E a COP-30 se aproxima da sua realização e o Brasil apresenta somente aspectos negativos, Belém pode ser responsável pelo fracasso dessa Reunião sobre o Clima no Brasil, em consequência da irracionalidade de elevadíssimos preços de alugueis para as delegações estrangeiras.
Assim, segundo o MapBiomas que é composto por universidades, organizações não governamentais e empresas de tecnologia que avaliam imagens de satélite e outros dados. Os Incêndios florestais destruíram cerca de 300.000 quilômetros quadrados no Brasil no ano 2024, o equivalente à área da Itália e 62% a mais que a média das últimas quatro décadas.
Conforme relatório do MapBiomas, 156.000 quilômetros quadrados da região amazônica foram queimados, é a maior área desde o início dos registros em 1985. Os incêndios foram atribuídos em grande parte à seca severa no Brasil no ano de 2024.
E, de acordo com Felipe Martenexen, coordenador do MapBiomas Amazônia, “O fogo não é um elemento natural na dinâmica ecológica da Floresta Amazônica, as superfícies queimadas são resultados das atividades humana”. Frequentemente as arvores são derrubadas e as áreas desmatadas são então incendiadas para criar pastagens ou terras para o cultivo de soja, em condições extremamente secas, os incêndios tendem a ficar fora de controle. Essa pratica tem consequências para o clima global, pois a Amazônia é capaz de reter enormes quantidades de CO2.
Mesmo a despeito da COP-30 em Belém do Pará, o Brasil está longe da meta declarada pelo presidente Lula de atingir o desmatamento zero até 2030.
Em Bonn na Alemanha foi realizada em 18 de junho 2025, os Diálogos de Bonn “Daring Cities 2025” para refletir sobre como fortalecer os planos climáticos nacionais (NDCs) por meio de ações em vários níveis em que prefeitos, líderes subnacionais e nacionais, juntamente com representantes-chave da área climática urbana se reuniram em discursão preparatoria para COP30. O evento destacou a importância de parcerias para concretizar não apenas planos ambiciosos, mas também ações climáticas reais para um futuro próspero.
Como pontuam os especialistas climáticos, “as negociações climáticas só têm valor quando respaldadas por compromissos reais, e esses compromissos só se tornam realidade quando os planos nacionais são vinculados à ação local por meio de parcerias sólidas”. Essa foi à mensagem central ecoada nos painéis de alto nível do evento “Insights para Ação Multinível”, que reuniu 170 delegados de mais de 28 países, abrangendo todas as regiões do mundo.
Se levarmos a sério a resposta à emergência climática, nem os governos nacionais nem os governos locais e regionais podem agir sozinhos, mas precisam de parcerias multiníveis profundas e institucionalizadas, e é disso que se trata o CHAMP e o caminho para a COP30. Se por um lado o mundo assiste as tensões geopolíticas aumentam e os recursos globais se esgotam, a ação climática não pode se dar ao luxo de ser de cima para baixo ou fragmentada.
Niels Annen, Secretário de Estado do Ministério Federal Alemão para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (BMZ), afirmou claramente: “A implementação realmente importa, e é por isso que temos apoiado as Cidades Ousadas e a iniciativa CHAMP.” Pois, parcerias multinível não são apenas uma preferência de governança; são uma necessidade funcional. Ele enfatizou que, embora os governos nacionais impulsionem a agenda climática, a implementação local é onde a mudança acontece: “Precisamos apoiar as cidades e encorajar os governos locais a alocar os fundos necessários”. Sua mensagem foi clara: “As cidades não precisam apenas ser consultadas, elas devem ser equipadas”.
Marjorie Kauffmann, Secretária de Estado de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul, Brasil; Vice-Presidente do ICLEI reiterou que ações e parcerias multiníveis às vezes surgem de crises. Após as enchentes devastadoras de 2024, o Rio Grande do Sul lançou um plano estadual de resiliência em parceria com o ICLEI, agora utilizado por mais de 440 municípios de um total de 496. “As coisas acontecem no território”, disse ela. “Estamos nos organizando não apenas para responder, mas para nos preparar”.
Katja Dörner, prefeita de Bonn, Alemanha, demonstrou como o engajamento dos cidadãos contribui diretamente para o planejamento climático nacional. O “Plano de Ação Climática dos Cidadãos” de Bonn, criado pela iniciativa Bonn4Future, está moldando as metas da cidade para 2035. Com distritos participativos e dados abertos, Bonn demonstra como a apropriação local garante a aderência das políticas.
Xu Liu, Diretor do seu Departamento de Ecologia e Meio Ambiente da China que apresentou exemplo de uma politica publica em vigor – a Ecocidade Tianjin China-Singapura. Construída sobre o que antes era uma paisagem poluída e árida – incluindo um lago de águas residuais com décadas de existência –, a Ecocidade agora conta com um lago próspero, mais de 50% de cobertura verde e bairros caminháveis. Tornou-se um modelo de colaboração multinível e internacional, transformando objetivos ambientais em realidade urbana. Como afirmou Liu: “Nossa prática demonstrou a possibilidade de as cidades equilibrarem o crescimento econômico com a preservação ambiental”.
Belém, como cidade-sede da COP30, não está apenas preparando locais; está preparando um legado. André Godinho, como Secretário Extraordinário da COP30 resumiu: “Quando falo da COP30, falo de legado – o legado que a COP está criando na região”. “O mundo precisa entender que estar em Belém significa entender como as mudanças climáticas afetam a vida das pessoas. A Amazônia não é só árvores, 70% da sua população é urbana; as cidades são fundamentais nesse processo”. “Estamos discutindo o clima exatamente onde ele deve ser discutido, porque a Amazônia pode trazer as soluções para os problemas que todos nós enfrentamos.”
Para melhor compreensão dos leitores explicando o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade (conhecido como ICLEI) é uma rede global que trabalha com mais de 2.500 governos locais e regionais comprometidos com o desenvolvimento urbano sustentável. Atuando em mais de 125 países, influenciamos políticas de sustentabilidade e impulsionamos ações locais para um desenvolvimento com zero emissão, baseado na natureza, equitativo, resiliente e circular. Nossos membros e equipe de especialistas trabalham juntos por meio de intercâmbio entre pares, parcerias e capacitação para gerar mudanças sistêmicas em prol da sustentabilidade urbana.
(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]















