A vocação do bioma Amazônico: bioeconomia

Em: 6 de março de 2026

Quando o economista Nicholas Georgescu-Roegen estabeleceu que os serviços da natureza, como energia solar, o solo fértil, combustíveis fósseis, as seivas e óleos arbóreos como exemplo teriam que importância nos cálculos econômicos e influência sobre a capacidade de produção e sobrevivência de gerações futuras.  Assim, se estabeleceu os princípios fundamentais de bioeconomia.

Daí em diante e com os impactos das mudanças climáticas, as noções da bioeconomia como um paradigma complexo, haja vista ser os recursos naturais finitos, diante dos aspectos sócio, econômico, ambientais.  O Programa para o Meio Ambiente da ONU (Organização das Nações Unidas) dita que a Bioeconomia está associada ao bem-estar da humanidade minimiza as desigualdades sociais, reduz riscos ambientais.

Quanto à economia, a utilização de recursos naturais nos aspectos da bioeconomia, não deve ser dissociada de vantagens como agregação de valor de commodities e desenvolvimento tecnológico, como na biotecnologia, fitofármacos, fitocosméticos.

Para os especialistas o Bioma Amazônico é preponderante para a Bioeconomia, determinante no planejamento de governos estaduais amazônicos, em parcerias com a agricultura familiar, extrativistas, pescadores artesanais e diversos segmentos de atividades econômicas, de forma que, se estruture cadeias produtivas que possibilitem alcançar cadeias de valor às resultantes produtivas da bioeconomia.

Ressalte-se que a bioeconomia da biodiversidade corresponde a um conjunto de atividades econômicas tendo como base conhecimentos científicos e tradicionais locais e a extração limitada pela biocapacidade produtiva do bioma.

A bioeconomia valoriza a floresta em pé, os rios e todos os elementos naturais, os sistemas agroflorestais que podem garantir cadeias produtivas baseadas na biodiversidade.

Nestas cadeias destacamos produtos como açaí, castanha-do-pará, palmito de pupunha, tucumã, pupunha, óleos naturais, cupuaçu, mel de abelhas nativas, abacaxis, pescados e borracha de seringueira, etc. Contribuindo, assim, para a criação de empregos com geração de renda, que os especialistas pautam que desse modo a bioeconomia contribui para a conservação ambiental, para o bem-estar das comunidades tradicionais e levam ao desenvolvimento econômico regional.

Como se denota na Amazônia atualmente, as atividades econômicas que se pode identificar como de bioeconomia são atividades informais, de baixo valor agregado e subvalorizadas. Como essas atividades ainda são de baixa contribuição no Produto Interno Bruto (PIB) dos estados amazônicos não mensurou o grande potencial econômico desse segmento para alcançar essa transição.

No Bioma Amazônico a Bioeconomia, além do extrativismo, pode ser analisada pelo prisma da biotecnologia, haja vista, que a Amazônia detém 20% da biodiversidade global, como os microrganismos, fungos, etc que podem ser fonte de soluções em termos de desenvolvimento de medicamentos de prevenção e tratamento de doenças tropicais, produção de energia limpa e redução de impactos ambientais.

Com toda essa abundância de biodiversidade pode ser considerada como importante ativo econômico, que acarretaria inúmeras oportunidades de negócios, desde que respeitadas às práticas e legislação para proteção e conservação do meio ambiente.

A estratégica de economia sustentável é muito mais do que mero extrativismo, ao levar em conta a existência de várias Amazônias com diferentes nichos econômicos estabelecidos ou potenciais, grande diversidade cultural e níveis de conservação florestal.

A valorização econômica da floresta em pé e a remuneração do conhecimento tradicional em contexto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) são aspectos fundamentais para o fortalecimento da bioeconomia no bioma amazônico.

Como conhecem os especialistas a transição para uma bioeconomia baseada na floresta em pé e na restauração de ecossistemas demanda investimentos, regulação adequada e integração entre políticas públicas. Contudo, a bioeconomia pode ser a atividade de vocação de toda a Amazônia, sendo essencial, no entanto, o desenvolvimento de políticas públicas para fortalecer as cadeias produtivas que utilizam os recursos naturais de forma responsável e consciente.

Os especialistas sabem que a indução de ‘modelo’ de desenvolvimento econômico regional apresenta aspectos de muitas dificuldades, portanto em uma análise preliminar, pode-se perceber a complexidade que o desenvolvimento da bioeconomia no Bioma Amazônico implica principalmente, quando se observam as forças positivas, onde se constata que a Amazônia detém enormes potencialidades, com sua vasta biodiversidade e alta disponibilidade de recursos naturais (A Amazônia brasileira corresponde a 59% das florestas tropicais do mundo e 20% da água doce do planeta).

Por outro lado, os aspectos negativos ou pontos fracos são ausências de politicas publicas por parte de governos assim como setores privado precisam demonstrar interesses em desenvolver áreas da bioeconomia na Amazônia.

Também se deve observar e controlar que nesse campo, se originam práticas predatórias no uso dos recursos naturais nessa Região.

O cenário pós-pandemia do COVID e as polarizações politica ideológicas bem como o acirramento de efeitos das mudanças climáticas impõem ao Brasil o grande desafio de empregar todo seu potencial de desenvolvimento sustentável.

E, a bioeconomia como projeto de desenvolvimento econômico, notadamente no Bioma Amazônico (em especial no estado do Amazonas) constitui elemento fundamental nesse esforço, uma vez que, se constata que mais de 47% da população do Amazonas vive abaixo da linha de pobreza, aponta IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Focando no caráter ambientalmente sustentável da economia brasileira se pode projetar, o reconhecimento de que a Amazônia e o Amazonas em particular, com suas florestas e rios, representam grande oportunidade para uma nova economia, em que a preservação e o uso racional de recursos naturais conferem vantagem futura e sustentável, econômica e ambiental.

 

(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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