David, Maria do Carmo, Tadeu e Omar

Em: 3 de março de 2026

Proponho aos senhores pré-candidatos David, Maria do Carmo, Omar e Tadeu um exercício básico de lógica e observação: se os igarapés de Manaus – a exata cidade que abriga e enriquece com o PIM/ZFM – estão, em sua esmagadora maioria, poluídos e mortos, com que autoridade técnica ou moral se pode afirmar que esse mesmo modelo é o grande “guardião” ambiental do interior? Nenhum técnico sério, que conheça profundamente as engrenagens e a história da Zona Franca de Manaus, ousa afirmar que seu propósito ou resultado primário foi a preservação da floresta. Utilizar esse argumento é, além de uma ofensa à inteligência do amazonense, um autêntico “tiro no pé”. Deixo claro: sou um defensor incondicional do modelo ZFM. Tenho plena consciência de que, sem ele, o Amazonas mergulharia em um caos econômico e social absoluto. O PIM é vital para o nosso Estado, mas usá-lo como “escudo verde” diante do caos total na própria capital e nos outros 61 municípios é inaceitável. O Amazonas exige de seus futuros governantes coragem para enfrentar a pressão internacional, as ONGs, tirar ongueiro do governo, e fazer rodar matrizes econômicas próprias e urgentes para o interior. A ciência da EMBRAPA já sabe o caminho sustentável, ela fica aqui na AM-010, bem pertinho. Mas primeiro tem que fazer o ZEE-AM. Em síntese, dizer que o PIM/ZFM manteve a floresta em pé passa a impressão de que o modelo econômico empregou todos os amazonenses na capital e no interior do Amazonas e por esse motivo não saímos para desmatar. Um absurdo! Sabemos que não é assim. O recado que isso passa ao Brasil e ao Mundo é que não precisamos fazer mais nada no interior, está tudo ótimo por lá, todos empregados no modelo PIM/ZFM. Esse é sonho de consumo de ONGs e Ongueiros para captar recursos e nos manter com milhões de pobres e miseráveis. Digo isso, porque os pré-candidatos ao Governo do Amazonas têm repetido um mantra perigoso, ilusório e que já foi desmascarado: a afirmação de que a nossa floresta continua “em pé” graças, exclusivamente, ao modelo econômico do Polo Industrial de Manaus (PIM/ZFM). Sem meias palavras, essa é a maior inverdade já consolidada na política regional recente. Pior do que isso: é um argumento que engessa o Estado, agrada ongueiros, e condena a população do nosso interior à miséria e ao esquecimento, pois sabemos que o PIM/ZFM ainda não interiorizou o desenvolvimento. Ao abraçarem esse discurso, os pré-candidatos caem no papo de “ongueiros”. Trata-se de uma narrativa construída por quem vive de polpudos recursos internacionais exatamente para travar o desenvolvimento sustentável das nossas riquezas e manter o Amazonas como um mero santuário intocável, em detrimento do seu povo. Para desconstruir essa mentira, basta olhar para a nossa história e para a nossa geografia. A dura realidade, comprovada por dados estatísticos incontestáveis, é que em 59 anos de existência, os benefícios econômicos do PIM/ZFM nunca chegaram ao interior do Estado. Como consequência dessa inércia travestida de preservação, o que vemos hoje fora da capital é um cenário desolador. Na capital também temos milhares de desempregados. Sem alternativas econômicas, sem indústrias e sem empregos, o interior foi entregue à própria sorte. Mesmo sem emprego, o povo do interior não foi desmatar porque só organização criminosa é quem faz isso. Nossa população tornou-se refém do narcotráfico, da prostituição, do garimpo e amarga os piores indicadores socioeconômicos e de desenvolvimento humano do Brasil. A floresta pode até estar em pé, mas o povo ribeirinho e interiorano está de joelhos. Para aprofundar essa reflexão e trazer ainda mais luz a este debate que o Estado não pode mais adiar, sugiro acessar o www.thomazrural.com.br e ler dois artigos de Juarez Baldoíno.

03.03.2026

Thomaz Meirelles, jornalista, administrador, servidor público federal, especialista na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected] ou [email protected]

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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