Segmentos de comércio e indústria apoiam créditos para eletrodomésticos

Em: 25 de julho de 2023
Possibilidades em análise são desonerações, linhas de crédito, vouchers, entre outros

A sugestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com medidas de estímulo ao setor de eletrodomésticos da linha branca, traz expectativa para o comércio e a indústria. Isso porque as restrições ao acesso a crédito e juros altos, estão entre os fatores que impedem o crescimento das vendas no varejo. 

Os segmentos defendem que os impactos seriam positivos. Para a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), a redução na taxa de juros é um dos principais obstáculos para a retomada das vendas no setor. “Com maior estabilidade na inflação, nos custos das matérias-primas e do frete, reduzir os juros passa a ser uma prioridade para todo o setor produtivo”, destaca o presidente-executivo da entidade, Jorge Nascimento. 

Conforme o executivo, a alta nos juros impacta especialmente nas vendas dos produtos de grande porte, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupas, por exemplo, que são vendidos majoritariamente financiados. O mesmo acontece com televisores. “As dificuldades no acesso e o custo do crédito prejudicam a indústria e o varejo”, complementa.

“Estamos construindo uma proposta de política pública focada na sustentabilidade que proporcione o uso por parte do consumidor de produtos mais eficientes no consumo de energia e água, colaborando para minimizar riscos de crise hídrica e energética e fazendo com que a população pague menos na sua conta de água e energia elétrica. Assim que concluirmos vamos levar ao Mdic para avaliação do governo”, disse. 

Segundo ele, ainda não há uma definição de como a política será operacionalizada. Mas existem várias possibilidades em análise, como desonerações, linhas de crédito, vouchers, entre outros.

A indústria nacional já produz eletrodomésticos mais eficientes, mas a população não tem acesso facilitado a esses produtos. “E a nossa proposta é criar uma política pública de Estado que propicie esse acesso. Com isso enfrentaremos a crise energética e hídrica; daremos um incremento na economia (indústria e varejo); fortaleceremos a logística reversa com a destinação adequada dos produtos velhos; e no final a população brasileira pagará menos conta de energia e conta de água. Ou seja, alcançamos vários pontos relevantes em uma política pública sustentável.

Para a ZFM, ele considera que haverá a possibilidade no incremento de produtos como ar-condicionado, micro-ondas e televisores, por exemplo.

Para o varejo, o estímulo ao crédito dos itens essenciais de linha branca -como geladeira, fogão e máquina de lavar roupa -é um grande impulso para o mercado. 

“Qualquer fomento que se conceda à indústria reflete no comércio que fica na ponta comercializando. Indústria e comércio se complementam, pois considerando que um fabrica, mas precisa do outro para vender”, complementou o presidente do Sindivarejista AM,  Teófilo Gomes. 

A Whirlpool, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, acha válida a proposta mencionada pelo presidente Lula, interpretada pela companhia como “abertura de crédito para compra de eletrodomésticos”. Em entrevista ao Broadcast Notícias, o vice-presidente de Jurídico, Compliance e Assuntos Corporativos da companhia para América Latina, Bernardo Gallina, também cita a eficiência energética como justificativa.

“É importante que o debate sobre esse assunto tenha voltado à pauta. Enxergamos essa iniciativa de forma muito clara: tornar os eletrodomésticos acessíveis gera um impacto positivo não só na sociedade, oferecendo mais qualidade de vida e dignidade para as famílias, mas também estimula a economia, geração de emprego, renda e arrecadação do setor”

Segmentos de comércio e indústria apoiam créditos para eletrodomésticos - B1b
Presidente executivo da Eletros, Jorge Nascimento

O setor em números
O setor de Linha Branca, representado, principalmente por geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupas, registrou alta de 4% nas vendas do primeiro semestre de 2023 em comparação com os primeiros seis meses de 2022, um dos piores períodos da década.

No ano passado, neste período, foram comercializadas 6,06 milhões de unidades em relação às 6,28 milhões de unidades neste ano.

Adquiridos majoritariamente por meio de financiamentos e operações de crédito, os produtos da Linha Branca sentem de forma bastante aguda o impacto das elevadas taxas de juros, segundo a Eletros.

“Temos uma fatia de 24% dos nossos consumidores, constituída por famílias de baixa renda, que deixaram de comprar na última década”, destaca Nascimento.

Para a Eletros, o Poder Público, a exemplo do que já fazem diversos países ao redor do mundo, deveria investir em políticas públicas para facilitar a inclusão desta fatia da sociedade no mercado consumidor novamente, promovendo o amplo acesso.

A linha branca foi um dos setores mais impactados pelas diversas intercorrências registradas na pandemia como alta da inflação, aumento nos custos dos insumos e dos fretes internacionais, problemas logísticos, entre outros fatores.

“Nossa indústria tem demonstrado resiliência e confiança no futuro do país, no entanto, é necessário construirmos um ambiente econômico mais positivo para que o consumo impulsione o crescimento da economia”, pondera.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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