As vendas das concessionárias amazonenses de veículos quase não se moveram em novembro. O Estado somou 6.679 emplacamentos, 1,14% a menos do que em outubro (6.655), que teve três dias úteis a mais. O mês foi de reação nas lojas de automóveis, após dois meses de baixa. Mas, houve desaceleração na divisão de motocicletas. O confronto com o dado de 12 meses atrás (6.500) indicou incremento de apenas 1,22%. No acumulado do ano, o segmento ainda mantém uma vantagem de 14,17% sobre os resultados do mesmo período de 2022, totalizando 68.802 unidades comercializadas.
Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) e levou em conta todos os tipos de veículos – incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.
O Amazonas seguiu a média nacional, que mostrou números mais robustos. Novembro registrou licenciamento de 361.206 veículos em todo o país, com retração de 3,78% frente ao mês anterior (375.410). O saldo se manteve 5,35% mais elevado do que em 2022 (342.869). Em 11 meses, as vendas expandiram 12,35%, totalizando 3.707.996 licenciamentos. Em comunicado à imprensa, a Fenabrave atribuiu a desaceleração mensal à diferença de dias úteis e avaliou que houve melhora no ambiente de crédito para o setor, diante da redução dos juros. Mas, manteve a projeção de crescimento de 3,3% para 2023.
Automóveis x motocicletas
Em novembro, quatro das sete categorias listadas pela Fenabrave teve expansão de vendas no Amazonas, na variação mensal. O melhor desempenho veio do segmento minoritário de “outros veículos”, como tratores, máquinas agrícolas e carreta, que escalou 10,81%, com apenas 41 unidades comercializadas. Também foi um mês de recuperação para ônibus (+9,09% e 60), comerciais leves (+4,68% e 648) e automóveis (+3,78% e 1.646). Na outra ponta, implementos rodoviários (-25,93% e 20), caminhões (-6,67% e 84) e motocicletas (-3,80% e 4.080) amargaram quedas.
A situação foi semelhante na comparação com o mesmo mês do ano passado, com os crescimentos se limitando aos ônibus (+275%), comerciais leves (+52,83%), automóveis (+12,59%) e “outros” (+7,89%). Um número ainda menor de categorias conseguiu fugir do vermelho, no aglutinado de janeiro a novembro. Nesse cenário, as altas se restringiram às motocicletas (22,39% e 44.435) e aos comerciais leves (+22,22% e 6.353).
Mesmo com a nova oscilação nas vendas, as motocicletas voltaram a aumentar a diferença em relação aos veículos de quatro rodas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, avançando de 60,25% (2022) para 64,58% (2023), no comparativo do acumulado do ano. Em sentido contrário, a soma dos automóveis e comerciais leves reduziu novamente sua fatia na mesma comparação, com 32,76% (2023) contra 36,23% (2022).
Acesso ao crédito
O segmento automotivo ainda se ressente de um programa de incentivos para chamar de seu, e isso se reflete na capacidade de oferta da indústria, conforme se verifica pelos dados da Anfavea. Apesar do crescimento das vendas, as fabricantes de veículos registraram queda de 3,1% (199,8 mil) na produção, na comparação de outubro com o mesmo mês do ano passado. Na comparação com setembro, a diminuição foi de 4,4%. O resultado foi influenciado pela greve, no fim de outubro, nas fábricas paulistas da General Motors contra demissões anunciadas pela montadora – revertidas por determinação da Justiça do Trabalho.
O maior gargalo, no entanto, ainda é o crédito. Dados da Anefac mostram que, embora tenham parado de subir, os juros do DC para veículos ainda não retomaram nem o patamar de 12 meses atrás, com taxas de 2,06% ao mês e 27,72% ao ano. Em entrevistas recentes à reportagem, o gerente regional de Seminovos do Grupo Revemar, Rubem Lima, disse que o maior problema está nas restrições bancárias, em função da inadimplência. “O crédito só costuma sair para o cliente com perfil AA, com as dívidas em dia e renda adequada”, frisou.
O executivo destacou que o panorama melhorou no breve período de concessão de incentivos federais, mas a inadimplência seguiu elevada, dificultando os empréstimos. “Teremos uma ‘ressaca’ desse incentivo e a estratégia é chamar atenção do consumidor para isso, uma vez que os descontos vêm agora das montadoras. Mas, nossas expectativas são boas, temos de ser otimistas”, avaliou.
Também em entrevistas anteriores, o gerente geral da Cometa Motocenter, Agno da Silva Montalvão, concordou que o resultado não é melhor em função da restrição de crédito. “O apetite de compra das pessoas não caiu, porém muitos estão negativados. Mas, as expectativas são ótimas. A taxa de juros tende a cair e o governo está com ações para limpar nomes [o programa Desenrola]. A fábrica está com a promessa de produzir mais motos, então, esperamos crescer em torno de 15%”, afiançou.
“Dias úteis”
Em texto divulgado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, salientou que novembro teve três feriados – dois a mais que em outubro –, o que ajuda a explicar a desaceleração mensal das vendas. “Tivemos Estados importantes, como São Paulo, com apenas 19 dias úteis, o que afeta o número de emplacamentos. Mas tivemos sinais positivos, como o aumento das vendas diárias, que nos apontam que o resultado teria sido outro se não houvesse esses feriados no mês”, ressaltou.
Ao citar dados do Banco Central, que apontam recuo de 0,1 ponto percentual na inadimplência para aquisição de veículos e aumento de 1,1% no volume de transações da modalidade de financiamento, o dirigente avaliou que o cenário melhorou, com taxas de juros “mais atraentes” ou menor restrição aos financiamentos. “Notamos queda nas taxas de juros e melhora no ambiente de crédito, devido à menor inadimplência e à queda na taxa de desocupação. Isso pode ter ajudado a destravar o mercado, especialmente, no varejo, para pessoas físicas”, analisou.
José Maurício Andreta Júnior assinala que automóveis e comerciais leves têm se mantido “acima do volume médio de 2022”, e vendas acima da média no “mercado em consolidação” dos carros eletrificados. No caso das motos, o presidente da Fenabrave diz que a demanda segue aquecida e que a meta de 1,6 milhão de veículos pode ser rompida neste ano. “A última vez em que vivemos passamos dessa barreira foi em 2013, quando o mercado vivia momento diferente. Os resultados poderiam ser ainda melhores, se não fosse a seca na ZFM, que comprometeu o transporte de algumas marcas”, concluiu.






