Valor aplicado pelo Penhor cresce 7,32%

Em: 10 de setembro de 2010
Uma das fontes de crédito que está sendo explorada de forma mais intensa neste ano é o penhor. Conforme a Caixa Econômica, o valor aplicado nos sete primeiros meses de 2010 atingiu R$ 77,9 milhões no Amazonas
Uma das fontes de crédito que está sendo explorada de forma mais intensa neste ano é o penhor. Conforme a Caixa Econômica, o valor aplicado nos sete primeiros meses de 2010 atingiu R$ 77,9 milhões no Amazonas

Uma das fontes de crédito que está sendo explorada de forma mais intensa neste ano é o penhor. Conforme a Caixa Econômica, o valor aplicado nos sete primeiros meses de 2010 atingiu R$ 77,9 milhões no Amazonas, um salto de 7,32% sobre o mesmo período no ano passado. Especialistas da área econômica dizem se tratar de uma fonte de crédito bastante utilizada pelas classes C e D, que têm se destacado no mercado consumidor.
O consultor econômico, José Laredo, explica que essas classes estão aproveitando as novas ofertas de bens e serviços do mercado com prazos de pagamentos cada vez mais alongados e juros mensais mais palatáveis. “A tendência a ser mantida na transição de 2010/11”, assegurou.
Relatório do Ministério da Fazenda divulgado em agosto estima que a classe C manterá expansão nos próximos anos. A expectativa, diz o documento, é que o percentual da população nesta faixa cresça 21,5% na comparação de 2010 com 2008. A classe C responde por cerca de 103 milhões de brasileiros. Desde 2002, em torno de 25 milhões deslocaram-se para o meio da pirâmide social.
Na opinião de Laredo, a classe de consumidores tende a se manter em alta decorrente do atual panorama econômico, que caminha para a melhoria do equilíbrio fiscal. É diferente de 2009, quando a economia esteve em baixa por todo o primeiro semestre.
O também consultor e economista, Rodemarck de Castello Branco, explicou que o penhor é uma forma rápida da pessoa física obter recursos, tendo como principais tomadores pessoas de menor renda. Ele ressalta que a ausência de burocracia historicamente induz as pessoas que possuem objetos de valor (prataria, ouro, entre outros) a buscar essa forma de captação, em caso de necessidade urgente de dinheiro.
Contudo, o especialista avalia que o crescimento, quando comparada a outras fontes de financiamento, tem evolução inferior, situação normal considerando que o crédito pessoal cresceu fortemente nos últimos anos, especialmente no caso das consignações. Por outro lado, a tecnologia bancária tem permitido a oferta de crédito aos clientes, a partir de análise prévia de seu cadastro por meio da internet –a maior parte dos empréstimos pessoais é realizada sem o contato com o cliente.

Rapidez e simplicidade

O Penhor da Caixa existe há 150 anos e continua a ser uma linha de crédito atrativa pela facilidade de acesso, rapidez e simplicidade. Para obter o empréstimo, basta a apresentação de documento de identidade, CPF e comprovante de residência, além dos bens que servirão de base para a operação, como relógios, cordão, pulseira e anéis, entre outros –desde que este seja de ouro. Os prazos de contratação variam de um a 180 dias, à escolha do cliente. O limite mínimo é de R$ 50 e o máximo de R$ 100 mil, por cliente. O empréstimo corresponde a 85% do valor de avaliação do bem.
De acordo com a Caixa, caso o cliente não pague o valor no prazo estabelecido, as jóias empenhadas são encaminhadas para leilão. Por ocasião do último leilão realizado pela Caixa, em julho, o gerente de penhor da Caixa, Gladistone Silva, informou que apenas 2% das pessoas que aderiram ao crédito perderam as jóias por não pagarem os juros ou o empréstimo em tempo hábil. Vale destacar que quando isso acontece a Caixa envia aos clientes um comunicado, além de publicar edital de leilão nos jornais de grande circulação do Estado.

Operação é mais procurada por quem está com dificuldades financeiras

Os motivos apresentados para obtenção do crédito a partir do empenho de jóias sempre são os mesmos: pagar contas pessoais. A funcionária pública Joana Garcia diz que sempre se vale dessa modalidade de empréstimo quando está com dificuldades financeiras. Judith Rocha garante que as jóias que herdou da mãe estão constantemente empenhadas. “Já faz parte do meu orçamento doméstico”, admitiu a vendedora autônoma, apontando que os juros para essa modalidade de empréstimo são razoáveis, ou seja, são taxas que vão de 1,5% ao mês a 27,62% ao ano.
Em nível nacional a Caixa realizou 5 milhões de contratos de empréstimos de penhor, com um volume total de R$ 3,36 bilhões, nos primeiros sete meses de 2010. A modalidade de Micropenhor, destinada a pessoas com menor renda, cresceu 44%. O volume de contratações atingiu R$ 836,9 milhões até julho. No mesmo período de 2009, foram contratados R$ 578,8 milhões.
O aumento do valor máximo de concessão do penhor tradicional (de R$ 50 mil para R$ 100 mil), o aumento do limite máximo de contratação do micropenhor (de R$ 1.000 para R$ 1.500) e a valorização do ouro no mercado estão entre os principais fatores para o crescimento do produto”, afirmou o superintendente nacional de Clientes Pessoa Física Renda Básica da Caixa, Humberto Magalhães, por meio de sua assessoria.
Levantamento da Caixa aponta que as mulheres são a maioria dos clientes (74%), sendo 55% na faixa etária dos 35 aos 50 anos. A Região Sudeste concentra 49% das contratações efetuadas, seguida das Regiões Sul (16%), Nordeste (15%), e Centro-Oeste e Norte, cada uma com 10%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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