Veículos importados ‘encalham’ nos pátios

Em: 10 de fevereiro de 2012
Ano difícil para a venda de carros importados em Manaus. Essa é a expectativa das concessionárias da capital em 2012, que mesmo ‘segurando’ o reajuste dos preços -que deve subir de 10% a 20% não vão poder adiar a queda nas vendas a partir de março
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Ano difícil para a venda de carros importados em Manaus. Essa é a expectativa das concessionárias da capital em 2012, que mesmo ‘segurando’ o reajuste dos preços -que deve subir de 10% a 20% não vão poder adiar a queda nas vendas a partir de março

Ano difícil para a venda de carros importados em Manaus. Essa é a expectativa das concessionárias da capital em 2012, que mesmo ‘segurando’ o reajuste dos preços -que deve subir de 10% a 20% não vão poder adiar a queda nas vendas a partir de março.
Seguindo a tendência nacional de queda nas vendas de veículos importados que foi de 40,6% em janeiro, de acordo com dados da Abeiva (Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores) divulgados ontem, o gerente da Braga Motors, Fabrício Venâncio conta que na concessionária, no primeiro mês do ano, a retração chegou a 70% na comparação com dezembro.
Segundo ele, o resultado já era previsto, pois janeiro é mês de férias e a maior parte dos clientes da loja viaja nesse período.
“O que nos preocupa é o aumento de 30% de IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), que a partir de março não poderão mais deixar de ser repassados ao consumidor.
Para ele, as vendas de janeiro comparadas ao mesmo período do ano anterior ainda foram satisfatórias (60% de incremento), “mas apenas porque ainda temos no estoque veículos sem IPI. Vai ser um ano difícil”, constatou.
Os veículos revendidos pela Braga Motors, conforme informações do gerente custam entre $ R$ 100 mil e R$ 600 mil. “Para os clientes interessados em adquirir os modelos que custam acima de R$ 300 mil, o aumento não faz diferença, mas para aquela parcela que quer adquirir um carro que, no momento custa R$ 100 mil e sairá a R$ 120 mil, o aumento do imposto já reflete, mas ainda não temos como mensurar o efeito sobre as vendas”, avaliou.
O supervisor de pós-vendas da concessionária da marca chinesa Chery em Manaus, Fernando Silva, diz que as vendas caíram 20% entre janeiro e dezembro, mas considera a retração razoável. “Mesmo preocupados por enquanto estamos tranqüilos. Ainda temos 15 mil carros no estoque da distribuidora que estão sendo vendidos a preços promocionais. Vamos segurar o preço pelo maior tempo possível para retardar a fase ruim”, revelou.

Medida aprovada

Para o vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Júnior, a medida do governo federal de manter o aumento do imposto até o final de 2012 foi acertada. “Com a supervalorização do real frente ao dólar no ano passado, os consumidores estavam adquirindo muito mais carros importados, prejudicando a indústria nacional. Acontece que apesar de o valor do dólar estar aparentemente sob controle, a especulação financeira é muito forte e pode fazer o valor da moeda cair a qualquer momento. Acredito que esse ano servirá para o governo aguardar que esse equilíbrio seja consistente”, avaliou.
O economista também discorda do tratamento diferenciado pedido pelas montadoras que desejam a não-incidência do imposto caso se comprometam a se instalar no país nos próximos anos. “Seria injusto com as fabricantes que já estão no país gerando emprego e renda. Além disso, de nada valeria as ações protecionistas às fabricantes nacionais”, finalizou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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