Custo da construção no Amazonas desacelerou

Em: 11 de novembro de 2022

O custo da construção civil do Amazonas desacelerou, entre setembro e agosto, mas voltou a subir. O preço do metro quadrado passou de R$ 1.639,92 para R$ 1.650,43, o equivalente a uma elevação de 0,64%. O índice de reajuste estadual veio mais ameno do que o do mês anterior (+0,71%), mas superou novamente o dado nacional (+0,38%), além de deixar para trás o IPCA, que desta vez voltou a pontuar inflação (+0,59%). Os dados são da pesquisa mensal do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.

O aumento, desta vez, se concentrou no custo da mão de obra, que pontuou 1,69% de acréscimo, em resultado oposto ao do levantamento precedente (-0,90%). Com isso, os dispêndios médios das construtoras amazonenses para esse fim aumentaram de R$ 629,42 para R$ 640,09. Em contraste, o custo dos insumos (R$ 1.010,34) ficou 0,01% aquém do valor contabilizado em setembro (R$ 1.010,50), configurando estabilidade. Foi um desempenho bem mais palatável para as construtoras, em face da escalada anterior (+1,74%). 

A taxa registrada pelo Amazonas no Sinapi superou novamente a inflação oficial, conforme o mesmo IBGE. Pressionado pelos reajustes de preços dos itens de vestuário e alimentação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo subiu 0,59%, interrompendo a sequência de quedas experimentada em julho (-0,68%), agosto (-0,36%) e setembro (-0,29%). O IPCA do acumulado no ano (+4,70%) voltou a perder para os indicadores local (+13,23%) e nacional (+10,64%) do custo da construção civil. Em 12 meses, as correções dos dispêndios (+15,54% e +12,41%, na ordem) também superaram a inflação oficial (+6,47%).

Mesmo com o índice de reajuste acima do apresentado pela média brasileira (+0,38%), a taxa de aumento do custo do metro quadrado registrada pelo Estado (+0,64%) caiu do quinto para o sexto lugar do ranking nacional. Mato Grosso (+4,89%), Roraima (+3,64%) e Alagoas (+2,64%) dividiram o pódio, enquanto Bahia, Minas Gerais (-0,10%) e Ceará (-0,08%) aparecem na base dos seis resultados negativos registrados em todo o país. No acumulado do ano, o Amazonas (+13,23%) permaneceu na quinta colocação, em uma lista liderada novamente pelo Mato Grosso (+20,45%) e encerrada pela Bahia (+7,92%). Em 12 meses (+15,54%), subiu da oitava para a sexta colocação. Mato Grosso (+22,13%) e Bahia (+9,38%) também protagonizaram os extremos, neste caso.

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.650,43) segue abaixo do valor da média nacional (R$ 1.675,46), embora venha reduzindo essa diferença nos últimos meses. Caiu da 14ª para a 15ª posição, entre os maiores valores do país – e aparece na sexta colocação da região Norte. Os maiores valores estão em Santa Catarina (R$ 1.888,26), Rio de Janeiro (R$ 1.840,63) e Acre (R$ 1.800,13). Na outra ponta, os dispêndios médios mais baixos se situaram novamente em Sergipe (R$ 1.471,81), Alagoas (R$ 1.510,03) e Piauí (R$ 1.511,46).

A virtual estabilidade no custo de materiais (R$ 1.010,34) levou o Estado a se segurar na 13ª posição do ranking, embora tenha superado mais uma vez a média nacional (R$ 1.000,36). Acre (R$ 1.172,11), Mato Grosso (R$ 1.111,24) e Tocantins (R$ 1.096,43) ficaram no topo, enquanto Alagoas (R$ 930,02), Sergipe (R$ 935,07), e Espírito Santo (R$ 947,42) ficaram nas últimas colocações. Com a alta no custo da mão de obra (R$ 629,42), o Amazonas galgou do 12º para o nono lugar, em uma lista com o valor mais elevado, em Santa Catarina (R$ 863,48) e o mais baixo, em Sergipe (R$ 536,74). A média brasileira ficou em R$ 675,10.

Pandemia e estabilidade

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou à que os dados do Sinapi para setembro já indicavam que as altas nos passivos da construção amazonense não devem arrefecer nos próximos meses. O pesquisador acrescentou ainda que já são dois anos e meio seguidos de aumentos nos preços do metro quadrado da construção do Amazonas, mas reforçou que o Estado não está sozinho nesse movimento. 

Em contraste, o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira, destaca que, pelo segundo mês consecutivo, a taxa nacional do Sinapi configurou o menor resultado registrado desde julho de 2020, além de pontuar um número muito abaixo do contabilizado em outubro de 2021 (+1,01%). “Estamos captando um ritmo de desaceleração em relação ao período da pandemia de covid-19, o que vem trazendo o índice para patamares mais próximos da série histórica pré-pandemia”, avaliou o pesquisador, em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE.

Já o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, avaliou que, a despeito das oscilações, a tendência é de estabilidade para o custo dos materiais. O dirigente acrescentou que a tendência histórica da mão de obra é se manter estável até julho, mês da Convenção Coletiva de Trabalho. Mas, observou que já foram aplicados 8% em cima dos salários de julho, e que está previsto um novo reajuste de 3,92%, em janeiro. 

Frank Souza lembrou ainda que, dependendo do estágio de acabamento das obras em curso no Amazonas, a demanda por um profissional mais especializado pode contribuir para uma elevação na média dos salários do setor. “Pode ser que a maioria das obras esteja nesse estágio, e tenha puxado o valor da cesta para cima”, concluiu.

Reportagem: Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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