É de extrema importância que Manaus inicie seu já tardio processo de implantação de um Sistema de Transporte de Massas. Contudo, é oportuno observar o que outras cidades já experimentaram, pois aprender com os acertos e erros antecedentes, poderá nos ajudar a extrair a melhor solução a ser adotada em nossa cidade.
A primeira pergunta que se faz é a óbvia: o Sistema em monotrilho elevado em todo trajeto é o mais indicado?
O que se observa ao redor do mundo é que dentro das opções usuais (ônibus articulado, bonde, monotrilho, trem, trem de alta velocidade), o monotrilho de superfície é muito mais utilizado como transporte de alta capacidade, na ligação de altas concentrações de passageiros em conexão com sistemas de transportes de massas do que propriamente como transporte de massa. A ligação de um grande aeroporto ao sistema de metrô da cidade ou às suas linhas ferroviárias. Ou seja, mais como alimentador de linhas do que como sistema final.
No caso de Manaus, onde as informações divulgadas apontaram para um número de 7 estações ao longo de 13,6 km, outro ponto chama a atenção. A provável baixa rotatividade do percurso, o que deverá levar a uma dificuldade de manutenção da tarifa aos níveis pretendidos sem que para isso se lance mão de subsídios em larga escala.
Um outro aspecto a considerar, é o da inserção física da estrutura do monotrilho e suas estações, principalmente o trecho entre a Rua Leonardo Malcher e a Praça da Matriz. Nas imagens divulgadas junto com o projeto, nota-se sempre ruas largas com calçadas amplas, o que afastaria a estrutura dos prédios, algo que definitivamente não é a realidade de nossas ruas, principalmente no trecho citado.
O que sabemos sobre outras cidades que no passado adotaram soluções semelhantes, embora com outros tipos de veículos, é que hoje estão gastando imensas somas de dinheiro com a demolição destas vias para a adoção de outras soluções.
Podemos citar Osaka no Japão, Seul na Coréia, Boston nos EUA, todas elas chegaram a conclusão que o valor perdido com a desvalorização do patrimônio edificado da cidade, ou seja, degradação dos logradouros, aumento de insegurança, deslocamento não previstos de atividades (o que gera a necessidade de mais investimentos), tudo isso junto não foi compensado com implantação dos sistemas de transportes.
O alívio momentâneo não se consolidou com o passar dos tempos. Para ficar em um exemplo doméstico nos chegam notícias de que o famoso “Minhocão” de São Paulo (via elevada do governo Maluf) será demolido para permitir a recomposição do patrimônio imobiliário e a qualidade de vida no trajeto.
Finalizando, acredito que são considerações que devem ser levadas em conta para que se possa garantir que o enorme investimento necessário para implantar o sistema de transporte, tenha êxito e não venha no futuro se tornar mais uma fonte de problemas em busca de solução competente para cidade.
O Sistema em Monotrilho elevado em todo trajeto é o mais indicado?
Em: 14 de julho de 2010
É de extrema importância que Manaus inicie seu já tardio processo de implantação de um Sistema de Transporte de Massas
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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