História da família Meirelles é tema de livro

Em: 29 de fevereiro de 2008
Uma das irmãs escreveu e os outros três ajudaram com suas lembranças dos fatos da época.
Uma das irmãs escreveu e os outros três ajudaram com suas lembranças dos fatos da época.

Uma das irmãs escreveu e os outros três ajudaram com suas lembranças dos fatos da época. Assim surgiu o livro “Ecos da Saudade – Lembranças da Família Meirelles”, de Edda Meirelles da Silva.
“Ecos da Saudade” conta a história da família Meirelles na cidade de Parintins dos anos de 1930 e 1940, sob a ótica das irmãs Joannita, 79; Edda, 77; Raimundinha, 75; e Ubaldino, 74.
Ubaldino, apesar de ser o mais novo e o único homem do grupo, foi quem recebeu as luzes da mídia no dia do lançamento do livro porque há algumas décadas é figura pública em Manaus após ter sido superintendente do INSS por doze anos e deputado federal de 1979 a 1987, mas ele confirma que os créditos da obra são inteiramente da irmã.
Mesmo sendo o primeiro livro de Edda, ela atua como uma escritora veterana, através de um texto suave e leve que faz com que o leitor, em uma única leitura, queira “devorar” as interessantes e curiosas histórias descritas nas quase 400 páginas da obra, que além de tudo vem recheada de fotografias dos Meirelles. Segundo Ubaldino, eram tantos os Meirelles em Parintins que ele nunca soube quantos formavam a família.
Mas uma coisa é certa, todos gostavam de se reunir e promover festas e diversão, descritas no livro.
O ponto de partida de “Ecos da Saudade” é o casal Thomaz Antônio da Silva Meirelles e Joanna Patrício de Meirelles, os avós de Edda e seus irmãos, mas quem chama a atenção logo de cara, nas primeiras páginas do livro é o tenente Benjamin da Silva, um tio da mãe dos quatro irmãos que foi lutar na Guerra do Paraguai (1865 a 1870) e lá morreu. A foto, em trajes militares, do tenente Benjamin, nascido ainda na Villa Bella da Imperatriz, é a mais rara do acervo.

Atravessando
gerações

Aliás, lutar e morrer pela pátria ou por ideais políticos parece ser a sina de alguns dos Meirelles, como o tenente Thomaz Antônio da Silva Meirelles Filho, que morreu durante a Intentona Comunista de 1935, no Rio de Janeiro, ou Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto, ou simplesmente Thomaz Meirelles, o único amazonense a morrer nos porões da ditadura militar pós golpe de 1964.
Thomaz Meirelles militou nos grupos armados de esquerda que iam de encontro ao governo militar e depois de ser preso, torturado e libertado, desapareceu, sem deixar vestígios, em 1974, e nunca mais se soube de seu paradeiro.
Outra característica da família com a qual o leitor deve tomar cuidado ao ler o livro, para não se confundir, é o nome Thomaz. Ele vai aparecer desde o começo, com o patriarca nascido em 1886, e vai ser utilizado por outros membros da família ao longo das gerações. Até hoje tem Meirelles nascendo e sendo batizado com o nome de Thomaz.
Mas o gostoso de “Ecos da Saudade” é a viagem imaginária que se faz aos tempos felizes de uma Parintins que ficou para trás e não voltarão jamais, como escreveu Edda, “Parintins, uma pequena cidade de poucas ruas, onde seus habitantes em sua maioria eram parentes, e todos se conheciam”. Ou então, “O lugar era privilegiado, pois em frente, o rio Amazonas descia, mostrando sua imponência e volúpia (…). Um espetáculo para os olhos era assistir os navios de grandes e pequenos portes singrarem aquelas mornas águas amazônicas (…). Entre a ribanceira e a rua despontava uma fileira de frondosas mangueiras. Um cenário fascinante!”.

A rua
da Frente

Mesmo as dificuldades não embotavam o modo de vida tranqüilo e sem preocupações dos moradores de Parintins, como a falta de água encanada, por exemplo. “Consumíamos as águas barrentas do rio Amazonas e o abastecimento residencial era feito pelos aguadeiros (…) Muitas vezes tinham de subir e descer ladeiras e escadas, levando água a lugares distantes (…). Quando, por qualquer razão, esses profissionais se ausentavam, “Papai Dino” assumia o posto ajudado por Ubaldino que carregava dois baldes feitos de cuia”.

Fatos
marcantes

Outros fatos, porém, maravilharam e marcaram para sempre as mentes de quem os viu pela primeira vez na ilha de Pa

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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