Mel da Jandaíra conquista o Brasil

Em: 30 de novembro de 2023

A Jandaíra (Melipona seminigra) é uma espécie de abelha amazônica, sem ferrão, amplamente distribuída pela Amazônia brasileira. Pois no domingo, 26, o pequeno inseto fez história. Durante o 23º Congresso Brasileiro de Apicultura e o 9º Congresso Brasileiro de Meliponicultura, realizados em Brasília, o mel da Jandaíra produzido pela ‘Feira do Mel – Flor do Amazonas’ foi escolhido como o melhor mel do Brasil.

“O Congresso durou três dias e nós levamos o nosso mel para vender e divulgar a marca. Nem sabíamos do concurso para a escolha do melhor mel. Quando faltavam uns 20 minutos para encerrar as inscrições, vieram nos perguntar se queríamos participar. Nos inscrevemos, e qual não foi a nossa surpresa quando na divulgação do resultado, ficamos em primeiro lugar”, contou Sâmia Brenda de Souza Leite, filha de Francisco Gilmar Leite, proprietário da ‘Feira do Mel – Flor do Amazonas’.

“Meu pai não viajou a Brasília, mas ficou assistindo tudo ao vivo pelo Instagram. Foi emocionante. Todos nós, da equipe da empresa que estava em Brasília, comemoramos bastante essa conquista que é motivo de orgulho para os amazonenses”, completou.

A história de Gilmar já foi contada no Jornal do Commercio. Nascido no Rio Grande do Norte, ele está no Amazonas há 37 anos. No Nordeste, Gilmar trabalhou com abelhas e mel.

“Antes de vir para Manaus, meu pai já tinha sido extrator de mel no Piauí, no Apiário Wenzel, uma referência em apicultura no Nordeste”, lembrou Sâmia.

Em Manaus, a trajetória de Gilmar com o mel começou no dia em que ele foi ao mercado Adolpho Lisboa e, vendo umas garrafas com o produto à venda numa banca, perguntou o preço. Achou um absurdo. Ainda assim, conhecedor de mel de qualidade, pediu para degustar a bebida e teve outra decepção. O mel era de baixa qualidade, inclusive estava adulterado.

Sem ferrão

“Ele resolveu pesquisar em outros locais, como feiras e, ao final de uma semana de ‘degustações’, concluiu que Manaus carecia de mel puro. Foi então que decidiu que quem deveria produzir e vender mel de qualidade seria ele”, falou Sâmia.

“Naquele período meu pai era borracheiro, e a oficina onde trabalhava havia fechado as portas. Ele comprou um livro sobre apicultura e, aprimorando a experiência que tinha trazido do Piauí, começou a pôr em prática a ideia de criar abelhas”, revelou.

Assim surgiu a ‘Feira do Mel – Flor do Amazonas’ trabalhando primeiramente com abelhas africanizadas com ferrão (apicultura) e depois com abelhas sem ferrão (meliponicultura).

As abelhas africanizadas resultaram dos cruzamentos entre a conhecida abelha africana e raças europeias. Elas têm grande facilidade de enxamear, alta produtividade, são mais resistentes a pragas e doenças, e indicadas para a produção de mel e própolis. Já as abelhas sem ferrão não oferecem risco, podendo ser criadas em áreas próximas de pessoas e animais, porém, ao se sentirem ameaçadas, podem morder olhos, orelhas, nariz e se enrolar no cabelo do invasor. Sua produção de mel é bem menor.

Também conhecida como ‘Uruçu Boca de Renda’, a Jandaíra é a espécie sem ferrão de maior incidência na Amazônia. A maturação natural de seis meses, do seu mel, permite a evolução no sabor e a manutenção das propriedades medicinais. Por ser colhido de diferentes colônias, em várias floradas, pode ter sabor, cor e aroma diversificados, e ser ingerido in natura, além ser ótimo em molhos para saladas, sucos e doces, e mesmo no preparo de carnes, sendo ideal com peixes, pelo teor de acidez que apresenta.

O mel da Jandaíra já era consumido pelas populações ameríndias antes mesmo da invasão européia da América Latina. Atualmente a maior parte da meliponicultura na Amazônia é realizada pela agricultura familiar.

Arte Amazonas

“Este congresso foi o primeiro do qual participamos, com um estande, e já trouxemos para casa os prêmios de melhor mel e melhor estande de vendas. A organização do evento disse que o nosso estande foi o mais visitado e elogiado. Distribuímos mais de 20 mil sachês de mel e xarope”, disse.

A certificação pelo SIE-AM (Selo de Inspeção Estadual) e o selo Arte Amazonas, conquistados ano passado, ampliaram consideravelmente o alcance da empresa, permitindo que o mel da ‘Feira do Mel – Flor do Amazonas’ seja apreciado em todo o Brasil, tornando-a uma referência nacional.

“Queremos agradecer o apoio que sempre tivemos da Sepror (Secretaria de Estado de Produção Rural) e suas unidades vinculadas: Adaf (Agência de Defesa Agropecuária e Florestal); ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável); e Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável), além do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Com essa conquista, o mel do Amazonas é mais um produto de excelência que sai do Estado para todo o Brasil”, afirmou.

A ‘Feira do Mel – Flor do Amazonas’ tem colônias de colmeias espalhadas em terrenos e sítios de parceiros na BR 174 e na AM 010. O mel in natura é trazido até a empresa, no Santa Etelvina, onde é processado e engarrafado em embalagens de diversos tamanhos. 

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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