 15 que encerraram no azul. Os maiores incrementos relativos vieram de Fonte Boa (+38,10%) e Autazes (+19,18%), e os saldos mais expressivos em termos absolutos vieram de Manaus (+9.225) e Manacapuru (+423). Na outra ponta, Iranduba (-10,14% e -222 vagas) ainda sustenta a pior posição nesse tipo de comparação.
Atividades mais frequentes no interior do Amazonas, como agropecuária e administração pública, estiveram entre os setores econômicos com piores números no Caged, em maio. A primeira registrou seu primeiro avanço de 2019 na passagem de abril para maio (+0,01%), ao gerar um único emprego. Mas, acumula quedas no ano e em 12 meses.
Já a agropecuária foi a única atividade do Estado a amargar retração em todas as comparações de períodos. A diferença entre desligamentos (131) e admissões (129) foi de apenas dois empregos no comparativo mensal, mas produziu variação negativa de 0,05%. Em 12 meses, o setor cortou oito postos e encolheu 0,21%. Mas, acumula a extinção de 481 vagas no ano, correspondendo a um corte de 11,13% em relação ao estoque anterior.
O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, atribuiu a queda no saldo de empregos aos efeitos da cheia dos rios e informou que os segmentos mais atingidos do setor primário foram a fruticultura – principalmente banana –, além da mandioca e da pecuária.
Mercados e feiras
Procurada pelo Jornal do Commercio, a Prefeitura de Coari respondeu, por nota à imprensa, que vem mantendo os investimentos na cidade para garantir que a economia do município se mantenha aquecida e fomentando emprego e renda, principalmente na área de produção rural, mercados e feiras.
“Além disso, a prefeitura está gerando cerca de 800 empregos para os coarienses, com a realização de diversas obras por toda a cidade, o que injeta dinheiro para as famílias do município”, ressaltou o texto divulgado pela Secretaria de Comunicação Social de Coari.
Verão e cheia
O prefeito de Iranduba, Francisco Gomes – também conhecido como Chico Doido –, atribui a retomada do saldo de postos de trabalho em maio justamente ao polo oleiro. Em depoimentos anteriores, ele havia mencionado que o segmento vinha sofrendo com o desmonte do segmento nos últimos anos e chegou a perder 30% de suas empresas, em função de problemas ambientais no processo produtivo e da alta dos custos.
Na análise do prefeito, a chegada do verão – com a menor incidência de chuvas – está favorecendo a construção civil em geral e as obras públicas em particular, aumentando a demanda por tijolos. O mesmo não pode ser dito do setor hortifrutigranjeiro do município, que ainda sofre os efeitos da cheia e está “no fundo da água”.
“Outro problema é o avanço dos loteamentos, porque muita gente prefere vender terra a investir na agricultura. E o pior é que fizemos um levantamento e verificamos que há muita irregularidade nesses terrenos. Estamos indo atrás dos proprietários para que ajustem sua situação”, concluiu.







