Nesses tempos atuais, observando a sociedade brasileira nos parece que o povo perdeu a capacidade de se indignar com a situação em que vive, frente à ocorrência de escândalos, corrupções, trapaças, subterfúgios, dissimulações, etc, praticados por “autoridades” ou por gente influente com ligações com esse governo. Perdeu a capacidade de crítica, ou por medo ou porque perdeu a capacidade cognitiva de indignação e crítica, mesmo vivenciando em condições degradantes de vida. O brasileiro está perdendo a Esperança!
Vejam que segundo a PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), divulgada em 07/04/2026, o endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4% estabelecendo um novo recorde, número que significa oito em cada 10 famílias no Brasil possuem algum tipo de dívida a vencer ou vencida (com cartão de crédito, carnês, crédito consignado, financiamentos imobiliários ou de veículos, etc), que acendem um alerta para os próximos meses, afirma a CNC, especialmente diante dos efeitos do conflito no Oriente Médio e da alta do petróleo sobre o consumidor brasileiro.
Conforme a CNC “o cenário já é reconhecido pelo governo federal como um problema que precisa de solução imediata, que destaca que o endividamento continuará avançando até os efeitos da flexibilização da Política Monetária chegar efetivamente ao consumidor final”.
O endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras têm crescido nos últimos anos, despertando crescente preocupação tanto na sociedade quanto no governo. O aumento da inadimplência gera impactos negativos não apenas para as famílias, mas também para a economia como um todo, além de sinalizar possíveis distorções no funcionamento e nos incentivos do sistema financeiro nacional.
Como indica o pessoal do CEA (Clube de Economia da Amazônia), os principais impactos desse endividamento familiar na Economia: a) Redução do Consumo: famílias endividadas priorizam o pagamento de dívidas imediatas (como pagamentos básicos, como luz, água, telefone, supermercado e aluguel), diminuindo o consumo de outros bens e serviços, o que afeta o comércio; b) Aumento da Inadimplência: o comprometimento da renda atinge níveis históricos em 2026 em 29%, elevando o risco de calote, o que preocupa bancos e demais credores e o governo; c) Custo do Crédito Alto: as altas taxas de juros (Selic elevada e demais taxas de juros bancários e de comércio) tornam as dívidas mais caras, criando um ciclo de maior endividamento, especialmente com o uso de cartões de crédito; d) Impacto no PIB: com menos renda disponível para consumo, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é prejudicado, relata o Banco Central do Brasil; e) Mudança no Perfil de Consumo: os consumidores estão evitando parcelamentos de longo prazo, o que afeta o consumo em setores como o de imóveis, eletrodomésticos e veículos.
E, de acordo com a CNC, o endividamento atinge principalmente as famílias de baixa média renda, com o aumento no endividamento familiar refletindo a inflação e juros altos. O endividamento das famílias brasileiras e o impacto na economia também são influenciados por fatores como o aumento da oferta de crédito e, mais recentemente, o impacto de apostas virtuais (“bets” [jogos eletrônicos]).
Também, discutem os profissionais do CEA, quando o endividamento das famílias pode até ser bem vindo quando associado a investimentos de alto valor, como aquisição de imóveis, ações e investimento em educação, etc. Entretanto, quando esse endividamento está alicerçado em crédito emergencial ou de curto prazo, como o caso dos cartões de crédito e cheques especiais, ele pressiona de maneira desproporcional a renda familiar, sobretudo em um contexto de alta dos juros, resultando em aumento da inadimplência.
Há entendimento que o comprometimento da renda familiar é a parcela da renda destinada a consumo, pagamento de despesas básicas ou serviços da dívida (juros, taxas e amortizações relativos a empréstimos, etc). Igualmente, quando o comprometimento da renda é menor que 100%, a família poupa a diferença, quando é maior, ela aumenta seu endividamento. Na prática, isso reflete decisões de consumo comum no tempo. Se a família compromete mais que sua renda e se endivida é porque está antecipando consumo. Se a família compromete menos que sua renda e poupa, está postergando consumo, se pode afirmar que o comprometimento da renda é a causa primária do endividamento.
Ressalte-se que é compromisso financeiro assumido pela família pelo comprometimento excessivo de sua renda. Assim, afirma-se que o endividamento cria a obrigação de pagamento dos serviços da dívida, conforme a modalidade do crédito tomado pela família. Visto de forma, o endividamento não representa, por si só, um problema para a economia, na verdade, o endividamento das famílias faz parte do funcionamento normal de uma economia de mercado, exatamente por permitir antecipação de consumo – principalmente para enfrentar momentos de uma necessidade inesperada (p. ex., gastos médicos) ou para aquisição de bens de alto valor (p. ex., imóveis) e só se torna um problema quando é excessivo e/ou gera inadimplência.
De acordo com autoridades do Banco Central o nível de inadimplência atual das famílias brasileiras não é inédito na economia e já foi vivenciado em outros momentos históricos. Por outro lado, o crescimento consistente desse indicador nos últimos anos levanta questões importantes, pois é o prenúncio de consequências negativas não só para as famílias afetadas, mas para a economia como um todo.
Quando se trata de 80,4% de famílias endividadas, se está levando em consideração que 81,7 milhões de brasileiros adultos estão inadimplentes ou de 42% da população adulta. Somente para você leitor ter ideia do contingente de brasileiro está em dificuldades, se isto não representa situação preocupante ou vivência em dificuldades, a vida do brasileiro passa por insuficiência material e preocupação e insegurança mental que afeta muito a sociedade brasileira, para cumprir com os compromissos assumidos.
Quando acompanhados de aumentos mais expressivos de endividamento agregado das famílias, períodos de expansão tendem a ser seguidos por períodos de crise econômica relativamente mais fortes, como está presente no caso do Brasil.
Para os economistas especialistas, com base em todas as evidências têm apontado como fator decisivo do aumento do endividamento e da inadimplência o uso cada vez mais recorrente e indiscriminado de linhas de crédito estrategicamente acessíveis (cartão de crédito, consignado e empréstimo bancário), mas extremamente caras. Essa explosão na oferta e demanda de crédito com um dos juros mais caros do mundo, associada a incapacidade de muitas famílias de lidarem com seu endividamento, cria as condições que estão impulsionando o aumento preocupante da inadimplência.
Para o presidente do Banco Central, “muitos cidadãos não se consideram endividados enquanto mantêm os pagamentos em dia: “Você pergunta para as pessoas que estão com algum tipo de financiamento: ‘Você tem dívida?’. ‘Não’. O brasileiro só acha que tem dívida quando fica atrasado numa prestação”.
Os pesquisadores do CEA ressaltam que, nesse contexto (a falta de educação financeira da população), pois a educação financeira é tão relevante, neste caso.
Dados analisados pela FGV IBRE (Fundação Getúlio Vargas – Instituto Brasileiro de Economia) mostram que as famílias de renda mais baixa são as mais afetadas pela expansão desordenada do uso de cartões de crédito com consequente inadimplência, e destacam ainda que esse crescimento desordenado da inadimplência entre as famílias mais pobres é alimentado pela falta de educação financeira da população.
(*) Economista (UFAM), Engenheiro (UFAM), Administrador (UFAM), Mestre em Economia (FGV), Doutor em Economia (UNINI-Mx), Pesquisador Sênior (CEA), Consultor Empresarial e Professor Universitário: [email protected]















