Dois motores em sincronia

Em: 11 de dezembro de 2025

O mercado de trabalho no Amazonas encerra outubro de 2025 em um dos momentos mais sólidos da sua trajetória recente. Os dados do CAGED indicam que o estado alcançou 574.167 empregos formais, o maior patamar desde o início da década. O setor de Comércio e Serviços, responsável por 392.778 empregos, mantém posição dominante e representa 68,4% da força de trabalho formal, consolidando-se como o eixo central da atividade econômica regional. O crescimento contínuo deste setor tem sustentado a expansão do mercado interno e demonstrado resiliência frente às oscilações macroeconômicas nacionais.

O mês de outubro, no total, registrou 25.172 admissões e 23.974 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 1.198 vagas. Embora o ritmo de crescimento seja moderado, a consistência da trajetória ascendente ao longo de 2025 é o principal destaque. Apenas no segmento de Comércio e Serviços, foram criadas 1.259 novas vagas no mês, reforçando o papel deste setor como motor de estabilidade e expansão gradual, fenômeno que se mantém desde a retomada pós-pandemia. Trata-se de uma base econômica madura, que ainda assim segue gerando empregos em ritmo firme.

A indústria do Amazonas também apresenta sinais concretos de fortalecimento. O setor, que responde por 25,2% dos empregos formais do estado, registrou saldo positivo de 247 vagas em outubro e mantém trajetória de recuperação iniciada em 2024. No comparativo anual, o crescimento de 5,46% evidencia que as cadeias produtivas do Polo Industrial de Manaus ganharam estabilidade, com melhora nos níveis de produção e reorganização das linhas industriais. Em um ambiente historicamente sujeito a custos logísticos e desafios regulatórios, esse avanço indica um ciclo produtivo mais robusto.

Um dos elementos mais relevantes da análise estrutural é a diferença — e ao mesmo tempo a convergência — entre o crescimento do setor terciário e o avanço da indústria. Entre 2020 e 2025, Comércio e Serviços apresentou um CAGR (taxa de crescimento anual) de 6,35%, enquanto a Indústria registrou 6,23%. A proximidade entre esses indicadores revela um fenômeno raro: os dois principais pilares da economia amazonense cresceram praticamente à mesma velocidade ao longo de cinco anos. O comércio amplia sua liderança a partir de uma base muito maior, enquanto a indústria avança proporcionalmente no mesmo ritmo, reforçando a capacidade produtiva do estado. Em termos estruturais, isso indica que a economia se expandiu de maneira equilibrada, sustentada tanto pelo consumo quanto pela produção.

As variações anuais reforçam essa leitura de fortalecimento simultâneo. Na comparação entre outubro de 2024 e outubro de 2025, os setores exibem crescimento consistente: 3,34% em Comércio e Serviços e 5,46% na Indústria. Essa dinâmica favorece o ambiente de negócios, aumenta a confiança empresarial, estimula investimentos e gera efeitos multiplicadores sobre renda, consumo e produtividade. A complementaridade entre setores urbanos e produtivos torna a economia menos vulnerável a choques e mais preparada para sustentar ciclos de expansão no médio prazo.

No conjunto, os números de 2025 revelam um mercado de trabalho mais resiliente, diversificado e com bases estruturais fortalecidas. A força do setor de Comércio e Serviços garante estabilidade e volume, enquanto a indústria demonstra vigor renovado e tendência de crescimento sustentado, como evidencia seu CAGR quase idêntico ao do setor terciário. Com fundamentos sólidos e um mercado de trabalho em expansão contínua, o Amazonas encerra o ano com perspectivas positivas para 2026, apoiado em uma economia que cresce de maneira equilibrada, distribuída e voltada para novos ciclos de desenvolvimento. Resta agora termos, no ambiente macroeconômico, uma política fiscal que colabore com os nossos dois motores que estão em sincronia.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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